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Novas soluções tecnológicas e os cenários para a produção dos leites caprino e ovino foram os principais temas de debate no XX Workshop Produção de Caprinos na Região da Mata Atlântica, promovido pela Embrapa e instituições parceiras, no dia 3 de julho, em Coronel Pacheco (MG). Em destaque, resultados de pesquisa sobre a produção de lácteos, orientações técnicas para um manejo que potencialize a produção leiteira e questões sobre regulação de laticínios e análise de qualidade do leite.

A diversidade de produtos derivados do leite de cabra foi destacada pela pesquisadora Karina Santos, da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), que apresentou o portifólio de tecnologias da empresa que possibilitaram a parceiros o desenvolvimento de queijos, iogurtes e outros lácteos. Segundo Karina, há possibilidades de ampliação para o mercado dos derivados do leite caprino, com a adoção de boas práticas agropecuárias e de fabricação por parte de produtores rurais e laticínios.

“A gente vê um potencial de ampliação do mercado, que vai permitir agregação de valor e remuneração para toda a cadeia produtiva. Creio que ainda é necessária a divulgação das propriedades do leite caprino como uma matéria-prima adequada para benefícios à saúde, gerando alimentos funcionais que são tendência de consumo”, ressaltou a pesquisadora.

Nos paineis temáticos do Workshop, foram apresentadas palestras que abordaram soluções tecnológicas e orientações de manejo para caprinocultura e ovinocultura leiteiras, abrangendo temas como forragicultura, sanidade animal, gestão da produção e melhoramento genético. A professora Janaína Martuscello (Universidade Federal de São João D'El Rei - UFSJ) falou sobre oportunidades de uso de novas forrageiras para caprinos e ovinos, com destaque para capim tanzânia, a brachiaria híbrida cv. Mulato II e a cultivar BRS Tamani. Ela chamou atenção para a necessidade de compreender a relação entre comportamento dos animais e manejo das pastagens

“Ovinos e caprinos são animais altamente seletivos e a estrutura do pasto interfere no comportamento ingestivo. Animais submetidos a baixa oferta de forragem vão passar muito tempo pastejando e menos tempo produzindo. Altas ofertas também não significam adequação de consumo, porque pode haver muita fibra no capim”, exemplificou ela.

Os desafios para aplicação e adequação de medicamentos para caprinos e ovinos foram abordados pela professora Bárbara Alves (Universidade Federal de Lavras - UFLA), que ressaltou uma escassez de produtos mais específicos para estas espécies no mercado. Essas lacunas afetam as escolhas de medicamentos para pequenos ruminantes? Pesquisadores já se debruçaram sobre isso e levantaram dados objetivos a respeito. "E a resposta é que sim. Se eu não tenho devido direcionamento, eu uso o que eu quiser”, alertou ela.

A temática de gestão da propriedade rural foi abordada pelo professor Rafael Leite (UFSJ), que enfatizou a importância de análise de dados para tomada de decisão, a partir de um estudo de caso no Capril Triqueda, em que foi possível desenvolver um modelo a partir de informações sobre indicadores como produção de leite e etapas de lactação.

“A propriedade rural é mais que terra e animais, é um ativo que precisa gerar valor. O produtor tem uma série de demandas do dia-a-dia que vão gerar complexidade. E para dar conta dessa complexidade é necessário que a gente faça uma gestão contínua de indicadores, que vão ser importantes para a tomada de decisão”, ressaltou ele.

O zootecnista Luis Portilla, do Instituto Tecnológico de Monterey- México, compartilhou suas experiências sobre avaliação morfológica e sua relação com o melhoramento genético no tratamento com rebanhos em diversos países do mundo. “A seleção não visa apenas produzir animais visualmente atraentes: o objetivo é produzir animais anatomicamente equilibrados em toda a sua estrutura e livres de defeitos que possam prejudicar a produtividade ou comprometer o bem-estar animal. Esse processo é aliado à seleção para produtividade, a fim de identificar indivíduos com características hereditárias acima da média. Tudo isso é sustentado por um programa sanitário e por uma dieta que atende às suas necessidades nutricionais e hídricas”, destacou ele.

Regulação de laticínios e análises de qualidade do leite

As normativas técnicas e desafios para regulação de laticínios foram tema da apresentação de Thamara Fernandes, da consultoria AjusteCon, que ressaltou aspectos sobre instalações, layout das agroindústrias para beneficiamento do leite e selos de inspeção necessários. “A regulamentação não é um obstáculo ao desenvolvimento, é o caminho para produzir alimentos mais seguros e construir empreendimentos sustentáveis. Quem se registra, tem muito mais chance de crescer, de fornecer para outros mercados, sem contar com a garantia da produção do alimento seguro, a certeza de que está produzindo algo que as pessoas podem consumir com tranquilidade”, enfatizou Thamara.

A professora Cláudia Penna (UFMG) apresentou dados para atualização técnica sobre análises da composição do leite de cabra em laboratório da Rede Brasileira de Qualidade do Leite (RBQL), em comparação com as análises de leite bovino. De acordo com ela, a implementação de programas de monitoramento de qualidade do leite de cabra junto à RBQL deve considerar um emprego de calibração específica para a espécie. “Isso pode contribuir para melhor interpretação sobre a qualidade da matéria-prima e promover bonificação mais justa por qualidade. Os resultados podem trazer um norte interessante para que a gente monitore de maneira eficiente a qualidade do leite de cabra”, frisou ela.

Na avaliação do pesquisador Jeferson Fonseca, do Núcleo Sudeste da Embrapa Caprinos e Ovinos (sediado na Embrapa Gado de Leite), a realização da 20ª edição do Workshop evidencia sua consolidação como fórum de discussões técnicas sobre a produção de leite de pequenos ruminantes. “O evento tornou-se um espaço vital para discussões técnicas essenciais do setor, fortalecidas pela programação da Embrapa e parceiros, conectando diretamente produtores, pesquisadores e o mercado”, afirmou ele. Além da programação técnica no dia 3, o Workshop também trouxe, em sua programação o Circuito de Serras e Cabras da Mata Atlântica no dia 4 de julho, com visitas dos participantes a propriedades rurais para conferir experiências de produção na caprinocultura leiteira.

Com contribuição de Eduarda Rocha, bolsista do NCO da Embrapa Gado de Leite

Adilson Nóbrega (MTB/CE 01269 JP)
Embrapa Caprinos e Ovinos
Contatos para a imprensa: caprinos-e-ovinos.imprensa@embrapa.br
Telefone: (88) 3112.7413

Mais informações sobre o tema
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