Novos feijões atendem demandas da cadeia produtiva
Alto potencial produtivo, qualidade comercial e redução de riscos sanitários, com reflexos diretos em abastecimento, previsibilidade de oferta e renda, são atributos de quatro novas cultivares de feijão desenvolvidas pela Embrapa Arroz e Feijão (GO). Elas atendem a demandas dos elos da cadeia produtiva — dos agricultores aos consumidores — e a especificidades dos diversos sistemas de produção, menos e mais tecnificados.
São elas:
Feijão BRS FP327
A BRS FP327 é uma cultivar de feijão-comum do grupo comercial preto. Apresenta ciclo semiprecoce (75 a 84 dias), alta produtividade e rendimento de peneira, grãos graúdos, resistência moderada à ferrugem, antracnose e murcha de fusário, e resistência intermediária às podridões radiculares.
É voltada a produtores que buscam retorno rápido e eficiência de manejo. Em termos de sistema produtivo, a precocidade pode significar melhor encaixe em janelas mais curtas, resposta mais ágil ao mercado e, em alguns casos, menor exposição a períodos críticos de clima e a picos de pressão de pragas e doenças.
Feijão BRS FP426
Também uma cultivar de feijão-comum do grupo comercial preto, a BRS FP426, de grão graúdo e ciclo normal, apresenta alta produtividade e resistência à murcha de fusário, além de bom rendimento de peneira.
É descrita como uma cultivar voltada à segurança agronômica e à estabilidade produtiva, especialmente para áreas de risco sanitário — como solos com histórico de doenças e ambientes irrigados por pivô central. Em regiões onde a pressão de doenças e o risco de perdas são maiores, o objetivo é reduzir a chance de frustração de safra e trazer previsibilidade à colheita, fator que pesa tanto na decisão do produtor quanto no planejamento de compra e processamento.
Feijão BRS ELO FC424
A BRS ELO FC424, cultivar de feijão-comum carioca, de porte ereto, apresenta alta produtividade (2.496 kg ha-1) e excelente qualidade comercial dos grãos quanto à coloração, uniformidade e rendimento de peneiras.
Além disso, tem resistência intermediária a várias doenças, como podridões radiculares, murcha de Fusarium e antracnose, e resistência moderada à mancha-angular. Essa cultivar contribui para a redução do uso de defensivos agrícolas, o que favorece o menor impacto para o meio ambiente e para a saúde humana, e a maior sustentabilidade da produção agrícola.
É apresentada com foco inicial na Região Sul e possibilidade de expansão para o Centro-Oeste e o Nordeste. O destaque é o desempenho produtivo, aspecto sensível em sistemas que precisam diluir custos crescentes de insumos e operações.
Feijão BRS ELO FC429
Outra cultivar de feijão-comum carioca, a BRS ELO FC429 — de arquitetura ereta, com grãos de coloração bege clara e rajas marrom — mira uma demanda de maior valor agregado no feijão carioca: o escurecimento lento dos grãos. Na prática, isso tende a ampliar a flexibilidade de venda do agricultor, que passa a contar com mais tempo para escolher o melhor momento de comercialização, e a aumentar o tempo de prateleira, com potencial de reduzir perdas e pressão logística. A expectativa é de um grão que mantém por mais tempo o padrão comercial, o que pode influenciar preço e aceitação no varejo.
A cultivar se adapta a diferentes regiões produtoras (Central, Centro-Sul e Nordeste do Brasil). Suas resistências moderada à murcha de Fusarium e intermediária à mancha-angular e à murcha de Curtobacterium as elegem capaz de contribuir para a redução do uso de defensivos agrícolas, com benefícios para o meio ambiente e saúde humana.
Imagem: Hélio Magalhães
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