São cerca de cinco milhões de propriedades rurais no Brasil. Dessas, quatro milhões, aproximadamente, são de agricultura familiar, 1.200 de assentados da reforma agrária. A importância de tornar o conhecimento gerado pela pesquisa agropecuária e os benefícios de políticas públicas mais acessíveis aos agricultores que respondem por essa expressiva parcela de propriedades rurais esteve em evidência no painel "Soluções Digitais em apoio à Ater" (assistência técnica e extensão rural), que ocorreu neste 25 de abril, último dia da Feira Brasil na Mesa, evento promovido pela Embrapa, em Planaltina (DF).
As estratégias passam pelo fortalecimento da rede de assistência técnica e extensão rural, o que inclui a capacitação dos seus agentes, e a integração e o diálogo entre políticas e atores públicos, no sentido de que o País possa construir sistemas alimentares cada vez mais resilientes, sustentáveis e inclusivos, como sinalizado pela diretora de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa e moderadora do painel, Ana Euler, na abertura do evento. Nesse contexto, a iniciativa Minha Ater Digital, lançada na abertura da Feira, no dia 23, foi destaque.
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Ana Euler (foto à esquerda) mencionou a trajetória dos últimos três anos da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), de cuja diretoria é também membro. Citou o crescimento no número de órgãos e entidades executores de Ater credenciados, que passou de 268 para 580, e as 45 mil famílias com acesso à extensão, para mostrar a ampliação da capilaridade e a diversidade dos serviços prestados pela entidade
“É o suficiente?”, indagou a diretora, enfatizando a necessidade de outras frentes como a de levar o conhecimento de forma mais rápida, enfrentando o desafio da inclusão digital. “Temos consciência das dificuldades de conectividade e letramento digital ainda presentes no seio da agricultura familiar e nas comunidades tradicionais. Mas, se não começarmos agora, o vácuo que existe entre as condições favoráveis à pequena e à grande produção só irá aumentar. Daí a importância do que hoje está sendo construído em conjunto pelos diversos ministérios e entidades, no sentido da maior conectividade e letramento digital no campo”, disse Ana Euler.
Minha Ater Digital
André Gonçalves, coordenador de Suporte e Tecnologia da Anater, falou sobre o processo de desenvolvimento e design da Minha Ater Digital, interface integrada ao gov.br voltada à transformação digital da agricultura familiar e dos povos e comunidades tradicionais. A interface resulta da parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA); a Anater; o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), e a Embrapa.
O coordenador apresentou experiências de navegação na interface e serviços nela disponíveis, com ênfase nas trilhas de aprendizado e nas plataformas integradas à interface, que, além do e-Campo e Ater+Digital, inclui o Mecaniza, o Zarc e o Agritempo.
Francielle Rodrigues Silva, assessora da presidência da Anater, representando a presidente da Agência, Loroana Santana, falou que a entidade vem intensificando sua atuação em programas estratégicos voltados à inclusão produtiva e ao fortalecimento da agricultura familiar. Destacou a execução de contratos relevantes como o Ater Mulheres, o Ater Bolsa Verde, iniciativas que ampliam o acesso à assistência técnica qualificada para públicos prioritários em todo o País, e o avanço da Anater no processo de inovação e transformação digital.
Segundo Francielle, a instituição atravessa uma fase de modernização tecnológica com o objetivo de aumentar a eficiência dos serviços prestados e qualificar a gestão das informações. Nesse contexto, ganha protagonismo o Sistema de Gestão da Assistência Técnica e Extensão Rural (SGA), que está sendo aprimorado para substituir práticas tradicionais ainda baseadas em papel. Historicamente, técnicos registravam manualmente as informações das visitas de campo, o que demandava tempo e dificultava a consolidação dos dados.
Com a implementação do SGA Móvel, esses registros passam a ser realizados de forma digital, por meio de aplicativo, permitindo maior agilidade, precisão e integração das informações em tempo real.
A expectativa é que a ferramenta contribua para otimizar o trabalho dos profissionais de Ater, reduzir custos operacionais e melhorar o monitoramento das ações em campo, como reforçado pelo gestor de contratos da Anater, Antônio César, que apresentou o SGA Móvel. “A iniciativa gera um banco de dados mais seguro”, frisou o gestor.
Diálogo
O coordenador de Parcerias do Cadastro Ambiental Rural (CAR), da Secretaria Extraordinária para a Transformação do Estado do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Cassio Trovatto, ressaltou que existem áreas e iniciativas do governo federal que podem dialogar e contribuir de forma positiva no processo de geração de políticas públicas e democratização do acesso dos cidadãos a informações.
Citou, como exemplo, o gov.br como um grande guarda-chuva desse processo. “Mas por debaixo do gov.br existem muitas políticas públicas que já começam a ter direção. O cidadão e a cidadã já começam a perceber que há uma estrutura de governo que os identifica e permite acesso qualificado e de forma rápida a cada uma dessas políticas”.
Trovatto falou sobre a preocupação em ampliar a conectividade no meio rural, em como avançar no letramento digital. Mencionou o Cadastro Ambiental Rural (CAR) como ferramenta de apoio fundamental, situando-a na linha de frente no processo de estruturar o campo brasileiro. Referiu-se à Minha Ater Digital como um marco das possibilidades de o MGI, junto com parceiros, se juntar aos esforços de democratização de informações e acesso a políticas, citando o crédito rural. O MGI vem atuando na modernização, digitalização e simplificação dos documentos necessários para que produtores rurais acessem financiamentos.
Desatacou ainda o Meu Imóvel Rural, aplicativo lançado pelo governo federal, que reúne em um único ambiente, também com login gov.br, informações e documentos de imóveis rurais. O aplicativo foi desenvolvido pelo MGI em parceria com o Dataprev.
A diretora Ana Euler lembrou que 175 milhões de brasileiros estão hoje no gov.br e confiam no sistema. “É um sistema de inclusão. Há seis meses não havia nem 50 mil produtores cadastrados no Meu Imóvel Rural. Hoje, são 400 mil. Eh a ideia da interoperabilidade, de como é que todas essas plataformas podem se conectar".
Marita Cardillo
Assessoria de Comunicação
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