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Os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) emitem menos óxido nitroso (N2O), um importante gás de efeito estufa (GEE), quando comparados a lavouras em sistema de plantio convencional. Foi o que constatou um estudo conduzido na Embrapa Cerrados (DF) que também detalha como isso ocorre. A pesquisa destaca que o uso de gramíneas forrageiras, que aportam matéria orgânica e aprofundam raízes no perfil do solo, influencia esse processo, assim como a presença de maiores volumes de agregados do solo com maiores diâmetros.

Entre as explicações para esse resultado, os cientistas observaram que as braquiárias, forrageiras plantadas para alimentar o gado, depositam matéria orgânica mais difícil de ser degradada e, além disso, a ILP proporciona solos com agregados maiores. Com mais carbono e nitrogênio acumulados nessas partículas, a matéria orgânica presente é protegida da decomposição feita pela microbiota, os microrganismos que habitam o solo.

“A tecnologia permite, em uma mesma área, produzir mais e em menor tempo (no caso dos animais) e esses fatores reduzem a intensidade de emissões, ou seja, emitimos menos gases de efeito estufa por quilo de alimento produzido”, detalha o pesquisador da Embrapa Solos (RJ) Renato Rodrigues, que preside o conselho da Associação Rede ILPF. “A integração ainda promove redução proporcional do uso de nitrogênio em comparação aos sistemas solteiros e gera menos revolvimento da terra, o que reduz as emissões de óxido nitroso”, completa o especialista.

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Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que as emissões de N2O nos sistemas agrícolas são influenciadas por condições edafoclimáticas (solo, clima, vegetação, entre outras), e que a disponibilidade de matéria orgânica do solo (MOS) é um fator chave no processo. O estudo avança na compreensão de como se dá o acúmulo de frações de MOS estáveis e lábeis (menos estáveis) nos solos sob ILP e as possíveis relações com as emissões de N2O. As avaliações foram realizadas em 2015, na área do experimento de longa duração em ILP, iniciado em 1991 na Embrapa Cerrados – o mais antigo do Brasil – sob solo argiloso.

Como foi a pesquisa

O experimento compreende uma área total de 14 hectares (ha). Com dimensões de cerca de um hectare, as parcelas compararam sistemas de lavoura contínua (cultivada em plantio direto e convencional) com sistema integrado de rotação lavoura-pecuária, tendo o capim Brachiaria brizantha BRS Piatã como planta de cobertura. Em todos os três sistemas agrícolas, a espécie forrageira foi introduzida em consórcio com sorgo safrinha cultivado após a soja, visando à comparação das áreas, que receberam o mesmo manejo. Os tratos culturais variaram apenas quanto ao preparo do solo na lavoura contínua sob preparo convencional e à presença dos animais em pastejo no sistema ILP.

“Realizamos esse estudo em um experimento que simula as condições de fazenda, com mecanização em todas as etapas, o que permitiu maior robustez dos dados”, explica o pesquisador da Embrapa Robélio Marchão, atualmente responsável pela área experimental.

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Os cientistas quantificaram as emissões cumulativas de N2O por 146 dias ao longo do ciclo da cultura do sorgo. Uma área remanescente de Cerrado também foi avaliada como referência. As emissões acumuladas foram maiores no início do ciclo da cultura, em função da fertilização nitrogenada associada à ocorrência de chuvas, com precipitações diárias superiores a 40 mm. “Além disso, a ocorrência de veranicos (períodos sem chuva) na estação chuvosa no Cerrado promove condições de secagem e reumedecimento do solo, o que funciona como uma fonte importante para emissão de N2O em diferentes momentos da estação de crescimento dos cultivos”, explica a pesquisadora Alexsandra de Oliveira.

As maiores emissões acumuladas ao fim dos 146 dias foram observadas na área com lavoura em plantio convencional, com 1,8 kg/ha de N2O, enquanto as emissões da lavoura contínua sob plantio direto representaram metade dessa emissão (0,9 kg/ha). Entre as áreas cultivadas, o sistema ILP foi o que apresentou as menores emissões acumuladas de N2O, com 0,79 kg/ha. Na área de Cerrado, considerada a referência positiva do estudo e onde as emissões diárias estão sempre próximas de zero, a emissão acumulada do período representou apenas 11% da emissão da lavoura em plantio convencional, considerada a referência negativa.

“A decomposição de resíduos da lavoura durante a sucessão de culturas na primeira e na segunda safras (soja e sorgo) e a presença de uma gramínea forrageira com e sem pastejo nos dois sistemas em plantio direto explicam as diferenças nos fluxos de N2O nos diferentes sistemas de manejo analisados”, relata a pesquisadora Arminda de Carvalho.

“As gramíneas forrageiras tropicais, sobretudo as braquiárias, quando encontram solos de fertilidade construída, como é o caso desse estudo, conseguem expressar todo o potencial de desenvolvimento do seu sistema radicular, que tem um importante efeito físico no solo, protegendo a MOS”, completa Marchão.

Cultivo convencional aumentou emissões

A pesquisa também analisou as frações de carbono do solo lábeis e estáveis em duas classes de agregados de solo – os macroagregados, com mais de 0,250 mm de diâmetro, e os microagregados, com menos de 0,250 mm de diâmetro. Nos macroagregados, foram encontradas as maiores proporções de MOS estável.

Os pesquisadores constataram que o cultivo convencional com revolvimento do solo reduziu todas as frações de carbono do solo, diminuiu a proteção física da matéria orgânica e o índice de humificação (formação de húmus) da MOS e, consequentemente, aumentou as emissões de N2O para a atmosfera.

Já o sistema ILP resultou no maior incremento em carbono do solo nas frações mais estáveis de MOS. Para os responsáveis pelo estudo, isso confirma a hipótese de que o acúmulo de carbono e nitrogênio nas frações mais estáveis de MOS, ao oferecer proteção física e química contra a ação de decomposição pela microbiota do solo, resulta em menores emissões de N2O.

“No sistema ILP, a MOS depositada pelas braquiárias é mais estável e mais difícil de ser degradada”, esclarece Marchão. Assim, os pesquisadores constaram que a compreensão do papel das frações de MOS é fundamental na busca pela mitigação dos gases de efeito estufa e na adaptação dos sistemas agrícolas às mudanças climáticas.

Os cientistas concluíram, ainda, que a agregação é um atributo-chave que se correlaciona com os fluxos de N2O dos solos. Eles observaram que sistemas conservacionistas como ILP em plantio direto obtiveram maior diâmetro médio de agregados do solo entre os agroecossistemas analisados. Também constataram que a difusividade do oxigênio no perfil do solo, possibilitada pela formação de agregados, resultou na diminuição da emissão de N2O, o que também explica as menores emissões no sistema ILP.

Para os autores do estudo, os resultados mostram que os sistemas integrados apresentam potencialmente um balanço de carbono positivo, o que torna possível recomendá-los para a intensificação sustentável como alternativa para a mitigação e adaptação das mudanças climáticas.

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Breno Lobato (MTb 9417/MG) 
Embrapa Cerrados 

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SE É DAQUI, NÃO TEM VALOR

Este mês vivenciei dois fatos econômicos, que muito me impactaram. O primeiro, conheci o projeto Moinho Center JK. Não! Não se trata de mais um empreendimento imobiliário. Fico admirado pela forma como está sendo concebido. Não é apenas por articular Saúde, Educação e Habitação de modo inovador, num imóvel simbólico para Juiz de Fora. É pelo cuidado com que o Marcelo Mendonça, que é daqui, encaixa cada peça do projeto. Dá gosto vê-lo envolver líderes e comunidade num empreendimento que vai gerar riqueza para a nossa região.

O segundo foi o Minas Láctea, o maior evento econômico da cidade, que é feito pelo nosso precioso Instituto de Laticínios Cândido Tostes. Hotéis lotados, o Brasil mudou para cá. Ana Valentini, Secretária de Estado da Agricultura, visitou a melhor infraestrutura de entrega de soluções para o leite no mundo tropical, que é a Embrapa. Para recebê-la, estavam presentes os principais líderes empreendedores do Brasil lácteo que, acredite, moram aqui! Eles são presidentes das Associações Brasileiras dos Criadores dos gados Gir e Girolando, além de dirigir a Associação Mineira do Holandês. Evandro Guimaraes, que tamb’em ‘e vice-presidente da ABRALEITE, mora em Leopoldina. Já Odilon de Rezende e Francisco Oliveira, moram em Juiz de Fora. João Lúcio, que mora em Ponte Nova, é dono do Laticínio Porto Alegre e, em Minas, preside o SILEMG, o sindicato dos laticínios, o mais importante do Brasil. Já Tadeu Monteiro e Francisco Frederico, vice-presidentes das Federações da Indústria e da Agricultura de Minas, moram em Juiz de Fora. O empresário rural João Cruz, que é de Muriaé e dirige o Sebrae Minas, participou por meio de um vídeo.

Também estavam presentes Fábio Scarcelli, Nilson Muniz e Guilherme Olinto, respectivamente presidentes da ABIQ, da ABLV e do CONIL, líderes de entidades nacionais, que vieram de São Paulo, por que sabem que a Zona da Mata é o centro do mundo. Sim, somos, no setor de lácteos, que gera R$ 84 bilhões/ano. Já o Jorge Carvalho, que é de Guarani e dono da Vivare, trouxe 76 laticínios de todo o Brasil para nos visitar.

O que buscávamos era mostrar à Secretária de Minas, que a Inteligência do Leite mora aqui. Logo, o futuro do leite passa por aqui. Mas, estes líderes nacionais que moram aqui não existem para quem responde pelo desenvolvimento de Juiz de Fora. A Secretaria municipal desconhece o leite e investe o meu, o seu, o nosso recurso na única proposta que conceberam para desenvolver Juiz de Fora. Samba de uma nota só, jogam todas as fichas no projeto Macaúba, planta que ninguém conhece. Incrível! O futuro de Juiz de Fora e Zona da Mata passa pela macaúba! Afinal, vale o lema: se é daqui, não tem valor!

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CONSTRUIR A FELICIDADE

Quando eu comprar as terras do meu vizinho, serei feliz! Quando eu comprar um trator novo, serei feliz! Quando eu trocar de carro, serei feliz! Acreditamos que somente seremos felizes quando alcançarmos vitórias. Pensando assim, faz sentido uma velha música do Odair José, um cantor brega que fez muito sucesso quando eu era jovem. Ele cantava que “felicidade não existe, o que existe são momentos felizes”. Eu pensava assim, mas há algum tempo, eu mudei minha maneira de pensar. Eu achava que era o sucesso que trazia a felicidade. Mas, descobri que a felicidade é que traz o sucesso! E que felicidade não surge por acaso. Felicidade precisa ser construída! 

Schawn Achor é um professor da Universidade Harvard, dos Estados Unidos. Ele me mostrou que a felicidade vem antes do sucesso. Eu aprendi lendo o seu livro “O jeito Harvard de ser feliz”. Ele fez um experimento com cerca de 1600 pessoas e ficou evidenciado que agir com otimismo, pensar em coisas que trazem o sentimento de felicidade e ter convívio social impacta positivamente no rendimento educacional e na realização de negócios, e não o contrário. Não é o sucesso nos estudos e nos negócios que faz as pessoas se sentirem otimistas, terem amigos e usufruírem de coisas que despertam o sentimento de felicidade.

Uma empresa, a Metlife, decidiu levar esta experiência à sério e resolveu contratar somente vendedores que se mostravam otimistas e comparou o desempenho deles com os demais. Em um ano, o rendimento dos otimistas contratados foi 19% superior que os demais vendedores. Em dois anos, quando os novos contratados já conheciam melhor o negócio, o rendimento deles foi 57% superior. Isso nos leva a concluir que Inteligência e conhecimento são menos importantes para se alcançar o sucesso. O importante é ser otimista, criar redes de relacionamento e saber lidar com as pressões, o estresse. Tenho 34 anos como professor e faço uma revelação: ser o primeiro da turma não garante o sucesso. Ao contrário, torna o sucesso profissional mais difícil.

É necessário estar comprometido em construir a felicidade. Ela não nasce pronta nem aparece de repente. Para construí-la, basta seguir quatro regras de ouro. A primeira regra é moldar como o nosso cérebro entende o mundo. É preciso pensar em coisas positivas e ter hábitos positivos. Cultivar a gratidão, um sentimento tão escasso nos dias de hoje, é algo fundamental para se sentir feliz. Fazer exercícios físicos também. A segunda regra é assumir que viver é correr risco sempre, e em cada ameaça que surge nas nossas vidas, tem um ensinamento a ser aprendido e uma oportunidade a ser exercitada. Portanto, as ameaças precisam ser encaradas como oportunidades de crescimento. O medo paralisa e deprime. Encarar o novo com curiosidade faz a caminhada atrativa e prepara a alma para surpresas. A terceira regra é manter relações com os amigos, cultivar pessoas. Não troque trabalho por amigos. Trabalhe muito e viva com os amigos. Acredite, é possível conciliar amigos e trabalho!

A quarta regra é a dos 20 segundos. Se você tem um hábito que sabe que não é saudável, mas não consegue evitá-lo, trabalhe para sabotar seu cérebro. Encontre uma forma de atrasar a sua ação neste caso, sempre em 20 segundos. Por exemplo, se você sabe que tem dedicado muito do seu tempo em ver televisão, obrigue-se a colocar as pilhas no controle remoto toda vez que for usá-lo. Se você passa boa parte do seu dia interagindo com as redes sociais, obrigue-se sempre a entrar com login e senha toda vez que for se conectar. Assim, a vontade passa...

Quem é produtor de leite reúne motivos para ser feliz e por isso a atividade é tão apaixonante. Ver uma bezerrinha nascer, crescer e se tornar vaca é algo que por si traz felicidade. Talvez a vaca seja o animal que mais desperte o sentimento de felicidade. Todos, ao longo da vida, conhecemos pelo menos uma vaca com o codinome de mimosa. Mas, nunca vi um cachorro ou cachorra com este codinome. Produzir leite é ver o ciclo da vida se renovar diante de si a cada momento. E isso desperta o sentimento de felicidade.

Mas, é fácil construir a infelicidade e o insucesso. Um produtor de leite tem muito capital acumulado na propriedade. Se somarmos apenas o valor do rebanho dos produtores de um laticínio, só isso vale mais que o próprio laticínio. Logo, o produtor precisa fazer gestão como fazem os ricos, ou seja, sem desperdício. Rico não rasga dinheiro. Desperdício é hábito de pobre. Também, é bobagem esperar retorno econômico rápido no leite. Então, quem está na atividade tem de pensar no melhor. Já falar mal do leite como negócio é um ótimo caminho para estimular os filhos a ir embora da propriedade e não querer usufruir de todo o capital que eles terão disponível, por herança.  

Acredite que a felicidade vem antes do sucesso. Treine seu cérebro para ser otimista. Cultive gratidão. Caia para cima e não desista. Fortaleça suas relações com pessoas e conte até 20. Assim, você estará construindo a sua felicidade.

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EM 50 ANOS

                No primeiro dia deste mês foi comemorado o Dia Mundial do Leite, uma data criada pela FAO, a entidade da Organização das Nações Unidas que cuida de assuntos relacionados à agricultura e à alimentação. O propósito foi universalizar uma data tradicional em vários países da Europa, que instituíram dias nacionais de comemoração visando estimular o consumo de leite e derivados. Nesta data, no mundo todo, órgãos de governo ligados à saúde e nutrição e as entidades de representação de classe promovem campanhas de esclarecimento sobre o valor nutricional do leite, buscando estimular o consumo. Neste ano, não foi diferente. Mas, nem sempre foi assim. Afinal, faz pouco tempo que é possível entre nós estimular o consumo deste produto.

                A trajetória do leite no Brasil permite entender bastante as transformações econômicas e sociais que ocorreram no nosso país nos últimos cinquenta anos. Em 1969, o brasileiro consumia, em média, 79 litros de leite e derivados por ano. Mas, cerca de nove litros por habitante deste total chegavam à mesa de cada brasileiro por meio da importação, na forma de leite em pó, a preços muito baixos, pois eram subsidiados, vindos da Europa. Também havia leite que chegava por meio de programas de doação do Governo Americano para programas sociais. Quando eu era pequeno, na faixa etária de dez anos, eu tomava leite na minha escola, doado pelos americanos. Nestes cinquenta anos, todavia, a população brasileira mais do que dobrou (cresce em 133%), o consumo por habitante dobrou e as crianças em escolas brasileiras não mais precisam tomar leite americano ou europeu.

                Em cinquenta anos, outras mudanças ocorreram. Naquela época, a principal região produtora de leite era a Zona da Mata de Minas Gerais, que produzia cerca de 4% da produção total do Brasil. Se esta proporção tivesse se mantido, a Zona da Mata produziria hoje mais do que o Estado de São Paulo e perderia posição apenas para Minas Gerais, Goiás e os três estados do Sul. E teria uma produção equivalente à do Uruguai. Mas, hoje o cenário é outro... em 50 anos o leite e toda a agricultura brasileira migrou para o então imprestável bioma do Cerrado. Com a tecnologia gerada pela Embrapa e universidades, que fez do Brasil o único país agrícola no mundo tropical, Goiás se despontou como o Estado do Leite nos anos noventa. Mas, perdeu esta condição décadas depois, para os três estados da Região Sul, por fatores extra porteira.

                Há cinquenta anos o desafio era fazer uma vaca manter uma média de 6 litros de leite produzidos por dia. Diziam que o rebanho brasileiro era de dupla aptidão, ou seja, com condições de produzir leite e carne. Que nada! Na verdade, neste tipo de sistema de produção a vaca comia o que tinha de verde disponível e um pouco de farelo de trigo importado, com preços absurdamente subsidiados. Já os preços ao produtor e consumidor eram muito elevados, dada a escassez de leite. Afinal, o que dá valor a um bem não é a sua utilidade, mas a sua escassez, ensina a teoria econômica. Tomar leite era caro e raro para a maioria da população.

                 A indústria de laticínios era muito pouco diversificada e explorava mercados de amplitude regionais. Predominavam as cooperativas, que detinham 70% do mercado, principalmente nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Bancos Gerais e o Rio de Janeiro, em que grandes centrais cooperativistas lideravam. Já o Nordeste era dependente do leite que vinha dos estados do Sul e do Sudeste. Numa época em que o Brasil não tinha caminhões especializados em transporte de frios, o leite em pó era para as famílias a única forma de ingerir leite fluido. Somente nos anos oitenta o leite naturalmente fluido chegou às mesas da família nordestina, quando o tipo longa vida” encurtou distâncias e tornou próximo Goiás do Ceará e o Rio Grande do Sul do Amazonas. Rondônia, o Estado que hoje é importante no leite e no café, ainda não tinha despertado para estas estas saborosas e rentáveis vocações.

                Em cinquenta anos, fizemos uma transformação radical. Sepultamos a expressão “tirador de leite”. Acabamos com o comércio formal da carrocinha de leite. Criamos raças genuinamente brasileiras, como a Gir Leiteiro e a Girolanda. Criamos variedades de forrageiras totalmente adaptadas às condições climáticas, no qual o Capiaçu é um exemplo que confirma o sucesso do programa de melhoramento vegetal da Embrapa. Nossas empresas de laticínios tornaram-se nacionais e desenvolvemos uma das cadeias logísticas de frios das mais sofisticadas do mundo. Conseguimos nos inserir no ambiente da genômica e melhoramos a acurácia preditiva do que se refere à condição dos nossos touros serem portadores de ganhos de produtividade em suas descendentes. E somos a cadeia produtiva com o ecossistema de inovação digital mais consolidado do agronegócio brasileiro.

                Transformamos quase tudo. Faltam, ainda, vencer dois desafios: melhorar a qualidade do leite e a gestão. Sem isso, não seremos eficientes, nem competitivos. Sem isso, não mudamos de patamar.

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A NOVA MINAS GERAIS

No mês passado estive nos municípios de Três Passos e Campo Novo, a 50 km da fronteira com a Argentina, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Viajei a convite da Cotricampo, uma cooperativa que tem o maior moinho de trigo do Brasil e que não capta nem processa leite. Ela está focada em grãos. Mas, cerca de 80% dos seus cooperados produzem leite. Uma parte razoável é apenas produtor de leite. São aqueles que tem pouca terra e não conseguem mais acompanhar as exigências de crescentes investimentos em grandes maquinarias que os grãos apresentam.
 
Este fenômeno de cooperativas de grãos, suínos e aves serem arrastadas para o leite já ocorre há mais de vinte anos, na região Sul. Vale lembrar que a cooperativa catarinense Aurora, na origem, tinha na proteína animal o seu negócio. Para apoiar os seus cooperados que iam trocando de atividade, na comercialização chegou a ter mais de 1 milhão de litros de leite/dia, antes de decidir processar o leite produzido por seus cooperados. O mesmo vale para a Frimesa.
 
Três Passos e Campo Novo são municípios agrícolas, mas com – IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 0,822 e 0,736. Portanto, numa escala mundial, são considerados municípios desenvolvidos, de índices Muito Alto e Alto, respectivamente. Para comparação, Juiz de Fora (0,778) e Uberaba (0,772), tem IDH similares. Neste indicador, Três Campos empata Curitiba e Campo Novo empata com Castro, a capital do leite. O IDH classifica uma sociedade em grau de desenvolvimento, combinando os indicadores de renda, educação e longevidade (expectativa de vida ao nascer).
 
O evento reuniu cerca de 400 produtores que vieram com a toda a família. Desde crianças com menos de dez anos, até idosos, com mais de setenta anos. Mas, quase a metade da plateia era formada por jovens leiteiros. Meninos de 15 a 20 anos, filhos de produtores familiares, que se dedicam a cursos profissionalizantes voltados para o agronegócio. Eles estão na fase de ficar em dúvida, se migram para atividades urbanas ou se dedicam ao negócio da família.
 
O presidente da Cotricampo, Gelson Bridi, me agradeceu por ter deixado Minas Gerais e ido até eles. Eu lhes disse que me sentia em casa, pois saí da Minas Gerais tradicional para estar na nova Minas Gerais. E não era retórica. Afinal, o senhor Gelson nasceu em1972, quando os três estados do Sul produziam 23% do leite brasileiro, menos do que Minas Gerais. Agora, já produzem 37%, mais do que a produção total dos estados da região Sudeste do Brasil. Produzem hoje 50% mais do que a produção brasileira de quando o senhor Gelson nasceu.
 
Entre o município gaúcho de Não me Toque, que fica no noroeste do Estado, na região de Passo Fundo, e o município paranaense de Cascavel, que fica no sudoeste do Estado, está a Nova Minas Gerais. Ali já se produz mais leite que este primeiro estado produtor brasileiro, com produtividade três vezes maior que a média nacional e superior à da Argentina, Uruguai, Paraguai e demais estados do Mercosul. Superam neste quesito a Nova Zelândia e países da Europa, como a Irlanda. E, o que é melhor, a um custo altamente competitivo em ternos de mercado internacional.
 
O que fez desta região a nova Minas Gerais? Há um conjunto de fatores. São produtores familiares, que moram na propriedade, em que o casal e os filhos trabalham juntos. Cabe à mulher cuidar dos animais e aos homens cuidar da alimentação e de outras culturas. Os filhos se dedicam ao estudo e ao leite, desde cedo. Boa parte se vincula a cooperativas ou a empresas que prestam serviços de assistência técnica e os prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais buscam apoio neste segmento para se elegerem e, com isso, se comprometem politicamente com a causa do leite.
 
Portanto, as instituições funcionam a favor do leite. É isso que faz Ponta Grossa, Jaguaraíva, Passo Fundo, Toledo e Não me Toque serem municípios com produtividade de leite padrão europeu. Portanto, não estamos falando de produtividade de um rebanho. Estamos falando de produtividade de municípios. E, com um detalhe importante, com baixo custo de captação, dada a densidade por km, pois a produção por propriedade é mais homogênea que na Minas Gerais tradicional.
 
O que mais surpreende é a visão de futuro deles. Em fevereiro, a convite da Coopavel fizemos o dia Ideas For Milk para produtores e empresas, durante o Show rural Coopavel, em Cascavel, no Paraná. Em março, fizemos a semana Ideas For Milk, na Expodireto, em Não Me Toque, no Rio Grande do Sul. Agora, fizemos a palestra Ideas For Milk em Campo Novo. Nos três eventos, Coopavel, Cotrijal/CCGL e Cotricampo criaram condições para se discutir o Leite 4.0, ou seja, o que está acontecendo em termos de automação, empreendedorismo, startups, os novos valores na atividade leiteira. E trouxeram produtores, jovens e seus pais para interagirem conosco, da Embrapa, e com os meninos ganhadores do Ideas For Milk. Esta semana, voltei a Cascavel para falar sobre o mesmo temaÇ Leite 4.0. Nesta região, estão construindo hoje o leite do futuro e o futuro do leite. Esta é a Nova Minas Gerais!
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Cerca de 500 pessoas visitaram um estande com informações sobre Integração Lavoura- Pecuária-Floresta (ILPF), montado próximo à área de camping do Parque Estadual de Ibitipoca, situado na Serra da Mantiqueira, a 250 quilômetro de Belo Horizonte-MG. A visita ocorreu no Dia Nacional de Visitação às Unidade de Conservação, comemorado no dia 21 de julho. Pesquisadores da Embrapa falaram sobre o papel da ILPF na conservação ambiental. Segundo o pesquisador da Embrapa, Carlos Renato de Castro, a ILPF é uma prática recomendada para a zona de amortecimento, que fica no entorno das unidades de conservação.

O estande foi montado pela Embrapa Gado de Leite, com apoio de um grupo de escoteiros de Juiz de Fora e da polícia do meio ambiente de Minas Gerais. A ação fez parte do evento “Um dia no Parque”, criado para comemorar a data. Quem visitou o estande pode interagir com uma maquete de ILPF em realidade aumentada, usando um aplicativo que mostra os efeitos negativos da degradação e as vantagens para a sustentabilidade ambiental do consórcio da lavoura e pecuária com sistemas florestais.

Uma maquete física também esteve à disposição do público. Nela, pode se conhecer as várias áreas de atuação da pesquisa agropecuária em uma unidade de produção de leite. As crianças que visitaram o Parque foram presenteadas com o livro “As Férias de Julho no Sítio da Tia Amélia”, de autoria da pesquisadora da Embrapa, Deise Xavier, para incentivar a leitura e despertar curiosidade sobre a atividade agropecuária e a importância do leite como alimento para o consumo humano. A Embrapa Gado de Leite também coordenou a Passarinhada, uma caminhada pelas trilhas do parque para observação e fotografia de aves na região.

ILPF e Ibitipoca – A integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é uma estratégia de produção sustentável que está se consolidando no Brasil como importante opção para o setor produtivo agropecuário. A tecnologia consiste na diversificação e integração dos diferentes sistemas produtivos (agrícolas, pecuários e florestais) dentro de uma mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotação, de forma que haja benefícios para todas as atividades. A estratégia de ILPF, nas suas diferentes modalidades, está sendo adotada em vários níveis de intensidades nos biomas brasileiros.

O Parque Estadual de Ibitipoca é um parque florestal localizado no município de Lima Duarte-MG. Com uma área de 1 488 hectares, está situado a três quilômetros do distrito de Conceição do Ibitipoca, que se sustenta com o turismo atraído pelo parque. Criado em 4 de julho de 1973, é administrado pelo Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais. O ingresso no parque é pago e a visitação limitada. A área de camping possui infraestrutura de restaurante, lanchonete e banheiros. Os pesquisadores da Embrapa Maria de Fátima Ávila Pires e Carlos Renato de Castro, integram o Conselho Consultivo do Parque. “Existe uma forte ligação da Embrapa Gado do Leite com as comunidades do entorno. Há mais de uma década desenvolvemos atividades de pesquisa e transferência de tecnologia para moradores e produtores daquela região”, lembra Maria de Fátima.

As ações da Embrapa na região começaram com um projeto para despertar o turismo rural, que teve vários desdobramentos, como o monitoramento da água e a disseminação do uso de fossas sépticas, bem como a implantação de fossas em algumas propriedades. A Embrapa também participou de um programa de identificação de plantas medicinais e atuou na implantação de unidades demonstrativas de sistemas silvipastoris. A Empresa apoia ainda as ações de caracterização do queijo artesanal de Ibitipoca.

Rubens Neiva (MTb 5445)
Embrapa Gado de Leite

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Queijo Minas Artesanal: Valorizando a Agroindústria Familiar é o livro organizado pelos pesquisadores Rodrigo Paranhos e Virgínia Martins da Matta, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, que está disponível para ser baixado gratuitamente em https://bit.ly/2XIpLa1. Além dos editores, são coautores Ana Carolina Chaves, Cristina Takeiti, Daniela Freitas de Sá, Marcelo Ciaravolo, Paulo Portes e Roberto Machado.

A obra fornece uma noção abrangente de como este sistema agroalimentar funciona com informações sobre aspectos da tecnologia, ciência, história e cultura dos Queijos Minas Artesanais. Resultado de pesquisa da Embrapa Agroindústria de Alimentos na Microrregião do Serro, composta por 11 municípios das regiões Central e do Rio Doce, em Minas Gerais, o livro também reúne normas para o produto, revisão bibliográfica, as diferentes etapas da produção do queijo e sugere recomendações para o aprimoramento de sua qualidade. “Nesta publicação deu-se ênfase aos dois queijos mais conhecidos, o da Serra da Canastra e o do Serro, registrados como signos distintivos por meio de Indicação de Procedência. Os queijos destas regiões estão carregados de valores histórico-culturais e preservam um “saber fazer” secular, que já foi reconhecido pelo Iphan como patrimônio imaterial brasileiro. O QMA do Serro foi o objeto de estudo do trabalho de campo realizado pela Embrapa. O estudo concentrou-se nas etapas da fase inicial do processamento do queijo, não detalhando as etapas de maturação, embalagem e armazenamento. Apresenta-se aqui um conjunto de recomendações acerca de um produto que enseja polêmicas. Boa parte das informações relativas à produção de QMA serão continuamente validadas e reconfirmadas. Estas polêmicas não estão restritas aos queijos artesanais de Minas ou do Brasil. Existe uma discussão internacional sobre a segurança sanitária dos queijos produzidos a partir de leite cru de diversos países”.

Recomende o livro aos possíveis interessados.

João Eugenio Diaz Rocha (MTb 19276 RJ)
Embrapa Agroindústria de Alimentos

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Aplicativo Zarc - Plantio Certo

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O aplicativo móvel Zarc - Plantio Certo foi desenvolvido para que o produtor possa acessar de forma prática dados do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), e verificar as melhores datas de plantio de 43 culturas no Brasil. Por meio de quatro variáveis: município, tipo de solo, cultura e ciclo da planta, o sistema apresenta a época do ano mais indicada para a semeadura e as taxas associadas de risco de perdas – até 20%, 30% e 40%.

Além de trazer as informações do Zarc, o aplicativo contempla dados disponibilizados pelo sistema Agritempo e pela plataforma AgroAPI Embrapa, oferecendo análises mais detalhadas sobre as condições de armazenamento de água no solo a partir da data de semeadura informada pelo usuário. Também é possível visualizar os dados sobre precipitação, número de dias sem chuvas e as temperaturas mínima e máxima, por decêndios. O aplicativo Zarc - Plantio Certo foi desenvolvido para o sistema operacional Android e está disponível gratuitamente na loja de aplicativos da Embrapa.
Esta solução tecnológica foi desenvolvida pela Embrapa em parceria com outras instituições.

Clique aqui para baixar

fonte: https://www.embrapa.br/informatica-agropecuaria/busca-de-solucoes-tecnologicas/-/produto-servico/6083/aplicativo-zarc---plantio-certo ;

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Novo curso: Controle estratégico do carrapato dos bovinos de leite

A capacitação técnica da Embrapa Gado de Leite, na modalidade a distância, tem como objetivo a transferência de tecnologia e de conhecimentos técnicos de forma interativa e abrangente.


O conteúdo dos cursos é elaborado por técnicos e pesquisadores da Embrapa, com grande conhecimento e vivência prática nos temas, repassando aos alunos o que há de mais recente na área.

A plataforma E@D Leite apresenta o conteúdo de forma dinâmica e possui uma biblioteca virtual com materiais disponíveis para download.

É oferecido o Certificado Digital para os alunos concluintes que obtiverem no mínimo 60% de aproveitamento nas avaliações.

Informações sobre o curso:


Curso de Carrapato: Neste curso você vai aprender sobre o ciclo de vida do carrapato, as recomendações para um controle estratégico, e como proceder para realizar o teste de sensibilidade do carrapato a carrapaticidas. Vai aprender também dez passos que devem ser seguidos para obter sucesso no controle do parasita. 


Período: 07/08/2019 a 09/09/2019

Investimento: R$ 29,90

Vagas limitadas


As inscrições já estão abertas e você poderá obter mais informações no link:

http://ead.cnpgl.embrapa.br

Garanta já sua vaga!

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Embrapa apoia evento que será realizado em Coronel Pacheco, dentro da Cabra Fest. Prazo para inscrições vai até 28/6

A valorização dos produtos artesanais, da produção local e da gastronomia tem levado mais pessoas a experimentarem diferentes tipos de queijos produzidos com leite de cabra e de ovelha. Essa popularização, no entanto, está apenas no início e o mercado busca oportunidades de crescimento. Para estimular a produção, a constante melhoria dos queijos e o consumo, será realizado o 1º Concurso de Queijo de Cabra e Ovelha da Região Sudeste no dia 6 de julho. O evento faz parte da programação da 17ª Cabra Fest, que ocorre entre os dias 5 a 7 em Coronel Pacheco, na Zona da Mata mineira.

O concurso vai avaliar dez categorias. Dentre os queijos de leite de cabra, as categorias são fresco, massa lática temperada, massa lática não temperada, maturação até 30 dias, maturação acima de 30 dias e inovação. Já as categorias de queijo de leite de ovelha irão premiar os tipos fresco massa mole, maturado de 30 a 90 dias, massa temperada e inovação.

O concurso é destinado aos laticínios dos estados do Sudeste - Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo -, onde a Associação dos Produtores de Caprinos e Ovinos de Minas Gerais (Accomig/Caprileite) realiza o controle leiteiro oficial do Capragene®, que é o programa de melhoramento genético de caprinos leiteiros liderado pela Embrapa. Para participar do concurso, é necessário que o produto possua pelo menos um dos selos de inspeção: municipal, estadual ou federal (SIM, SIE ou SIF).

A comissão julgadora será formada por técnicos, especialistas do setor, chefs, jornalistas e referências da gastronomia. As inscrições podem ser feitas até o dia 28 de junho. Clique aqui para conferir o regulamento.

O evento é uma realização da Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos de Minas Gerais (Caprileite/Accomig), em parceria com a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), Embrapa, Prefeitura Municipal de Coronel Pacheco e Associação dos Criadores de Cabras Leiteiras da Zona da Mata Mineira (Caprima).

Aula Show - culinária a base de queijo de cabra

Profissionais, professores e estudantes de gastronomia que ainda estão pouco familiarizados com os queijos de leite de cabra e ovelha terão a oportunidade de conhecer mais sobre essas iguarias e aprender a preparar alguns pratos em uma aula show. O evento será no sábado, 6 de julho, das 9h às 12h. As vagas são limitadas. Clique aqui e faça a inscrição gratuita

Workshop

A Cabra Fest traz ainda o 16º Workshop “Produção de Caprinos na Região da Mata Atlântica”, que reúne os segmentos da cadeia produtiva e conta com palestrantes de destaque do setor no Brasil. O evento ocorre na sexta-feira, 5 de julho, e é voltado para técnicos ligados às ciências agrárias, professores, pesquisadores, estudantes e produtores, especialmente das áreas de caprinocultura e ovinocultura leiteira. Clique aqui para fazer sua inscrição gratuita.

Cabra Fest

A Cabra Fest está em sua 17ª edição, e é a mais tradicional festa da cabra leiteira do estado. O evento foi criado para promover a produção de caprinos e derivados, além de mostrar o potencial do segmento na região.

Além dos eventos técnicos, estão programados para os dias 6 e 7 de julho a noite shows na praça da cidade e, a tarde, um festival gastronômico com pratos feitos com carne de cabrito e queijo de leite de cabra.

Embrapa Caprinos e Ovinos e Embrapa Gado de Leite 

Mais informações sobre o tema

Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

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9846975100?profile=originalO Ministério da Pecuária, Agricultura e Abastecimento publicou em 26 de novembro de 2018 a Instrução Normativa 77 que estabeleceu critérios e procedimentos para a produção, acondicionamento, conservação, transporte, seleção e recepção do leite cru em estabelecimentos registrados no serviço de inspeção oficial. Entre os temas abordados na IN 77, o Plano de Qualificação dos Fornecedores de Leite (PQFL) é o que tem apresentado maior interesse por parte dos produtores de leite e indústria laticinista. Isso se deve ao fato de que a sua aplicação na propriedade rural por parte dos produtores e apoiada pela indústria, não consiste a princípio em uma tarefa simples e rápida.

O PQFL está basicamente centrado na implantação das Boas Práticas Agropecuárias (BPA) no sistema de produção de leite. Entre as atividades previstas na BPA, o MAPA considera que deve ser contemplado minimamente as seguintes práticas: I - manejo sanitário; II - manejo alimentar e armazenamento de alimentos; III - qualidade da água; IV - refrigeração e estocagem do leite; V - higiene pessoal e saúde dos trabalhadores; VI - higiene de superfícies, equipamentos e instalações; VII - controle integrado de pragas; VIII - capacitação dos trabalhadores; IX - manejo de ordenha e pós-ordenha; X - adequação das instalações, equipamentos e utensílios para produção de leite; XI - manejo de resíduos e tratamento de dejetos e efluentes; XII- uso racional e estocagem de produtos químicos, agentes tóxicos e medicamentos veterinários; XIII- manutenção preventiva e calibragem de equipamentos; XIV - controle de fornecedores de insumos agrícolas e pecuários; XV - fornecimento de material técnico como manuais, cartilhas, entre outros; e XVI - adoção de práticas de manejo racional e de bem-estar animal. Como pode ser observado, a implantação das BPA´s exigirá do setor produtivo investimentos na área de educação, provendo aos produtores, técnicos e transportadores conhecimento e capacitações para a sua correta implementação.

O que diferencia a IN 77 das normas sobre qualidade do leite publicadas anteriormente pelo MAPA, é justamente o seu direcionamento educacional, com previsão de capacitação dos produtores de leite e técnicos extensionistas dos laticínios. Os requisitos de qualidade higiênico-sanitária do leite (Contagem Bacteriana Total e Contagem de Células Somáticas) determinados pela IN 76 ganha amparo educacional na IN 77, o que a torna um marco importante para a melhoria da qualidade de leite do País. O processo de melhoria da qualidade do leite no Brasil deve continuar a sua evolução de forma gradativa, porém, contrariamente ao que se tem percebido até hoje, espera-se com essa nova abordagem uma evolução mais sólida e de longo prazo. A base para toda essa mudança, de forma consistente, duradoura e agregadora de valor passa necessariamente pela educação, e, pela primeira vez, essa abordagem foi feita pelo MAPA visando a melhoria da qualidade do leite no País.

A sustentação legal foi feita pelo governo, porém, há muitas dúvidas a respeito do PQFL, como, por exemplo, limite de prazo para adoção das BPA´s, disponibilidade de crédito para financiamento dos investimentos necessários, entre outros. Nesse sentido, deverá prevalecer o bom senso do setor regulatório, pois há atividades que exigirão maiores aportes financeiros e de insumos, mas em sua grande maioria são atividades que necessitarão apenas de simples mudanças nos processos já executados na propriedade rural, ou seja, pequenas mudanças na sua gestão ou forma de execução. Enfim, cada propriedade deverá ser avaliada individualmente, dentro de suas especificidades e capacidade de execução, tanto pelo MAPA quanto pela indústria, na definição das metas e prazos exequíveis, dando assim, condições para que a maioria dos produtores de leite possam se adequar de forma consistente. Serão necessários, portanto, esforços de todos os elos da cadeia com uma visão convergente, o que na prática não é fácil, mas necessário e perfeitamente possível.

Cláudio Antônio Versiani Paiva - Médico Veterinário, DSc. Ciência Animal, Analista da Embrapa Gado de Leite

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Saiu o resultado do sorteio de vagas para o E@D Leite:

Utilizamos o site sorteioGo!

Os sorteados foram:

Curso Silagem de Capim

1 - Ronald Hott de Paula
2 - Tarcilio Teixeira

Curso Amostragem, Transporte e Coleta do Leite

1 - Amanda Caroline de Oliveira Sant
2 - Bruna Torres Furtado Martins

Melhoramento genético

1 - Eula Regina Carrara
2 - Ivandro Luiz Bressan

Entraremos em contato com os sorteados através de e-mail.

Para assistir o vídeo do sorteio: Clique aqui!

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Estudos da Embrapa Gado de Leite (MG) demonstram que é possível reduzir o intervalo entre inseminações de uma vaca em cerca de 20 dias com a utilização do ultrassom Doppler para realizar diagnóstico precoce da prenhez.

A redução do intervalo de partos no rebanho representa ganho econômico tanto na produção de uma vaca de leite quanto na engorda de bezerros de corte. Um animal que produza 30 litros diários de leite, por exemplo, terá acrescentado à sua produção 600 litros no fim da lactação. Em um rebanho formado por 100 vacas que tenham reduzido o intervalo de partos nessa proporção, serão 60 mil litros de leite a mais produzidos na lactação.

As pesquisas, cujas técnicas já são aplicadas por médios e grandes produtores que adotam em seus rebanhos a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) (veja quadro abaixo), tiveram início em 2010, na Embrapa Gado de Leite, por meio de projeto de pesquisa apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

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Ganho de tempo

A eficácia da técnica na detecção precoce de vacas não gestantes foi comprovada em 2013, porém, só recentemente os equipamentos de ultrassom Doppler alcançaram valor viável para seu emprego em larga escala nas fazendas (veja quadro ao lado). Pecuaristas e técnicos da área começam a sentir os efeitos positivos. O veterinário João Abdon, que atua na região de Eunápolis, no sul da Bahia, diz que, sem o Doppler, para conseguir inseminar uma vaca três vezes e obter um índice de cerca de 90% prenhez, eram necessários 80 dias. Usando o Doppler, ele consegue realizar o mesmo trabalho e obter um índice semelhante com 48 dias. “A grande vantagem dessa tecnologia é a redução do tempo”, relata Abdon, que adota esse tipo de ultrassom há três anos. E tempo representa dinheiro, tanto para o profissional que faz a inseminação quanto para o fazendeiro que tira leite ou engorda o gado.

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Como funciona?

A equipe de Reprodução Animal iniciou os estudos sobre o desenvolvimento e a regressão de uma glândula endócrina, denominada corpo lúteo, que atua no processo reprodutivo dos mamíferos. Para visualizar essa glândula, que possui uma coloração amarela (luteum em latim significa amarelo), o pesquisador Luiz Gustavo Bruno Siqueira explica que foi utilizado o ultrassom Doppler.

Diferentemente do ultrassom convencional, que revela apenas uma imagem em tons de cinza correspondente ao tamanho e textura do objeto em análise, o Doppler traduz movimentos como o fluxo sanguíneo em cores, tornando as análises mais precisas.

O corpo lúteo é uma estrutura temporária em fêmeas de mamíferos, que surge em cada ciclo reprodutivo após o cio e ovulação e produz principalmente progesterona, hormônio essencial para o estabelecimento e continuidade da gestação. Na vaca, quando ocorre a monta natural ou inseminação artificial e o animal fica prenhe, a glândula continua produzindo progesterona por toda a gestação.

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Por outro lado, se a vaca não fica prenhe, o corpo lúteo permanece produzindo hormônios no ovário por 16 a 18 dias. Depois se degenera, o que culmina com o animal retornando ao cio em ciclos de 21 dias.

Identificação rápida de vacas vazias

Durante as pesquisas, Siqueira percebeu que variações no fluxo sanguíneo eram detectadas pelo Doppler mesmo antes da degeneração do corpo lúteo. Ao fim de cada ciclo das vacas em estudo, algumas não apresentavam fluxo sanguíneo no corpo lúteo, apesar de a glândula ainda não ter se degenerado de forma visível.

“Diante desse fato, estabelecemos a hipótese de que poderíamos identificar os animais não gestantes baseados apenas na avaliação do fluxo sanguíneo presente no corpo lúteo”, conta Siqueira. Essa possibilidade era particularmente interessante em rebanhos que adotam a IATF, nos quais, geralmente, vários animais são inseminados em um mesmo dia.

Para comprovar a hipótese, a pesquisa foi expandida. Mais de 500 animais passaram pela técnica de IATF e tiveram os respectivos corpos lúteos analisados com o Doppler. Os pesquisadores da Embrapa puderam concluir com alto grau de certeza que, cerca de 20 dias após a IATF, todas as vacas sem fluxo sanguíneo na glândula eram não gestantes. O pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) João Henrique Viana, na época responsável pelo projeto, ressalta que há nas análises cerca de 20% de casos “falso positivo” (vacas com fluxo sanguíneo no corpo lúteo que depois também foram identificadas como não gestantes), mas isso não compromete o principal objetivo da técnica, que é identificar corretamente animais vazios, que podem ser mais rapidamente ressincronizados em um novo protocolo de IATF, garantindo maior eficiência reprodutiva.

“Conseguimos antecipar a identificação da vaca não gestante com ultrassom Doppler de ovário, examinando se há fluxo sanguíneo no corpo lúteo, antes mesmo de qualquer outro sinal de que a vaca está ou não prenha”, ressalta Siqueira. Os resultados dessa pesquisa resultaram em um artigo científico publicado em 2013 no Journal of Dairy Science, da Associação Americana de Ciência Leiteira (ADSA), uma das mais prestigiadas revistas científicas sobre gado leiteiro.

Paralelamente, novas pesquisas sobre o tema eram desenvolvidas em outras instituições. Siqueira informa que na Universidade de Virginia, Estados Unidos, foram realizados estudos com o uso do Doppler em vacas receptoras de embriões, mas não trouxeram conclusões sobre a relação do fluxo sanguíneo no corpo lúteo com a gestação.

Posteriormente, colaboradores do projeto da Universidade de Alfenas exploraram o uso do Doppler para a seleção de receptoras de embriões e pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) fizeram pesquisas semelhantes com gado de corte. Na Embrapa Gado de Leite, a técnica também começou a ser adotada na seleção de receptoras de embriões. Hoje, vários grupos de pesquisa buscam desenvolver estratégias de antecipação da IATF baseadas no uso do Doppler para identificação precoce de fêmeas vazias.

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Atualmente, Embrapa e USP são grandes incentivadoras do diagnóstico precoce da gestação por meio do Doppler. A Embrapa Gado de Leite, assim como a USP e algumas empresas particulares de capacitação, realizam periodicamente treinamentos para que médicos-veterinários possam dominar a técnica. No que diz respeito à tecnologia de reprodução em bovinos, os pesquisadores acreditam que esse é um caminho que não tem mais volta.

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Rubens Neiva (MTb 5445/MG) 
Embrapa Gado de Leite 

Contatos para a imprensa 
 
Telefone: (32) 3311-7532

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
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A 16ª edição do Workshop sobre Produção de Caprinos na Região da Mata Atlântica, coordenada pela Embrapa, integra a 17ª CabraFest - Festa da Cabra Leiteira, realizada em Coronel Pacheco - MG. A cidade está em uma região de referência para a produção de leite caprino no Sudeste do Brasil. 

O workshop reúne, anualmente, os segmentos da cadeia produtiva, contando com palestrantes de destaque no setor no Brasil e no Exterior. É voltado a técnicos ligados às ciências agrárias, professores, pesquisadores, estudantes e também produtores, especialmente das áreas de caprinocultura e ovinocultura leiteira. 

A diversidade de público e a relevância do conteúdo apresentado fazem deste um importante fórum regional para nortear atividades, parcerias e projetos. Desde a sétima edição, em 2009, palestras sobre a ovinocultura leiteira fazem parte da programação por se tratar de uma atividade que vem despertando o interesse de produtores e técnicos na região. 

A 16ª edição do Workshop terá transmissão ao vivo pela rede social temática Repileite, da Embrapa Gado de Leite. Para ter acesso ao material apresentado na edição de 2018, cliqui aqui! 

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9846992285?profile=originalInstituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e o Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef) lançaram um aplicativo gratuito para telefones celulares, tablets e computadores que pode ajudar o produtor rural a regularizar a situação ambiental de sua propriedade, de acordo com as novas exigências do Código Florestal.

O aplicativo funciona para fazendas de qualquer porte. Introduzindo informações como localização, área total da propriedade, data de desmate e áreas com florestas, é possível ter informações sobre a situação do imóvel como se há excedente ou falta de florestas, em reservas legais (RL) ou Áreas de Proteção Permanente (APP).

Assim, o proprietário recebe informações de quanto ele ainda tem que restaurar ou compensar para trabalhar conforme a legislação exige. No caso de haver excedente, o fazendeiro saberá, através do aplicativo, quanto de floresta excedente pode ser oferecida para a compensação de outras fazendas com falta de vegetação nativa.

De acordo com o Imaflora, o aplicativo inclui todas as particularidades da Lei Florestal para cada bioma, tamanho de imóvel rural e data de desmatamento, considerando as situações em que as APPs podem ser contabilizadas como reserva legal, entre outras funções. “É uma ferramenta fácil e prática para o produtor rural entender a aplicação do Código Florestal para o seu imóvel rural e se preparar o seu registro no CAR (Cadastro Ambiental Rural), que é o primeiro passo para a legalização ambiental de sua propriedade” afirma Luis Fernando Guedes Pinto, Gerente de Certificação do Imaflora.

O aplicativo traz ainda a íntegra do “Guia para a aplicação da nova lei florestal em propriedades rurais”, elaborado pelas duas instituições Este material explica os conceitos da lei embutidos no aplicativo e que permitem ao produtor entender o passo a passo para o cumprimento do Código Florestal.

A ferramenta está disponível nas lojas da Apple, Google Play (clique aqui) e na interface para computadores com acesso internet (clique aqui).

Fonte: Globo Rural notícias

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Sorteio de vagas no E@D Leite

Sorteio

A Embrapa Gado de Leite, por meio do seu portal E@D Leite (http://ead.cnpgl.embrapa.br) oferece cursos a distância.

E a RepiLeite vai sortear para seus membros 02 vagas nos cursos de:

Silagem de Capim (próxima turma 27/06/2019 a 05/08/2019)

Melhoramento genético (próxima turma 09/07/2019 a 18/08/2019)

Amostragem, coleta e transporte do leite (próxima turma 15/07/2019 a 12/08/2019)


Para participar basta deixar o e-mail e qual curso quer fazer nos comentários.

O sorteio será dia 21/06 e o resultado será divulgado nessa página. Os ganhadores serão comunicados por e-mail.

Boa sorte a todos!

Veja alguns vídeos dos cursos:

Tipos de frascos para coleta e amostragem do leite

Silagem de Capim

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Sairam os resultados dos sorteios de vagas para o E@D Leite:

Utilizamos o site sorteioGo!

Os sorteados foram:

Curso: Amostragem, Transporte e Coleta do Leite

Cesar marques - plet_cesar1@hotmail.com

Para assistir o vídeo do sorteio: clique aqui

Curso: Silagem de capim

Felipe Cruz - fpcruz22@gmail.com

Para assistir o vídeo do sorteio: clique aqui

Entraremos em contato com os sorteados através de e-mail.

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A produção de energia elétrica e a produção de biofertilizantes a partir dos dejetos da atividade pecuária já são uma realidade na bovinocultura de leite no Brasil. Depois de algumas experiências frustradas nas décadas de 1970 e 1980, as empresas que adotaram o sistema de consolidação, não mais que os grandes geradores, passaram a gerar uma vez mais a eletricidade na fazenda e, em alguns casos, até vender um excedente para as empresas de distribuição.

A aplicação da tecnologia ainda é baixa entre os produtores de leite, mas o pesquisador Marcelo Henrique Otenio, que coordena os estudos sobre os biodigestores na Embrapa Gado de Leite (MG), diz que o uso do biogás está em franca expansão no setor e apresenta retornos financeiros positivos. “Nós reunimos uma equipe de pesquisa multidisciplinar de unidades de ensino e os nossos estudos são economicamente viáveis ​​ou o uso de biodigestores na pecuária de leite para o desenvolvimento de sistemas de vacância livre (sistema de produção de leite com vacas estabelecidas) com mais de oitenta vacas” rev

9846990479?profile=originalProdutor ganha energia, água e biofertilizantes

Ainda segundo o pesquisador, o produtor pode obter ganhos de três formas: pela produção do biogás, que irá abastecer um motor e gerar a energia elétrica; pela reutilização da água de lavagem do piso do estábulo, que carreia os efluentes para o biodigestor; e pela produção do biofertilizante resultante do processo (veja quadro no fim desta matéria).

O Brasil é o quarto maior importador de fertilizantes do mundo. O País importa cerca de 75% do total desses insumos aplicados nas lavouras. Além disso, os adubos químicos são insumos caros e poluentes. Com a utilização da matéria orgânica oriunda do biodigestor, o produtor agrega valor ao negócio, além de dar uma destinação a outro material potencialmente poluente: os dejetos bovinos. Otenio informa que, na cultura da cana, o biofertilizante substitui 100% do adubo nitrogenado e, na lavoura de milho, 60%. A Embrapa Gado de Leite também está fazendo testes com a fertirrigação do capim-elefante BRS Capiaçu. Esse biofertilizante também é importante na recuperação de áreas degradadas, pois atua como um condicionante do solo, recuperando sua matéria orgânica.

Agregação de valor e sustentabilidade ambiental

O professor Jorge Lucas Júnior, do campus de Jaboticabal (SP) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), instituição parceira da Embrapa nas pesquisas com biodigestores,  explica que a maior adoção da tecnologia na suinocultura se deve ao fato de os dejetos provenientes dos suínos terem maior potencial fertilizante e energético do que os de bovinos. Por outro lado, ele conta que uma vaca produz muito mais estrume do que um porco. “Há, por isso, um equilíbrio e os produtores de leite podem ser tão eficientes quanto os suinocultores”, afirma o professor ressaltando que, nas duas culturas, a tecnologia é uma grande aliada do meio ambiente.

A biodegradação de dejetos de origem animal produz metano (CH4), entre outros gases. O metano tem um potencial 21 vezes maior de provocar efeito estufa se comparado ao dióxido de carbono (CO2). A queima do CH4 com o oxigênio é a energia que faz um motogerador funcionar e produzir eletricidade. O resultado dessa queima é a emissão de vapor d’água e CO2 menos prejudicial para a atmosfera, quando comparado ao metano. O professor da Unesp diz que, com o surgimento do mercado de carbono, a escala de implantação de biodigestores aumentou, incentivando o desenvolvimento de modelos mais baratos e fáceis de operar.

A confluência de tecnologias mais eficientes, agregação de valor e proteção ambiental impulsionam o mercado. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), estima que, em 2030, o biogás poderá representar o mesmo volume de energia distribuída que a fotovoltaica (energia solar) e o setor agrícola terá uma importante participação nesse volume.

ela Otenio.

9846990093?profile=originalJá existem diversos casos de sucesso operando no presente. A Fazenda Bom Retiro, em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, é um deles. Os dejetos de mil vacas em ordenha e outros mil suínos em terminação alimentam três biodigestores que geram R$ 30 mil mensais em energia elétrica. Cerca da metade da quantidade gerada é transformada em “crédito de energia” pela distribuidora e pode ser vendida para outros consumidores (esse processo é chamado de geração distribuída), a outra metade é usada para abastecer a propriedade.

Experiências do passado
Em meados da década de 1970, o Governo Federal incentivou o uso de biofertilizantes por parte dos pecuaristas. Na época, foi criado o Programa Nacional de Energia Alternativa. Algumas unidades da Embrapa, entre elas a Embrapa Gado de Leite, iniciaram pesquisas sobre o tema para popularizar o uso de biodigestores. O chefe-adjunto de Pesquisa & Desenvolvimento da Unidade, Pedro Arcuri, que na época trabalhava em um dos projetos, lembra que a demanda do governo visava dar uma reposta para a crise do petróleo, que elevou o preço do combustível.

Naquela época, dois modelos de biodigestores propostos como tecnologias para pequenos produtores rurais foram implantados no Brasil: o chinês e o indiano. Segundo Arcuri, os modelos tinham baixa eficiência, pois necessitavam de mais esterco para produzir biogás. A Embrapa Gado de Leite montou uma unidade demonstrativa com o modelo indiano, de fácil implantação e simplicidade na operação. A unidade demonstrativa simulava uma pequena fazenda na qual fogão, geladeira, chuveiro, lampião, bomba de água e uma picadeira funcionavam com a energia do biogás.

“Recebemos um grande número de extensionistas e produtores interessados, mas não havia linhas de crédito para implantar os biodigestores e, na prática, poucos produtores acabaram adotando a tecnologia”, relembra. Ele conta ainda que, mesmo os que adotaram, acabaram tendo problemas. Arcuri explica por que: “Uma das grandes dificuldades era a adaptação dos equipamentos, que não eram fabricados para funcionar com biogás”. Era necessário instalar dutos para levar o gás até fogões, chuveiros e motores que geravam energia para as máquinas e eletrodomésticos. Além disso, o gás sulfídrico (um dos subprodutos do processo) corroía os equipamentos, que tinham sua vida útil reduzida. Com todos esses obstáculos, os projetos com biogás se encerraram em meados dos anos 1980 até serem resgatados em 2011.

Segundo Arcuri, os antigos problemas foram resolvidos. O modelo de biodigestor que está sendo implantado atualmente é mais eficiente e o Brasil já possui tecnologia própria na fabricação dos motores abastecidos com biogás. Para o gás sulfídrico, que oxidava aparelhos domésticos e máquinas, foi adaptado um filtro, separando-o do metano. Os pesquisadores têm dados dos resultados de várias pesquisas que comprovam a sustentabilidade da tecnologia no contexto atual, pois diferentemente dos anos 1970 e da crise do petróleo, há na sociedade uma cultura que preza o conservacionismo e a proteção do meio ambiente, o que viabiliza tecnologias voltadas para a mitigação de gases de efeito estufa.

Além disso, as propriedades leiteiras são muito mais dependentes da eletricidade do que eram há quatro décadas, quando a ordenha manual era comum mesmo em grandes fazendas e os latões de leite esperavam no tempo para serem recolhidos pelo caminhão. Hoje, há muita automação e o armazenamento do leite em tanques de resfriamento é uma exigência legal. Se faltar energia por algumas horas na propriedade, pode-se perder a produção de alguns dias. O biodigestor proporciona também o conforto de se ter estábulos livres de moscas e odores, uma grande vantagem para quem tem que lidar diariamente com o rebanho.

Por fim, o problema dos recursos para produção de biogás também foi resolvido. Há diversas linhas de crédito no País para financiar projetos de energia e tecnologias sustentáveis. Uma delas é o Programa ABC, para apoiar a agricultura de baixa emissão de carbono, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financia até 100% do projeto, com taxas de juros a partir de 8% ao ano. Algumas linhas possuem prazo de carência de até três anos, tempo que os pesquisadores consideram suficiente para que o biodigestor pague o investimento e comece a gerar lucros.

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Rubens Neiva (MTb 5445/MG)
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Ações de pesquisa em parceria com a Emater-MG deram mais visibilidade e qualidade ao queijo produzido nas terras altas da Mantiqueira, em Minas Gerais


9846992072?profile=originalO projeto de pesquisa realizado pela Embrapa Gado de Leite em parceria com a Emater de Minas Gerais, que visa caracterizar o sistema de produção do queijo artesanal produzido em nove municípios da Serra da Mantiqueira, foi concluído no início deste ano. Segundo a pesquisadora Maria de Fátima Ávila Pires, coordenadora do projeto, as ações contribuíram para melhorar a qualidade do queijo produzido na região, além de ampliar a visibilidade do produto, com grande penetração em empórios e mercados especializados das grandes cidades da Região Sudeste. “Desde que iniciamos os trabalhos, a qualidade do produto melhorou significativamente e os festivais e concursos anuais de queijo realizados pelos produtores tornaram-se mais participativos”, conta a pesquisadora, que completa: “O queijo artesanal está revolucionando a economia dos municípios”.

Os trabalhos tiveram início em Alagoa e se estenderam por mais nove cidades. Os 25 profissionais envolvidos no projeto caracterizaram o sistema de produção em 30 propriedades, identificando-as do ponto de vista econômico e social. Foi traçado o perfil do queijeiro alagoense, resgatando os aspectos históricos e culturais das queijarias na região. Os pesquisadores fizeram ainda diversas análises do solo e da água (aspectos físicos, químicos e microbiológicos), da alimentação das vacas e da qualidade do leite e do queijo. Os estudos incluíram ainda o levantamento de informações sobre o processo de produção do leite e a fabricação do queijo, caracterizando o “saber fazer” da comunidade, ou seja, como os queijeiros construíram as tradições que resultaram no modo próprio de fazer o queijo artesanal.“Reunir essas informações em um documento é uma das exigências do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) para a regulamentação do queijo artesanal”, diz a laticinista da Emater-MG, Marciana de Souza Lima. O trabalho é útil para que as prefeituras concedam aos produtores o Selo de Inspeção Municipal (SIM). Agora, o escritório da Emater que atende os produtores trabalha para que as queijarias sejam regularizadas perante o IMA para que possam obter o registro de Indicação Geográfica (IG), como já ocorre com os queijos do Serro, Canastra, Salitre e Campos das Vertentes.

Um passo importante foi a definição do nome do produto. O queijo de Alagoa, por exemplo, era denominado de queijo parmesão da Alagoa, o que não é legalmente permitido já que, pela Denominação de Origem Protegida (DOP), “parmesão” é o queijo feito na Itália, nas regiões de Parma, Módena, Bolonha ou Mântua. Os próprios queijeiros, em um seminário, definharam o nome do produto. Os produtores de Alagoa, cujo queijo é mais tradicional, decidiram por Alagoa. Já o produto dos municípios de Aiuruoca, Baependi, Bocaina de Minas, Carvalhos, Itamonte, Itanhandu, Liberdade, Passa Quatro e Pouso Alto passou a se chamar Mantiqueira de Minas. O objetivo agora é conseguir a Denominação de Origem Protegida. Segundo o técnico da Emater-MG, Júlio César Seabra, para se conseguir a DOP é preciso definir alguns critérios técnicos como processo de fabricação e tempo de maturação. A pesquisa coordenada pela Embrapa deu um importante passo nesse sentido.

A preocupação agora diz respeito à legislação do queijo artesanal, que deve passar por mudanças estruturais. Os produtores reivindicam leis que facilitem a comercialização. O Brasil produz um milhão de toneladas de queijo por ano. Um quinto desse total é feito artesanalmente, com leite cru (que não passou pelo processo de pasteurização). Boa parte do queijo artesanal é vendido informalmente, pois falta ao produto o registro nos serviços de inspeção sanitária, seja municipal, estadual ou federal. Resolvida a questão da legislação e a caracterização estabelecida, a Serra da Mantiqueira terá, enfim, o seu produto terroir (expressão francesa que define a relação entre solo, microclima, ambiente e know-how de uma comunidade específica na fabricação de um produto de origem agrícola). Isso é o que ocorre nas em Champagne, na França (única região autorizada a dar esse nome aos espumantes que produz) em Parma, na Itália, de quem Alagoa tomou emprestado por um tempo o nome para o seu queijo.

Rubens Neiva (MTB 5445)
Embrapa Gado de Leite

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A renda per capita está estagnada inibindo o consumo geral das famílias e, em particular, o de lácteos. Vendas menores no varejo pressionam os preços para baixo inibindo as margens e a expansão de toda a cadeia produtiva.

Os preços ao produtor tiveram uma trajetória ascendente iniciada em fevereiro, mas já em abril, as cotações ao produtor ficaram praticamente estagnadas. No caso da indústria, a situação é bem mais complicada. Os laticínios não conseguem reajustar os preços, sobretudo de produtos tradicionais, comprometendo a rentabilidade de diversas empresas que atuam nesses mercados.

Um outro complicador é que Argentina e Uruguai devem ter sua disponibilidade recomposta até meados do ano, gerando excedentes que podem pressionar as exportações para o Brasil. Isso cria uma grande incerteza para o segundo semestre, baseada em pelo menos quatro motivos: 1) a relação entre os preços do leite e dos insumos está favorável ao produtor e tende a estimular a oferta; 2) o baixo consumo de lácteos decorrente do fraco desempenho da economia; 3) baixa competitividade para exportar excedentes de produção; 4) preços de importação mais competitivos que os domésticos.

Confira essa análise completa com mais detalhes na NOTA DE CONJUNTURA da Plataforma de Inteligência Intelactus em sua edição de maio de 2019, que também apresenta uma análise sobre oferta, demanda e preços internacionais nesse início de 2019.

A publicação está disponível no site do Centro de Inteligência do Leite e pode ser acessada no link: http://www.cileite.com.br/content/nota-conjuntura

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