Sistemas integrados de produção, tecnologias para manejo sustentável de pastagens, recuperação de áreas degradadas e alternativas para mitigação de emissões de gases de efeito estufa foram temas abordados no VII Simpósio de Tecnologias Aplicadas à Pecuária do Semiárido ECOARIDO, realizado entre 15 e 17 de setembro, em Sobral (CE). O evento, promovido pela Embrapa, Universidade Federal do Ceará (UFC) e Banco do Nordeste, contou com a participação de pesquisadores e professores de diversas universidades e instituições de pesquisa brasileiras.
A programação técnica, realizada na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), incluiu painéis sobre monitoramento do solo, emissões de gases de efeito estufa (GEE) e gestão de recursos hídricos. No painel sobre sensoriamento remoto, Alexandre Berndt, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, apresentou dados relativos ao sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Estudos indicaram que a inclusão de 25 árvores no sistema pode neutralizar a emissão de gases referente a um novilho, enquanto a inserção de 42 árvores é capaz de compensar à emissão de uma vaca.
Em painel sobre mitigação de emissões, Roberto Giolo, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, apresentou resultados sobre a remoção de até 11 toneladas de gás carbônico por hectare em pastagens sob manejo intensificado e integrado. Na área de nutrição animal, Marco Bomfim, pesquisador da Embrapa Maranhão, informou que uma pesquisa de manejo nutricional com grãos e silagem reduziu o ciclo de abate de novilhos de 48 para 18 meses em áreas de estudo na Amazônia, associado a uma redução de até 73% na emissão acumulada de metano ao longo do ciclo do animal.
Paulo Carvalho, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), apresentou o conceito de pastoreio rotatínuo, em que se aumenta intensificação de processos naturais por meio do pastejo. Ele destacou que um manejo de pasto mais eficiente pode resultar em menor impacto ambiental e apresentou resultado de projeto de pesquisa com bovinos leiteiros, em que, ao favorecer a diversificação sustentável, se obteve mais eficiência de produção por quilo de ração, diminuindo também a necessidade de silagem e de ração concentrada.
Manejo e recuperação de pastagens
A mensuração da degradação de pastagens na Caatinga foi abordada por Sandra Santos, pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste. A análise considera que a criação de indicadores de mensuração no bioma deve levar em conta a resiliência à seca, a conectividade da vegetação e a sobrevivência de espécies endêmicas no ecossistema. Rodrigo Gregório, professor do Instituto Federal do Ceará (IFCE), tratou do comportamento de sistemas adaptativos na Caatinga, enquanto Thieres George da Silva, professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), abordou os dados de monitoramento ambiental no Semiárido.
Daniel Casagrande, professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), demonstrou, com base em resultados de projeto, que a definição de uma janela ideal de colheita reduziu o custo de produção de sementes em até 66%, caindo de R$ 450/kg, no método convencional, para R$ 150/kg. Henrique Antunes, pesquisador da Embrapa Meio-Norte, detalhou experimentos de manejo do solo focados na ciclagem de nutrientes e no incremento de matéria orgânica.
Gestão hídrica e sensoriamento
No painel de gestão hídrica na Caatinga, Débora Souza, professora da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), apresentou parâmetros para o cálculo da pegada hídrica na ovinocultura e caprinocultura. Segundo ela, pesquisas mostram que mudanças no manejo como a inclusão de palma forrageira na dieta podem reduzir consumo de água de caprinos e ovinos nos bebedouros: pesquisas apontam que, com este incremento na dieta, essa redução pode passar de 3,25 litros por dia para 0,44 por dia.
Iago Alvarenga, pesquisador da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), tratou de métodos de tempo de irrigação e dados climáticos. Igor Bretas, pesquisador da Embrapa Meio-Norte, abordou o uso de drones, satélites e algoritmos no monitoramento de lavouras, citando projetos com identificação remota de plantas daninhas que resultaram na redução de 40% no volume de herbicidas aplicados.
Integração regional
Para o professor José Neuman Neiva (Universidade Federal do Norte do Tocantins), o Semiárido precisa se integrar a outros biomas e territórios no país. Para Neuman, é necessária uma integração do Semiárido com o Matopiba, fronteira agrícola que fez com que a produção de milho e soja no Nordeste brasileiro crescesse no percentual de 412,8% entre os anos de 2005 e 2025.
Programação prática e rede de pesquisa
A programação incluiu atividades práticas na sede da Embrapa Caprinos e Ovinos, com a demonstração de indicadores de nutrição, terminação de ovinos, indicadores de desempenho animal e uso de mecanização no sistema ILPF Caatinga. Segundo a organização do evento, o Simpósio promoveu o intercâmbio técnico entre pesquisadores, estudantes e instituições envolvidas com a produção agropecuária na região do Semiárido.
Reportagem produzida com uso parcial de ferramentas de Inteligência Artificial
Mais informações sobre o tema
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