A Embrapa acaba de iniciar a oferta de oito trilhas de aprendizagem no e-Campo, no âmbito da estratégia Minha Ater Digital, voltadas a técnicos extensionistas do Brasil e de países africanos de língua portuguesa. Com seis meses de duração, o objetivo dos cursos é compartilhar conhecimentos sobre tecnologias e ações agrícolas brasileiras, adaptando-as aos contextos locais para promover a segurança alimentar e a inclusão produtiva. No total foram 6.192 inscritos, sendo 1.139 moçambicanos.
Os participantes, que iniciaram seus estudos no dia 28 de julho, terão apoio de consultores e tutores especializados, que estarão disponíveis para interação e esclarecimento de dúvidas via fóruns e encontros virtuais síncronos. Além disso, nesta quinta-feira (6) será realizada uma aula virtual de boas-vindas, com a presença das instituições envolvidas, os tutores e os gestores da plataforma e-Campo.
A significativa participação de técnicos do país africano é resultado da parceria da Embrapa com o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pesca de Moçambique (MAAP) em transferência de tecnologia para inclusão digital e segurança alimentar.
Essa ação marca o início de uma estratégia da Diretoria de Inovação Social e Transferência de Tecnologia (DINT) de fortalecimento da atuação junto à Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) e consolida a parceria com o MAAP para capacitação de técnicos extensionistas de Moçambique.
Minha Ater Digital
Minha Ater Digital é uma plataforma integrada ao portal gov.br. O espaço reúne conteúdos, ferramentas e serviços voltados à assistência técnica e extensão rural, à agricultura familiar e aos povos e comunidades tradicionais. A estratégia é resultado de uma ação conjunta do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), da Anater, do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e da Embrapa.
A oferta das trilhas foi a primeira iniciativa implementada por essa parceria. Para esses oito cursos, o MDA viabilizou a contratação de consultores especialistas em cada tema, para atuarem na mediação pedagógica e na tutoria.
Além das trilhas de aprendizagem, a Minha Ater Digital conta com quatro ferramentas abertas e gratuitas da Embrapa: e-Campo, Ater+Digital, Agritempo e Zarc Plantio Certo.
As trilhas de aprendizagem para extensionistas
As trilhas são conjuntos de cursos on-line gratuitos baseados no conhecimento da Embrapa e de pesquisadores brasileiros. Elas oferecem soluções práticas para os desafios do campo.
As oito trilhas lançadas são os cursos com tutoria e vagas limitadas. Elas contam com o acompanhamento de especialistas da Embrapa e parceiros para tirar dúvidas e aplicar o conhecimento no dia a dia dos extensionistas.
Além delas, o e-Campo também disponibiliza de forma contínua e para qualquer interessado, cursos on-line de curta duração e outras trilhas de aprendizagem.
Sobre os oito cursos
Tecnologia pós-colheita de frutas e hortaliças
O curso traz o ensinamento da pós colheita de frutos e hortaliças pensando em minimizar perdas e preservar qualidades dos produtos desde o campo até a mesa do consumidor. Ao longo da trilha, os participantes estarão aptos a implementar estratégias de colheita tecnológica e garantir a segurança alimentar, na promoção da eficiência hídrica e na inserção competitiva dos produtos da agricultura familiar, sem desperdiçar elementos e produzindo bons alimentos. A carga horária é de 124 horas com a duração de seis meses.
A trilha compõe sete cursos: análise não destrutiva da qualidade; beneficiamentos; colheita; nanotecnologia; produtos minimamente processados; rastreabilidade; e uso racional da água.
Técnicas para a irrigação da bananeira
A trilha foca no aprendizado dos processos de mudança tecnológica, partindo do preparo orgânico e conservacionista do solo até a gestão avançada da irrigação. O aprendiz será capaz de orientar produtores no planejamento de estratégias que garantam a eficiência hídrica em todo o ciclo da cultura, utilizando métodos racionais e ferramentas de precisão para calcular a demanda hídrica exata de cada planta, levando em consideração a otimização da produção, redução de custos operacionais e preservação de recursos naturais vitais. A carga horária é de 150 horas com duração de seis meses.
O itinerário formativo é composto por cinco cursos: preparo e manejo do solo; uso racional da água em frutas e hortaliças; métodos e sistemas de irrigação para bananeira; irrigação da bananeira; e técnicas de manejo da água de irrigação.
Manejo de propriedade leiteira
O manejo de propriedade leiteira propõe a capacitar o extensionista para implementar sistemas de produção leiteira sustentáveis, integrando o manejo de pastagens à plena adequação ambiental da propriedade. Desse modo, ao concluir o curso, o participante saberá orientar produtores no manejo hídrico eficiente e no tratamento correto de dejetos, transformando potenciais poluentes em recursos valiosos através de rotas tecnológicas e compostagem. A carga horária é de 150 horas com seis meses de duração.
A trilha contém quatro cursos: conceitos básicos em manejo ambiental, manejo hídrico, manejo de resíduos e implantação, manejo e recuperação de pastagem.
Produção de sementes e mudas
O Itinerário de aprendizagem oferece ao extensionista uma imersão em inovações biotecnológicas e práticas de conservação da agrobiodiversidade, com foco especial em ambientes desafiadores como o Semiárido. Durante as aulas, os participantes aprenderão a multiplicar materiais vegetais e animais, garantindo a segurança genética, a restauração florestal e a autonomia dos agricultores familiares. A carga horária é de 173 horas com seis meses de duração.
A trilha de aprendizagem é composta de oito cursos: produção de sementes; secagem, beneficiamento e armazenamento; germinação, dormência e qualidade; produção de mudas; o futuro das sementes; ferramentas participativas e agroecológicas; produção de sementes e ovos embrionados; semeando florestas em terras indígenas.
Manejo de solo e água para agricultura tropical
A capacitação prepara o extensionista para orientar produtores na construção da fertilidade e na eficiência produtiva. O objetivo é formar técnicos capazes de aplicar estratégias de uso racional da água em toda a cadeia produtiva, garantindo a viabilidade econômica de longo prazo, a segurança ambiental e a longevidade dos sistemas integrados de produção. A carga horária é de 150 horas com seis meses de duração.
A trilha compõe cinco cursos: manejo do solo em sistemas integrados; fundamentos e práticas de conservação; fertirrigação; preparo e manejo do solo; e uso racional da água.
Produção e processamento de mandioca
A qualificação ensina aos participantes como orientar produtores sobre o ciclo completo da mandiocultura, desde o uso de materiais genéticos superiores e manejo de solo até o processamento agroindustrial de alto valor agregado. Os concluintes do curso estarão aptos a gerenciar a fertilidade do solo e a fertirrigação, além de coordenar a produção de matérias biofortificadas. O foco final é a implantação de unidades de processamento de mandioca de mesa e derivados, assegurando a eliminação de cianogênicos, a conformidade legal e o aumento real da renda na agricultura familiar. A carga horária é de 146 horas com seis meses de duração.
A jornada conta com cinco cursos: processamento de mandioca de mesa; Rede Reniva; produção de biofortificados; manejo do solo em sistemas integrados; e fertirrigação.
Introdução à produção orgânica
A trilha propõe orientar produtores sobre a transição e a consolidação de sistemas de produção orgânica, integrando o manejo regenerativo do solo, a produção de bioinsumos e a conformidade com a regulamentação brasileira. Os participantes serão capazes de coordenar processos de compostagem e aproveitamento de resíduos, implementar o cultivo orgânico de fruteiras tropicais, com foco no manejo fitossanitário do maracujá, e por fim, aplicar metodologias participativas que valorizem a agrobiodiversidade e o conhecimento tradicional, garantindo a certificação, a conservação ambiental e a resiliência dos agroecossistemas. A carga horária é de 170 horas com seis meses de duração.
A capacitação é composta por seis cursos: compostagem; produção orgânica; ferramentas participativas para sementes crioulas; produção orgânica de maracujá; preparo e manejo do solo e aproveitamento de resíduos e bioinsumos.
Bovinocultura de leite
A aula forma extensionistas capazes de orientar produtores com fundamentos técnico-científicos, sobre a adoção de tecnologias e boas práticas que elevam a qualidade do leite, a produtividade, sustentabilidade e a rentabilidade da pecuária familiar. No final, os integrantes vão saber implementar protocolos de prevenção e controle da mastite e do carrapato, aplicar estratégias eficientes para a cria de bezerras e garantir a obtenção de leite cru refrigerado de alta qualidade, promovendo o bem-estar animal, o aumento da renda e a melhoria das condições de trabalho no campo. A carga horária é de 192 horas com seis meses de duração.
A trilha contém cinco cursos: produção de leite na agricultura familiar; qualidade do leite em foco; controle e prevenção da mastite; cria de bezerras leiteiras; e controle estratégico do carrapato.
Larissa Morais (MTb/SP 48.218) ((MTb/SP 48.218))
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