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A reconversão de áreas com pastagens degradadas por meio da Integração Lavoura-Pecuária (ILP) foi um dos assuntos abordados no  IV Dia de Campo realizado na Fazenda Lagoa dos Currais, dia 6 de março, em Cordisburgo. O pesquisador Miguel Gontijo, da Embrapa Milho e Sorgo, apresentou o histórico e resultados de um sistema ILP implantado em uma área de 30 hectares (três piquetes de 10 hectares cada) na fazenda Lagoa dos Currais, a partir da safra 2022/2023.

Nas áreas com pastagens, na safra 2022/2023, foi realizado o cultivo de soja em um dos piquetes. Na safra seguinte (2023/2024), a soja foi implantada no segundo piquete e, no primeiro piquete, foi implantado o consórcio de sorgo forrageiro mais capim Tamani. Na terceira safra (2024/2025), a soja foi implantada no terceiro piquete, o sorgo forrageiro mais Tamani no segundo piquete e, no primeiro piquete, a pastagem de capim Tamani formada no ano anterior foi pastejada por animais em recria.

fa475880-99c8-e54c-2b2a-1cf388caa7e1?t=1773685192498“Assim, a soja foi utilizada como a “cultura de entrada” em área de solo com baixa fertilidade química e onde foram necessários grandes aportes de corretivos e fertilizantes para o cultivo de grãos. Cabe destacar que nas duas primeiras safras as receitas oriundas da comercialização da soja foram suficientes para cobrir todos os custos com insumos e serviços empregados na correção do solo e cultivo da soja”, disse Gontijo.

“Já no ano passado, safra 2024/2025, quem esteve aqui no III Dia de Campo percebeu as consequências do veranico de fevereiro de 2025. A produtividade da soja foi de apenas 36 sacas por hectare. Então, naquele ano, não se pagaram os custos de correção e melhoria. Porém, nos outros dois piquetes, foram produzidas 62 toneladas de silagem de sorgo, mesmo com o veranico de fevereiro, enquanto no piquete que era pastagem foram produzidas 22 arrobas por hectare por ano. Daí, destacamos a importância da diversificação de atividades proporcionadas pela ILP para essa região. Se o produtor tivesse os 30 hectares de soja, provavelmente sairia da atividade. Como o sistema está integrado, as 22 arrobas por hectare e a silagem produzida equilibraram o caixa. Então, como resultado, após os 3 primeiros anos, as pastagens foram recuperadas e o cultivo da soja foi validado para a região”, ressaltou Gontijo.

4f37d4e1-a62c-b8a6-a5fb-aa26b6950049?t=1773692690792Atualmente, na safra 2025/2026, não havendo mais áreas de pastagens degradadas, o sistema foi realinhado para a intensificação da produção pecuária. Assim, no piquete em que foi cultivada a soja na safra anterior, foi semeado o sorgo forrageiro consorciado com o capim Zuri, e os outros dois piquetes permaneceram com pastagens de capim Tamani.

Os resultados preliminares da safra 2025/2026 consistiram de 70,2 toneladas por hectare de silagem de sorgo LAS 6002F + Zuri e uma produtividade animal média de 20 arrobas por hectare por ano, indicando uma enorme mudança de patamar de produtividade agropecuária da propriedade.  De acordo com Gontijo, “cabe destacar que, a partir desta safra, o cultivo do sorgo consorciado com capim seguirá rotacionando anualmente no piquete com pastagem de segundo ano, equilibrando, na propriedade, a disponibilidade de forragem das pastagens no período das chuvas com a produção de silagem para fornecimento aos animais no período da seca, garantindo altos níveis de desempenho animal durante todo o ano”. 

“Então, a grande sacada da ILP é utilizar a lavoura para recuperar a pastagem e fortalecer a pecuária, porque a pecuária intensificada além de aumentos na produtividade, também gera produtos de maior valor agregado. A ILP é uma estratégia que pode ser utilizada em propriedades de qualquer tamanho e capacidade de investimento financeiro, pois pode ser implementada de forma escalonada no tempo. É um planejamento de médio e longo prazo que a cada ciclo de rotação vai melhorando a qualidade do solo, aumentando a produtividade das áreas, a rentabilidade e a resiliência do sistema de produção como um todo”, concluiu Gontijo.

O IV Dia de Campo foi uma realização da Embrapa, da  Baldan e da Fazenda Lagoa dos Currais, com o apoio da Associação Mineira dos Criadores de Zebu (AMCZ),  da empresa Multitécnica, da Cooperativa Central dos Produtores de Leite (CCPR), da Emater Minas Gerais, do Sistema Faemg/Senar/Inaes, do Sindicato dos Produtores Rurais de Curvelo, da Confraria Centro Mineira e da Fundação Agrisus.

Leia a cobertura completa em

Sustentabilidade e aumento da produtividade no campo são temas de Dia de Campo na Região Central de Minas

Boas práticas de construção de perfil de fertilidade do solo favorecem formação de pastagem

 
 

Sandra Brito (MTb 06.230/MG)
Embrapa Milho e Sorgo

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