Foto: Paulo Lanzetta

Paulo Lanzetta -

Promovido pela Embrapa Clima Temperado, em parceria com o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária do Rio Grande do Sul (LFDA-RS) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o encontro reúne representantes da Associação Brasileira das Pequenas e Médias Cooperativas e Empresas de Laticínios (G100) para discutir os avanços e desafios da cadeia produtiva do leite no Brasil. A Reunião Técnica do Programa Leite Seguro – realizada sob demanda do G100 – acontece na sede da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (RS), de 07 a 09 de abril e vai culminar em encaminhamentos sobre ações de parceria e apoio à cadeia produtiva do leite.

O principal objetivo do encontro é divulgar as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa, apresentar as ações do Programa Leite Seguro, e abordar temas relevantes como o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT) e o Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC). Além disso, o evento visa promover um intercâmbio de conhecimento e prospectar novas parcerias para o desenvolvimento do setor.
 

Perspectivas para o Setor Lácteo

A cerimônia de abertura contou com a presença de Clenio Pillon, diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa; Leonardo Dutra, chefe-geral da Embrapa Clima Temperado; Waldyr Stumpf Jr., pesquisador da Embrapa Clima Temperado e facilitador do evento; Wilson Massote, diretor do G100; e Roberto Lucena, representante da Superintendência do Mapa no Rio Grande do Sul. 

Os representantes destacaram a relevância da reunião como desdobramento de discussões iniciadas em 2019, que culminaram na criação do Programa Leite Seguro, e enfatizaram a necessidade de unir esforços para traçar perspectivas futuras para a cadeia do leite. Foi ressaltada também a importância de programas como o Leite Saudável e o PNCEBT, o desafio de potencializar o Programa Leite Seguro e o impacto das mudanças climáticas na produção leiteira, que demanda soluções urgentes.

Segundo Pillon, não basta mais ofertar o leite sem garantir o processo de salubridade, com certificação, percebida como um diferencial para um consumidor que busca cada vez mais saúde, longevidade e qualidade de vida. Para o diretor, a sustentabilidade aplicada à cadeia produtiva de leite também ganha relevância e os setores que não olharem para os balanços ambientais favoráveis, vão ter cada vez mais dificuldade de ocupar mercados.

“Nós temos cerca de 607 pesquisadores na Embrapa que atuam direta e indiretamente na cadeia produtiva do leite, mais de 20 centros e cerca de 126 projetos de pesquisa dedicados à cadeia do leite, desde o melhoramento genético vegetal e animal até o trabalho de desenvolvimento de tecnologias para o sistema de produção e gestão da qualidade do leite”, explica Pillon.
 

Programa Emergencial Mais Leite Sustentável (PEMLS)

No primeiro painel da manhã, Wilson Massote, diretor do G100, apontou as preocupações da Associação com o alongamento de dívidas de produtores, financiamento, transação tributária de máquinas e equipamentos, e a definição de crédito presumido. Foram apresentadas soluções para barreiras não tarifárias à exportação e questões tributárias, com a proposição do Programa Emergencial Mais Leite Sustentável, de apoio aos produtores. 

O PEMLS visa melhorar a qualidade, produtividade e sustentabilidade da cadeia produtiva, agregando valor e diminuindo o custo do produto, resultando na defesa do mercado interno mais competitivo. A implementação do programa se baseia em cinco pilares: erradicação da tuberculose; erradicação de brucelose; maior efetividade no PNCRC; gestão de atividade produtiva do leite e processamento; e alimentação, saúde e conforto animal, resultando em maior sustentabilidade.

“O aumento da competitividade dispensa barreiras artificiais às importações, admitindo-se apenas as necessárias à segurança alimentar. Mas, precisa-se de um projeto muito forte e nós vamos levar de seis a dez anos para implementar um projeto desse porte”, afirma o diretor do G100.
 

Embrapa Clima Temperado na Cadeia Láctea

A apresentação institucional da Embrapa Clima Temperado, conduzida pelo chefe-geral Leonardo Dutra, ofereceu um panorama abrangente da Unidade e a elaboração de projetos voltados para a produção leiteira. Segundo Dutra, o Programa Leite Seguro investiu 10 milhões de reais para a qualificação da Unidade no desenvolvimento de pesquisa e inovação para a cadeia láctea. O investimento resultou em novas acomodações e equipamentos do Laboratório de Qualidade do Leite, novas instalações, máquinas e equipamentos de campo para a implementação do Sistema de Pesquisa e Desenvolvimento em Pecuária Leiteira (Sispel), reforma do Free Stall.

No encerramento da primeira manhã do encontro, Maira Zanela, pesquisadora da Embrapa Clima Temperado, apresentou um panorama das perspectivas e resultados que orientam a atuação da Unidade em pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados à cadeia produtiva do leite. Entre os destaques, Maira ressaltou o papel do Sispel, que há mais de 30 anos gera soluções integradas, abrangendo toda a cadeia, do produtor ao consumidor. Outra atuação evidenciada foi a do Laboratório de Qualidade do Leite (LabLeite), que hoje é referência no suporte à qualificação da produção.

Segundo a pesquisadora, a Embrapa se consolida como uma importante facilitadora na relação entre produção e consumo ao promover entregas que impactam diretamente ambos os segmentos. Essas soluções se organizam em diferentes frentes, que vão desde ações mais simples, como as boas práticas e o manejo, até as mais complexas, como a análise da qualidade do leite, a reprodução e nutrição animal, a qualificação genética, entre outras.

Dentre as tecnologias e parcerias, Zanela destacou as ações desenvolvidas junto à Plataforma Colaborativa Sul para Mitigação de Efeitos Climáticos Adversos na Agropecuária, através do plano Recupera Rural RS, que estão voltadas à retomada da produção leiteira em áreas afetadas pelos fenômenos climáticos recentes no Rio Grande do Sul. A pesquisadora também apresentou perspectivas futuras, com projetos centrados em soluções estratégicas para o fortalecimento da cadeia do leite.

A programação do evento teve continuidade ao longo da tarde e segue na quarta-feira (08), com novos painéis e uma visita aos laboratórios, nas dependências da Estação Experimental Terras Baixas, da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS). Na quinta-feira (09), o grupo se reúne para os encaminhamentos finais.

Emily do Amaral (sob orientação de Beatriz Meireles)

 
 

Beatriz Meireles Ferreira (MTb 0043065/RJ)
Embrapa Clima Temperado

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