Um estudo liderado por pesquisadores da Embrapa em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e o Instituto Biológico de São Paulo resultou na descoberta e descrição de uma nova espécie de bactéria, batizada de Moraxella tarda sp. nov. O microrganismo foi isolado a partir da mucosa nasal de bovinos da raça Hereford que apresentavam sinais clínicos iniciais de ceratoconjuntivite infecciosa bovina (CIB), enfermidade popularmente conhecida como cerato, “mal do olho” ou pinkeye. A validação da nova espécie seguiu parâmetros taxonômicos internacionais e exigiu o depósito de isolados representativos em coleções microbiológicas de referência no exterior para a confirmação de espécie inédita. Confira aqui a publicação sobre a descoberta.
O trabalho de identificação teve início a partir de coletas de campo realizadas na Embrapa Pecuária Sul (RS). Em seguida, as análises bioquímicas, fisiológicas e genômicas foram aprofundadas nos laboratórios das unidades Embrapa Gado de Leite (MG) e Embrapa Gado de Corte (MS). O trabalho integrado permitiu detalhar não apenas a estrutura genética do patógeno, mas também identificar suas diferenças em relação a espécies já bem documentadas na medicina veterinária, como a Moraxella bovis e a Moraxella bovoculi.
Amostras do microrganismo foram depositadas nas coleções internacionais BCCM/LMG Bacteria Collection (Bélgica) e Culture Collection of Porto (Portugal) e no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. “Essa conquista reflete uma jornada que começou em 2018 com as coletas em campo. O depósito nessas coleções valida definitivamente a Moraxella tarda no catálogo global de microrganismos. Isso só foi possível graças à cooperação entre as equipes e instituições, que uniram competências para entregar inovação científica ao setor”, pontua a pesquisadora Marta Martins (foto abaixo), autora correspondente da publicação.
Um estudo liderado por pesquisadores da Embrapa em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e o Instituto Biológico de São Paulo resultou na descoberta e descrição de uma nova espécie de bactéria, batizada de Moraxella tarda sp. nov. O microrganismo foi isolado a partir da mucosa nasal de bovinos da raça Hereford que apresentavam sinais clínicos iniciais de ceratoconjuntivite infecciosa bovina (CIB), enfermidade popularmente conhecida como cerato, “mal do olho” ou pinkeye. A validação da nova espécie seguiu parâmetros taxonômicos internacionais e exigiu o depósito de isolados representativos em coleções microbiológicas de referência no exterior para a confirmação de espécie inédita. Confira aqui a publicação sobre a descoberta.
O trabalho de identificação teve início a partir de coletas de campo realizadas na Embrapa Pecuária Sul (RS). Em seguida, as análises bioquímicas, fisiológicas e genômicas foram aprofundadas nos laboratórios das unidades Embrapa Gado de Leite (MG) e Embrapa Gado de Corte (MS). O trabalho integrado permitiu detalhar não apenas a estrutura genética do patógeno, mas também identificar suas diferenças em relação a espécies já bem documentadas na medicina veterinária, como a Moraxella bovis e a Moraxella bovoculi.
Amostras do microrganismo foram depositadas nas coleções internacionais BCCM/LMG Bacteria Collection (Bélgica) e Culture Collection of Porto (Portugal) e no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. “Essa conquista reflete uma jornada que começou em 2018 com as coletas em campo. O depósito nessas coleções valida definitivamente a Moraxella tarda no catálogo global de microrganismos. Isso só foi possível graças à cooperação entre as equipes e instituições, que uniram competências para entregar inovação científica ao setor”, pontua a pesquisadora Marta Martins (foto abaixo), autora correspondente da publicação.
Seleção para resistência
Entre as estratégias para o controle da CIB, a Embrapa disponibiliza a tecnologia de seleção genética que permite identificar animais com maior resistência à doença. Estudos conduzidos pela Embrapa Pecuária Sul, Conexão Delta G e Gensys, com apoio da Associação Brasileira de Hereford e Braford, demonstraram que essa resistência possui componente genético e pode ser incorporada aos programas de melhoramento. Além disso, o uso de informações genômicas aumenta significativamente a precisão na identificação dos animais geneticamente mais resistentes, tornando a seleção mais confiável e contribuindo para reduzir a incidência da enfermidade nos rebanhos ao longo das gerações.
Foi justamente durante esses estudos para a seleção de animais resistentes, conduzidos em bovinos Hereford criados no bioma Pampa, que os pesquisadores identificaram a bactéria até então desconhecida pela ciência.
Emanuelle Gaspar explica como os primeiros indícios da descoberta apareceram. “Desde 2014, participávamos, em Bagé, Rio Grande do Sul, de um estudo de ceratoconjuntivite focado em resistência a diversas doenças. No decorrer do processo, durante uma checagem de rotina feita pelo analista da Embrapa Robert Domingues (foto abaixo), identificamos um sinal atípico que nos levou a suspeitar de uma nova espécie de Moraxella. Desde então, temos realizado testes para provar que se trata de uma espécie inédita e vencer os obstáculos burocráticos para o seu reconhecimento científico”, conta.
Modelo: próximos passos nas investigações genéticas da CIB
O próximo passo das pesquisas concentra-se na avaliação de modelos para estudos genéticos sobre a doença. Financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e sob a coordenação da pesquisadora Marta Martins, a iniciativa busca aprofundar o conhecimento sobre a resistência animal e a interação com diferentes espécies de Moraxella (incluindo os tipos já conhecidos e a nova espécie), a partir de uma abordagem experimental inovadora.
O grande diferencial dessa nova etapa reside na substituição de testes invasivos em animais vivos por um modelo laboratorial baseado no cultivo de córneas coletadas em frigoríficos. Mantidos vivos em meio de cultura, esses tecidos oculares comportam-se de forma semelhante ao que acontece in vivo, recriando a dinâmica da infecção e, assim, permitindo analisar, no microscópio e em nível molecular, como as células do olho respondem ao ataque bacteriano. Por meio de técnicas como sequenciamento de RNA e qPCR, é possível avaliar quais genes são ativados ou alterados durante a interação entre a bactéria e as células da córnea, ajudando a entender tanto a resposta de defesa do hospedeiro quanto o comportamento da bactéria durante a infecção.
Essa mudança metodológica traz benefícios diretos ao bem-estar animal. Ao reaproveitar tecidos da cadeia produtiva, a pesquisa elimina a necessidade de induzir infecções dolorosas ou submeter bovinos ao estresse de experimentações em campo para avaliar a patogenicidade. Além disso, a tecnologia entrega uma plataforma segura e controlada não apenas para identificar animais geneticamente mais resistentes e aperfeiçoar vacinas, mas também para testar novos medicamentos e estudar o comportamento genético frente a outras enfermidades sem causar sofrimento ao animal.
Luísa Berg (MTb 23.886/MG)
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