A degradação de pastagens é um processo gradual, que pode ser evitado quando o produtor acompanha indicadores de produtividade, capacidade de suporte, cobertura vegetal e fertilidade do solo. O alerta é do pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Manuel Cláudio Motta Macedo, referência em manejo e recuperação de pastagens tropicais, em palestra durante o Dia de Campo da Expedição Baldan e Embrapa “Recuperação de pastagens degradadas – o futuro do agro passa por aqui”, promovido em Campo Grande (MS).
Segundo Macedo, o produtor precisa conhecer, registrar e interpretar os dados da propriedade para antecipar problemas e evitar que a degradação chegue a estágios mais graves. “Qualquer propriedade que não tiver controle de dados e anotação, hoje em dia, está no osso. As margens estão cada vez menores e os insumos muito caros. Nós temos que ter controle do que estamos fazendo”, afirma o especialista em solos.
Para ele, a degradação deve ser entendida como um processo contínuo, que começa antes de os sinais visuais se tornarem evidentes. A perda de fertilidade do solo, por exemplo, pode ocorrer antes da redução expressiva da cobertura vegetal. “O que mais vemos na prática é o produtor chegar ao fato consumado. A degradação já está instalada, e só então se começa a pensar em como ela chegou ali”.
Entre os principais indicadores que devem ser acompanhados estão a capacidade de suporte da pastagem, o desempenho animal, a presença de pragas e plantas invasoras, a quantidade de solo descoberto, a disponibilidade de forragem e as alterações na qualidade química, física e biológica do solo.
Para facilitar a avaliação no campo, a Embrapa trabalha com estágios de degradação que consideram a perda de produtividade animal, a queda de vigor das forrageiras, a presença de invasoras e pragas, o solo descoberto e a fertilidade. Em situações leves, ajustes de manejo e adubação de superfície podem resolver o problema. Em estágios avançados, as intervenções se tornam mais complexas.
Quando a perda de produtividade animal é inferior a 25% e há apenas queda de vigor da pastagem, medidas de manejo podem ser suficientes; à medida que surgem pragas e plantas invasoras, o nível de degradação se agrava, demandando operações de manejo de solo mais robustas.
Experimento mostra importância da reposição de nutrientes
Macedo citou resultados de um experimento de longa duração implantado em 1994 no campo experimental da Embrapa Gado de Corte, envolvendo sistemas de pastagem contínua com e sem adubação de manutenção, além de sistemas integrados.
Após anos de acompanhamento, as áreas sem reposição de nutrientes apresentaram queda de produtividade e necessidade de recuperação. Mesmo com manejo controlado, a ausência de adubação comprometeu a sustentabilidade da pastagem ao longo do tempo.
O experimento foi recuperado entre 2016 e 2017 e segue em avaliação, demonstrando a importância de acompanhar a fertilidade do solo e repor nutrientes para manter a produtividade.
Pecuarista na região de Campo Grande, Paulo Ogeda, busca a intensificação em sua propriedade e revela que ao conhecer os diferentes tratamentos de solo nessa área da Embrapa, acredita ser possível corrigir os problemas que têm encontrado em sua fazenda. “Com esse entendimento de solo, posso obter melhores resultados”, resume.
O mesmo acredita o técnico da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural de MS (Agraer), Antonino Neto, responsável pelo campo experimental da Agência. Para o engenheiro agrônomo, o problema do produtor já começa nos conceitos, como encarar a forragicultura como cultura. A partir disso, com ajustes no manejo e equipamentos adequados a renovação e reforma do pasto acontecem.
Expedição Baldan e Embrapa
O dia de campo, com teoria e prática, integra o projeto “Recuperação de pastagens degradadas – o futuro do agro passa por aqui”, desenvolvido em parceria com a Baldan, referência em máquinas e implementos agrícolas. Um dos objetivos da iniciativa é promover a transferência de tecnologia, a capacitação técnica e a difusão de boas práticas produtivas, aproximando produtores, pesquisadores e empresas do setor agropecuário.
Entomologista e gestora na Embrapa, Fabrícia Zimermann, reforça a luta de técnicos e produtores pelo País afora contra a degradação. Iniciativas como essa estimulam a adoção de boas práticas, sistemas mais eficientes e sustentáveis, escolha de forrageiras adaptadas e a busca por conhecimento, segundo ela.
Márcio Barion, gerente de Planejamento de Produto na Baldan, tem percorrido o Brasil com o projeto e percebido o interesse dos produtores em aprender sobre as melhores práticas para recuperação e transformação das áreas. “É a ciência aliada à engenharia: o conhecimento científico da Embrapa com a aplicação prática dos implementos da Baldan”, afirma.
Cerca de 110 produtores e técnicos participaram desta edição. Além de Manuel Macedo e Fabrícia Zimermann, Alexandre Romeiro, Rodrigo Amorim, Celso Dornelas e Lucas Torres foram palestrantes durante o evento, que aconteceu nos dias 16 e 17 de junho.
As fotos do Dia de Campo Baldan & Embrapa Gado de Corte: Dia 16 e Dia 17.
Dalízia Aguiar (MTB 28/03/14/MS)
Embrapa Gado de Corte
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