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A Embrapa está completando 53 anos. Na solenidade comemorativa marcada para o dia 23 de abril, na Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF), serão apresentadas novas tecnologias geradas pela Empresa e parceiros. São frutos de um trabalho dedicado de transformar conhecimento em soluções que possam responder a demandas de diferentes cadeias produtivas.

Quatro cultivares de feijão, uma de soja, uma de sorgo gigante e a primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens estão entre as novidades e representam alternativas para a maior produtividade e sustentabilidade no campo.

Um aplicativo, o Monitora Caju, funciona sem necessidade de internet e permite que produtores situados em áreas com baixa ou nenhuma conectividade, em sua maioria agricultores familiares, sejam orientados no manejo fitossanitário da cultura.

Um plugin para o software QGIS, integrado ao sistema Netflora — tecnologia baseada em inteligência artificial que aumenta a precisão e reduz custos no manejo de florestas na Amazônia — facilita o uso da metodologia, permitindo que um número maior de profissionais realize inventários florestais.

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Saiba mais sobre as novas tecnologias:

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8f9696a1-ffab-c820-2a82-caca6f56ad11?t=1776091732139&profile=RESIZE_710xBRS Carinás é a primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens

A primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens se sobressai pela alta produção de forragem e adaptação a sistemas integrados. Recomendada para o bioma Cerrado, alcança até 16 toneladas de matéria seca por hectare, com alta produtividade de folhas.

Entre seus diferenciais, destacam-se a baixa exigência em fertilidade do solo — ela tolera solos ácidos e pobres em fósforo —, a maior capacidade de suporte (número de bovinos numa determinada área de pastagem) e o maior ganho de peso vivo por área (mais quilos de carne produzidos), quando comparada à cultivar Basilisk, elevando a produtividade animal e diversificando as pastagens em áreas de solos ácidos do Brasil. A Basilisk era, até agora, a única cultivar da espécie Brachiaria decumbens (renomeada como Urochloa decumbens) disponível no mercado brasileiro.

Outra vantagem é sua utilização em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), uma vez que a alta produção de palhada e forragem pode ser destinada ao pastejo na entressafra. Além disso, a cultivar não interfere na produtividade dos cultivos anuais.

Em comparação com a Basilisk (conhecida como Braquiarinha), a BRS Carinás produz 18% a mais de forragem na estação chuvosa, com destaque para maior produção de lâminas foliares, componente de maior valor nutritivo da planta.  Os testes de desempenho de bovinos de corte realizados na Embrapa Cerrados mostraram que a nova cultivar permite aumentar o número de animais na pastagem, elevando o ganho de peso por hectare – cerca de 12% superior ao obtido com a Braquiarinha sob o mesmo manejo

As sementes da BRS Carinás podem ser adquiridas junto à Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto), parceira da Embrapa no lançamento da tecnologia, e estarão disponíveis no início do segundo semestre. A cultivar chega no primeiro ano de lançamento já com oferta de sementes para os produtores.

A BRS Carinás estará exposta nas Vitrines Vivas de Tecnologias da Embrapa durante a Feira Brasil na Mesa.

Foto: Allan Kardec Ramos

 

db55b928-dfc4-25f6-a265-2b576559a8d7?t=1776858070549&profile=RESIZE_710xNovos feijões atendem demandas da cadeia produtiva

Alto potencial produtivo, qualidade comercial e redução de riscos sanitários, com reflexos diretos em abastecimento, previsibilidade de oferta e renda, são atributos de quatro novas cultivares de feijão desenvolvidas pela Embrapa Arroz e Feijão (GO).  Elas atendem a demandas dos elos da cadeia produtiva —  dos agricultores aos consumidores — e a especificidades dos diversos sistemas de produção, menos e mais tecnificados.

São elas:

Feijão BRS FP327

A BRS FP327 é uma cultivar de feijão-comum do grupo comercial preto. Apresenta ciclo semiprecoce (75 a 84 dias), alta produtividade e rendimento de peneira, grãos graúdos, resistência moderada à ferrugem, antracnose e murcha de fusário, e resistência intermediária às podridões radiculares.

É voltada a produtores que buscam retorno rápido e eficiência de manejo. Em termos de sistema produtivo, a precocidade pode significar melhor encaixe em janelas mais curtas, resposta mais ágil ao mercado e, em alguns casos, menor exposição a períodos críticos de clima e a picos de pressão de pragas e doenças.

Feijão BRS FP426

Também uma cultivar de feijão-comum do grupo comercial preto, a BRS FP426, de grão graúdo e ciclo normal, apresenta alta produtividade e resistência à murcha de fusário, além de bom rendimento de peneira.

É descrita como uma cultivar voltada à segurança agronômica e à estabilidade produtiva, especialmente para áreas de risco sanitário — como solos com histórico de doenças e ambientes irrigados por pivô central. Em regiões onde a pressão de doenças e o risco de perdas são maiores, o objetivo é reduzir a chance de frustração de safra e trazer previsibilidade à colheita, fator que pesa tanto na decisão do produtor quanto no planejamento de compra e processamento.

Feijão BRS ELO FC424

A BRS ELO FC424, cultivar de feijão-comum carioca, de porte ereto, apresenta alta produtividade (2.496 kg ha-1) e excelente qualidade comercial dos grãos quanto à coloração, uniformidade e rendimento de peneiras.

Além disso, tem resistência intermediária a várias doenças, como podridões radiculares, murcha de Fusarium e antracnose, e resistência moderada à mancha-angular. Essa cultivar contribui para a redução do uso de defensivos agrícolas, o que favorece o menor impacto para o meio ambiente e para a saúde humana, e a maior sustentabilidade da produção agrícola.

É apresentada com foco inicial na Região Sul e possibilidade de expansão para o Centro-Oeste e o Nordeste. O destaque é o desempenho produtivo, aspecto sensível em sistemas que precisam diluir custos crescentes de insumos e operações.

Feijão BRS ELO FC429

Outra cultivar de feijão-comum carioca, a BRS ELO FC429 — de arquitetura ereta, com grãos de coloração bege clara e rajas marrom — mira uma demanda de maior valor agregado no feijão carioca: o escurecimento lento dos grãos. Na prática, isso tende a ampliar a flexibilidade de venda do agricultor, que passa a contar com mais tempo para escolher o melhor momento de comercialização, e a aumentar o tempo de prateleira, com potencial de reduzir perdas e pressão logística. A expectativa é de um grão que mantém por mais tempo o padrão comercial, o que pode influenciar preço e aceitação no varejo.

A cultivar se adapta a diferentes regiões produtoras (Central, Centro-Sul e Nordeste do Brasil). Suas resistências moderada à murcha de Fusarium e intermediária à mancha-angular e à murcha de Curtobacterium as elegem capaz de contribuir para a redução do uso de defensivos agrícolas, com benefícios para o meio ambiente e saúde humana.  

Imagem: Hélio Magalhães

 

 

6d862bdb-5ec0-83b6-67cf-7d29a9e1ef69?t=1775161036273&profile=RESIZE_710xSoja BRS 579 alia produtividade e controle de plantas daninhas

A cultivar de soja BRS 579 alia alto potencial produtivo à alternativa para o manejo de plantas daninhas em sistemas convencionais de cultivo. É indicada para produtores do centro-norte de Mato Grosso que buscam cultivares de ciclo médio a tardio. A cultivar se destaca pela sanidade, com moderada tolerância ao nematoide de galha (Meloidogyne javanica) e resistência às raças 3 e 14 do nematoide de cisto da soja, importantes patógenos na região de cultivo. Resulta de parceria entra a Embrapa Soja (PR) e a Caramuru Alimentos.

A BRS 579 possui também a tecnologia STS (Soja Tolerante às Sulfonilureias). As sulfoniluréias são um grupo químico de herbicidas inibidores da enzima ALS (acetolactato sintase). Herbicidas dessa categoria já são registrados e utilizados na soja com restrições, especialmente de dose, pois podem provocar fitotoxicidade para a cultura, o que não ocorre para as cultivares de soja STS, como a BRS 579.

A fitotoxicidade é um dano que um herbicida causa na soja. Pode ocorrer devido a diversos fatores, como erro de dosagem, condições climáticas adversas, estresse das plantas, entre outros. Entre os prejuízos possíveis, estão: amarelecimento, necrose, deformações e atraso no crescimento da planta

A tecnologia STS funciona como um "escudo genético". Enquanto a soja pode sofrer severas perdas de produtividade ao entrar em contato com herbicidas do grupo das sulfoniluréias, as variedades STS possuem tolerância natural a essas moléculas. O grande diferencial da soja STS é oferecer alternativa ao uso exclusivo do glifosato, principal herbicida utilizado nas cultivares transgênicas que estão no mercado. A tecnologia possibilita o controle eficaz de plantas de difícil manejo e resistentes a outros produtos no campo, mantendo o vigor e o crescimento inalterados enquanto garante alta produtividade. 

Foto: RR Rufino

 

dcc7cfa7-9b1d-813a-d997-a3878b37694c?t=1776859483379&profile=RESIZE_710xHíbrido de sorgo forrageiro BRS 662, um gigante chega ao mercado

A nova cultivar de sorgo forrageiro gigante BRS 662 (nome comercial LAS6002F) se destaca por sua precocidade e estabilidade na produção de forragem em plantios na primeira e na segunda safra, com desempenho consistente em diferentes condições de cultivo. É resultado da parceria entre a Embrapa Milho e Sorgo (MG) e a empresa Latina Seeds.

A altura média da planta é de 4 a 5 metros e a coloração dos grãos, marrom.

A cultivar apresenta ótima tolerância ao acamamento/tombamento, característica fundamental para essa categoria de híbridos de porte alto. Apresenta sanidade muito boa em relação a doenças fúngicas severas, como a antracnose, a helmintosporiose e a cercosporiose, que estão entre as piores ameaças a essa cultura no País.

Além disso, o sorgo BRS 662 apresenta potencial de produtividade de forragem superior a 80 toneladas por hectare com apenas um corte, em ciclo de até 125 dias. O híbrido também se destaca pela elevada capacidade de rebrota, que pode alcançar até 60% da produção obtida na primeira safra.

O novo híbrido produz forragem de qualidade, rica em celulose e hemicelulose (segundo carboidrato mais abundante na parede celular vegetal, depois da celulose), associada a baixos teores de lignina. Está apto para múltiplos usos, como forragem para alimentação animal, produção de biogás e cogeração de energia com baixo custo de produção.

O sorgo é recomendado para cultivo nas principais regiões produtoras do sorgo forrageiro. São elas o Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e o Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo).

 

Foto: Latina Seeds

 

Edição: Assessoria de Comunicação. Textos de:

Diva Gonçalves
Embrapa Agroindústria Tropical

Dalizia Aguiar
Embrapa Gado de Corte

Juliana Miura
Embrapa Cerrados

Hélio Magalhães
Embrapa Arroz e Feijão

Lebna Landgraf
Embrapa Soja

Sandra Brito
Embrapa Milho e Sorgo

 
 

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

 

 

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