Todos os posts (1295)

Classificar por

2RHS2Nx?profile=RESIZE_710x

A conjuntura atual do mercado tem mostrado quedas nos preços do lácteos ao longo da cadeia e custos de produção pressionando a rentabilidade dos produtores. O quadro que se apresenta para os próximos meses ainda é complicado, o que sinaliza cautela para todos os agentes da cadeia. Veja essa análise completa na Nota de Conjuntura de fevereiro de 2021 disponível no site do Centro de Inteligência do Leite.

Informativo periódico de divulgação de publicações técnicas do Centro de Inteligência do Leite - CILeite.
Equipe: Alziro Carneiro, Denis Teixeira, Fábio Diniz, Glauco Carvalho, João César de Resende, José Luiz Bellini, Kennya Siqueira, Lorildo Stock, Manuela Lana, Marcos Hott, Paulo Martins, Ricardo Andrade, Samuel Oliveira, Walter Magalhães Júnior.
O conteúdo do CILeite pode ser reproduzido, desde que seja citada a fonte da publicação.

Saiba mais…

9847004492?profile=original9847005459?profile=original

Manejar adequadamente os pastos é tarefa básica para o pecuarista que deseja garantir resultados produtivos satisfatórios, equilibrando a estabilidade de boas forrageiras e o bom desempenho animal. Mas resultados de pesquisa da Embrapa comprovam que o manejo correto das pastagens promove outro resultado importante: a redução da emissão de gases de efeito estufa (GEE).

Em estudos conduzidos no bioma Pampa, em área de integração Lavoura-Pecuária com pastagens cultivadas de azevém e aveia para terminação de novilhos no inverno, os animais, quando estavam em uma altura ótima de pastejo, emitiram 30% menos metano em comparação aos índices preconizados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas, o IPCC. No entanto, de acordo com a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul Cristina Genro, apesar de o uso da altura das forrageiras como ferramenta de manejo ser uma atividade simples e muito eficaz, ainda é pouco usada pelos produtores.

Em resumo, quando os pastos são manejados segundo recomendações técnicas, os animais emitem menos metano e o solo acumula mais carbono. Com isso, quando é feito o balanço do que foi emitido de carbono com o que foi fixado pelas plantas, a pecuária é considerada de baixa emissão do elemento ou apresenta resultado neutro, ou seja, reabsorve todo o carbono que ela mesma emite. “É uma pecuária que está produzindo uma carne limpa em termos ambientais, de excelente qualidade e valor nutricional, inclusive com perfis de ácidos graxos benéficos à saúde humana, como já foi atestado em outros estudos da Embrapa que relatam a grande presença de ômega 3 e de ácido graxo linoleico conjugado (CLA) na carne de animais criados a pasto, este último com comprovado efeito anticarcinogênico”, completa Genro.

Para o produtor e engenheiro-agrônomo Marcelo Fett Pinto, “manejar bem as pastagens significa conciliar as demandas nutricionais dos animais com a manutenção dos potenciais produtivos das plantas pastejadas, como dizia um dos meus orientadores da área de pastagens na Nova Zelândia, saudoso professor John Hodgson”, relata Fett, coordenador do Programa Estâncias Gaúchas, que reúne produtores de animais criados em pastagens do Pampa.

Como trabalhar com a altura?

A altura é uma característica da estrutura do pasto que tem relação direta com a massa de forragem, ou seja, a quantidade de pasto disponível em uma área. Quando se escolhe trabalhar com esse critério de manejo, é importante realizar medidas em toda a área de pastejo, porque o pasto é heterogêneo, ou seja, há locais onde existem pontos altos, médios e baixos. Isso se dá pelo fato de o crescimento das plantas ser influenciado por fatores do meio, como temperatura, umidade, fertilidade, pastejo, etc.

Conforme a pesquisadora da Embrapa Márcia Silveira, é fundamental o monitoramento da altura da pastagem rotineiramente, ou seja, é um olho no gado e outro no pasto. No caso de pastagens naturais sugere-se medir a altura dos pastos uma vez ao mês, no outono e inverno, e a cada 15 dias na primavera e no verão. No caso de pastagens nativas melhoradas por fertilização e sobressemeadas com espécies cultivadas de inverno, a recomendação é que a medição seja feita pelo menos quinzenalmente durante todo o ano.

Para que a altura do pasto esteja dentro do recomendado, é preciso controlar a quantidade de animais por hectare. Se a lotação for muito alta, os bovinos perdem desempenho e emitem mais metano por área, assim como o pasto diminui sua capacidade de contribuir para fixação do carbono no solo. “Então, se nós trabalharmos fazendo um ajuste de carga para manter a altura ideal de manejo de cada planta forrageira, estaremos contribuindo para a redução de problemas com a degradação de pastagens e baixo desempenho animal, ao mesmo tempo que atribuímos um serviço ecossistêmico à produção de animais a pasto”, completa Silveira.

Exemplos práticos

Cada pasto tem uma altura de manejo recomendada, inclusive dependendo da sua forma de uso, ou seja, em pastejo rotativo ou contínuo. “O azevém, espécie bastante usada no inverno aqui no sul, por exemplo, recomendamos que seja mantido entre 15 e 20 centímetros de altura durante todo o tempo de pastejo sob lotação contínua com taxa variável. Para pastejo sob lotação rotativa, a entrada dos animais deve se dar com 20 cm e a saída entre oito e 12 cm”, explica a pesquisadora.

9847006100?profile=original

A aveia, outra espécie usual para sobressemeadura de campo nativo no inverno sulino, tem recomendação de altura de 20 a 40 centímetros em pastejo contínuo; para pastejo rotativo, os animais devem entrar com 30 cm e sair quando o pasto atingir de 10 a 15 cm. Já o capim-sudão, forrageira bastante usada no verão, deve ser mantido entre 30 e 40 cm em pastejo contínuo. No rotativo, a entrada se dá entre 50 e 60 cm e a saída entre 15 e 20 cm. “Atendendo a essas recomendações, estamos garantindo boa oferta de forragem aos animais, ao mesmo tempo em que otimizamos a produção da pastagem, pois temos um remanescente adequado para que o pasto possa fazer eficientemente a fotossíntese, e volte a crescer”, pondera a cientista.

As medições de altura do pasto podem ser realizadas, com o uso de ferramentas simples como uma régua ou um bastão medidor de altura de pasto (ver imagem). “Na prática, e após algumas medições, calibramos o olho com boa precisão para as alturas dos pastos (nativos e cultivados), podendo nos valer de referências campeiras, como a altura do pasto em relação ao casco do cavalo, aos bichos de campo como a lebre, à bota, etc., mas lembrando que o importante é sempre que possível ter pasto, seja a avaliação da forma que for”, destaca Fett Pinto.

Com a adequada disponibilização de forragem, os bovinos têm ganho de peso rápido e o tempo que os animais ficam na pastagem até a terminação é menor. “O que, consequentemente, diminui mais ainda em termos de emissão de metano. Isso quer dizer que, manejando o pasto em uma altura adequada, vamos produzir mais carne, conservando o solo, ter uma colheita mais eficiente dessa forrageira e, em consequência, contribuir na redução da emissão de gases de efeito estufa para o meio ambiente”, completa Cristina Genro.

9847006475?profile=original

9847008059?profile=original

Rede de Pesquisa Pecus

Os estudos de emissão de GEE na pecuária no bioma Pampa foram desenvolvidos pela Embrapa em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) por meio da rede Pecus (Pecuária Sustentável), que avaliou a dinâmica de gases de efeito estufa e o balanço de carbono nos seis biomas brasileiros. Para a aferição da emissão de metano, os animais permaneceram durante um período com buçais presos próximos às narinas e à boca, absorvendo a eructação do gás pelos bovinos. Segundo a pesquisadora Cristina Genro, os protocolos de coleta de gases e de análise utilizados no projeto são reconhecidos internacionalmente e recomendados pelo IPCC para pesquisas na área. 

Atualmente o IPCC indica que há emissão de 56 a 70 kg/ano de metano por animal da categoria de novilhos em terminação. A pesquisa apontou o valor de 54 kg em campo nativo e 48 em sistemas melhorados. “Se multiplicarmos essa diferença por milhões de cabeças de bovinos criadas no Pampa, o montante de metano emitido pelos animais ficaria extremamente menor que aquele preconizado pelo organismo internacional. Ou seja, o IPCC está superestimando essas emissões,” declara.

Felipe Rosa (MTb 14.406/RS)

Embrapa Pecuária Sul

Contatos para a imprensa

Telefone: (53) 3240 4650

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Saiba mais…

9847004281?profile=original

Os resultados da pesquisa liderada pelo médico-veterinário Renato Andreotti, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, deixaram a equipe bem animada, afinal a luta vem de muito tempo tentando, se não acabar, diminuir o problema da infestação de carrapatos nos bovinos e suas consequências que acarretam grandes prejuízos para a produção nacional numa ordem estimada em US$ 3,24 bilhões/ano. 

A pesquisa liderada pelo cientista foi nomeada de Sistema Lone tick. A técnica permite o controle da infestação do carrapato nas pastagens deixando as larvas “solitárias” (em inglês lone) por meio do distanciamento entre parasito e hospedeiro. Os testes a campo foram realizados durante um ano com animais da raça Senepol. 

O carrapato-do-boi (Rhipicephalus microplus) causa uma doença conhecida como tristeza parasitaria bovina (TPB) (Babesia bovisBabesia bigemina e Anaplasma marginale), levando os animais à morte. Se o produtor não adota um controle, o prejuízo é certo, por isso é de suma importância o estudo de controle desse parasito. 

Andreotti explica que “o nível de infestação do carrapato nos rebanhos varia em função da presença e do grau de raças sensíveis. A infestação acarreta perda de peso pela inapetência, irritabilidade do animal, perda de sangue pela espoliação acentuada levando à anemia, lesões no local da picada evoluindo para miíases e lesões posteriores no couro. A alta infestação promove instabilidade dos agentes infecciosos responsáveis pela Tristeza Parasitaria Bovina (TPB) levando a surto de mortalidade de animais”.

O pesquisador explica que o rebanho zebuíno (Nelore) compõe a maior parte no Brasil e coloca o país no cenário dos maiores produtores e exportadores de carne bovina no mercado mundial. Segundo ele, nas últimas décadas, novas raças bovinas e seus cruzamentos foram introduzidos gerando animais com maior desempenho produtivo, mas com grandes dificuldades no controle do carrapato. “Ao não controlar de forma adequada o carrapato, o ganho de produtividade oferecido pela genética não aparece no resultado da balança comprometendo o investimento”, esclarece.

Novo sistema controla os carrapatos de forma ecologicamente correta 

Atualmente, o método utilizado para controlar o carrapato no rebanho bovino é o controle estratégico com uso de pesticidas, porém ele se mostra esgotado em função do desenvolvimento de resistência do carrapato a esses produtos. Explica Andreotti, que acrescenta: “O uso dos acaricidas da forma como é feita, na maioria das vezes, sem orientação técnica adequada, leva à contaminação dos animais, dos trabalhadores e do ambiente”.

O pesquisador comenta que um dos gargalos para o sucesso do controle estratégico do carrapato com o uso de acaricidas é o surgimento de carrapatos resistentes, resultado da pressão de seleção causada nas populações desses parasitos exercida pelo tratamento, tornando-se um grande desafio para o combate às populações de carrapatos e a inserção de novos métodos de controle.

E foi exatamente pensando em novos métodos de controle que o Sistema Lone tick foi estudado apresentando resultados muito positivos. Vários testes foram realizados com animais a campo e infestação de carrapatos. Uma das observações feitas pelo especialista foi de que o Sistema Lone tick corrigiu a carga parasitária no sistema para condições ótimas de controle, que, segundo Andreotti, significa baixa infestação de carrapatos com redução de impacto da ação dos mesmos e manutenção da estabilidade enzoótica para a tristeza parasitária bovina. “Durante um ano de observação e monitoramento dos animais, nenhum deles apresentou sintomas para TPB”, revela.

Para o especialista o Sistema Lone tick é um sucesso e explica a razão: “O carrapato-do-boi completa o ciclo de vida no hospedeiro em 21 dias com o ingurgitamento da fêmea e sua queda ao solo com consequente postura de 3000 ovos em média, iniciando a fase não parasitária. As larvas emergem dos ovos e constituem 95% da população de carrapatos no ambiente, sendo a fonte de reinfestação para os animais, não sendo alcançadas diretamente pelos carrapaticidas. A grande maioria das larvas do carrapato-do-boi não sobrevive no ambiente por mais de 82,6 dias.

Portanto, o Sistema Lone tick oferece uma forma de controle nesta fase de vida livre do carrapato, com base na rotação de pastagens e permitindo um tempo de 84 dias das larvas sem contato com o hospedeiro, tempo suficiente para a morte das larvas por inanição”. Andreotti expõe também que outro fator extremamente importante, juntamente com a manutenção da baixa população de carrapatos, é a ausência do uso de acaricidas respeitando o ambiente – prática obrigatória no controle estratégico – não gerando contaminação por meio de resíduos e, tampouco pressão de seleção pelas bases químicas desses produtos utilizados no tratamento.

Para o pesquisador os resultados mostram que, com base no conhecimento da ecologia e biologia do parasita, é possível controlar de forma ecologicamente correta as populações desta espécie de carrapato, atendendo assim, uma demanda de mercado internacional, que seria a diminuição do uso de produtos químicos e seus efeitos colaterais.

A baixa infestação das larvas nas pastagens observada durante os testes levou à baixa manutenção de carrapatos nos bovinos mostrada pela contagem de carrapatos nos animais a cada 28 dias, sendo essa uma situação desejável para a manutenção da estabilidade enzoótica da TPB e mantendo a quantidade de carrapatos abaixo do limiar econômico de no máximo 40 carrapatos/animal. 

A estabilidade da população de carrapatos traz segurança nas condições sanitárias por reduzir o risco de morte dos animais com a TPB e a espoliação com perda de peso e, com isso ampliando a redução do custo da arroba produzida. 

Em breve um artigo técnico com detalhes da pesquisa será publicado. Para saber mais sobre controle de carrapatos sugere-se a leitura do Documento 214: “Proposta de controle de carrapatos para o Brasil Central em sistemas de produção de bovinos associados ao manejo nutricional no campo”. 

Eliana Cezar Silveira (DRT 15.410/SSP/SP)

Embrapa Gado de Corte

Contatos para a imprensa

Telefone: 67 33682142

Mais informações sobre o tema

Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Saiba mais…

2RHS2Nx?profile=RESIZE_710x

Apesar da alta anual nos preços do leite, os aumentos expressivos no milho e no farelo de soja têm prejudicado a relação de troca leite/insumos.

As importações continuam elevadas e mesmo com um pequeno recuo em relação a dezembro, os volumes de janeiro foram 82% superiores aos de janeiro do ano passado.

Veja esses dados completos na nova edição do Boletim Indicadores Leite e Derivados do Centro de Inteligência do Leite.

Informativo periódico de divulgação de publicações técnicas do Centro de Inteligência do Leite - CILeite.
Equipe: Alziro Carneiro, Denis Teixeira, Fábio Diniz, Glauco Carvalho, João César de Resende, José Luiz Bellini, Kennya Siqueira, Lorildo Stock, Manuela Lana, Marcos Hott, Paulo Martins, Ricardo Andrade, Samuel Oliveira, Walter Magalhães Júnior.
O conteúdo do CILeite pode ser reproduzido, desde que seja citada a fonte da publicação.

Saiba mais…

9847001687?profile=original9847002665?profile=original

Um pesticida composto por uma mistura inédita de dois isolados da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt) é o mais novo bioproduto indicado para controlar a lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, e a falsa-medideira, Chrysodeixis includens. O Acera - nome comercial - foi desenvolvido com tecnologia Embrapa e concebido em parceria com a Ballagro Agro Tecnologia, empresa que o comercializará. 

Bacillus thuringiensis (Bt) é uma bactéria que produz proteínas com propriedades tóxicas específicas para insetos e que são inofensivas para humanos e outros vertebrados. Diferentemente de pesticidas químicos, é inócuo para o meio ambiente. O produto deve ser pulverizado sobre as folhas, e, ao comê-las, as lagartas são afetadas pela ação dessas proteínas. 

“A grande vantagem desse produto biológico à base de Bt é que ele não afeta o meio ambiente, não intoxica aplicadores, não mata os inimigos naturais das pragas e não polui rios e nascentes, contribuindo para a sustentabilidade”, destaca o pesquisador da Embrapa Fernando Hercos Valicente, desenvolvedor e responsável pela tecnologia na Empresa. “O Acera foi registrado para o controle dessas duas espécies de lagarta e poderá ser usado em culturas como soja, milho, algodão e diversas outras”, complementa o pesquisador, ao revelar que os dois isolados de Bt usados como matéria-prima do bioproduto vieram da coleção da Embrapa Milho e Sorgo (MG).

68d5fc25-72b3-0a6a-0c94-eb11a75edf63?t=1611974095935

9847003252?profile=originalContorna a resistência crescente das pragas

“A cada ano, por questões complexas diversas, observa-se um aumento da resistência das principais pragas controladas por cultivares transgênicas. Consequentemente, ocorre a ampliação do uso do controle químico em complemento aos transgênicos, na tentativa de reduzir perdas na produção agrícola. Tudo isso acarreta prejuízos econômicos, sociais e ambientais expressivos”, relata Valicente, ao explicar que por reunir duas cepas da bactéria Bt, com modos de ação distintos e complementares, o Acera dificulta o aparecimento de resistência das lagartas ao produto.

Por esses motivos, o cientista acredita que o uso de novos inseticidas microbiológicos é uma importante alternativa para o controle da lagarta-falsa-medideira (foto abaixo) e da lagarta-do-cartucho, especialmente para os cultivos de milho, soja e algodão, nos quais o ataque da praga é mais expressivo. “Os bioinseticidas também contribuem para a sustentabilidade dos cultivos. Pela sua especificidade biológica, atacam somente os insetos-alvo, promovem maior equilíbrio da biodiversidade em comparação aos químicos, favorecendo a manutenção de inimigos naturais no campo”, explica o cientista. Os inimigos naturais são insetos que ajudam a controlar as pragas, e quando é empregado o controle químico na lavoura, eles também são afetados.

09b09ef3-af76-cd5b-913e-101ba9d1eeef?t=1611973772445

Desenvolvimento tecnológico

A Ballagro é uma empresa brasileira que desenvolve tecnologias em controle biológico para utilização na agricultura desde 2004. “Com o foco em inovação e trabalho técnico, desenvolvemos tecnologias para o crescimento do controle biológico no manejo de pragas e doenças,” conta o gerente de produtos e mercado da empresa, Lecio Kaneko. Segundo ele, no Brasil é crescente a busca por ferramentas sustentáveis de manejo, o que promoverá uma boa aceitação do produto no mercado nacional.

Ele lembra que a parceria com a Embrapa foi iniciada em 2014, a fim de desenvolver um bioinseticida para controlar pragas como as lagartas Spodoptera frugiperda (foto abaixo) e Helicoverpa armigera. “O trabalho resultou no Acera, composto por uma mistura inovadora de dois isolados de Bt que apresentam um amplo espectro de ação sobre lagartas desfolhadoras”, acrescenta o gerente. Por causa disso, ele prevê que o registro do produto, futuramente, poderá incluir outras pragas.

92163398-caf4-b7e2-dd0c-a91b2d16d1d4?t=1611973704115

Kaneko atribui a alta eficiência do bioproduto à diversidade das proteínas Cry e VIP, produzidas por esses novos isolados da bactéria, e à alta tecnologia em fermentação e formulação desenvolvidas especialmente para o Acera. “Ele foi testado em todas as regiões do Brasil, com ótimos resultados”, comemora.

9847002900?profile=original

“A situação atual e as perspectivas para os novos bioinsumos da Embrapa são bastante promissoras. A Empresa tem dedicado esforços de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, por várias décadas, para a tipificação e utilização de microrganismos úteis para controle de estresses ambientais em plantas cultivadas, a exemplo de controle de pragas, solubilizadores de fósforo e potássio e fixadores de nitrogênio”, afirma o chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, Frederico Ozanan Machado Durães. “Notadamente, após o lançamento do Programa Nacional de Bioinsumos, coordenado pelo Mapa, percebemos um aumento significativo nas alianças, parcerias e tratativas negociais com o mercado nessa área”, conta.

Ele revela que o produto atende a um desafio de inovação da Embrapa, que busca aumentar a participação de insumos biológicos no controle de pragas, a promoção do crescimento, o suprimento de nutrientes, a substituição de antibióticos e a aplicação agroindustrial em sistemas de produção convencional e de base ecológica.

Os pesquisadores estudam agora a viabilidade da aplicação do Acera por drones.

Lançamento

O lançamento oficial do Acera será dia 9 de fevereiro de 2021, às 19 horas. A transmissão do evento será feita  ao vivo pelo Canal YouTube da Embrapa.

Sandra Brito (MTb 06.230/MG)

Embrapa Milho e Sorgo

Contatos para a imprensa

Saiba mais…

2RHS2Nx?profile=RESIZE_710x

O movimento de queda nos preços dos lácteos no atacado e Spot, iniciado na segunda metade de dezembro, manteve-se neste início de 2021.

Com isso, os Conseleites projetam nova queda no preço do leite ao produtor para fevereiro.

Janeiro também foi marcado por forte valorização nos preços de milho e farelo de soja. 

Veja essa análise completa na nova edição do Boletim de Preços disponível no site do Centro de Inteligência do Leite.

Informativo periódico de divulgação de publicações técnicas do Centro de Inteligência do Leite - CILeite.
Equipe: Alziro Carneiro, Denis Teixeira, Fábio Diniz, Glauco Carvalho, João César de Resende, José Luiz Bellini, Kennya Siqueira, Lorildo Stock, Manuela Lana, Marcos Hott, Paulo Martins, Ricardo Andrade, Samuel Oliveira, Walter Magalhães Júnior.
O conteúdo do CILeite pode ser reproduzido, desde que seja citada a fonte da publicação.

Saiba mais…
9847001665?profile=originalO II Congresso Mundial sobre Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que seria realizado no mês de junho do ano passado em Campo Grande, MS, não aconteceu devido a pandemia de coronavirus, já tem uma nova data: a Comissão Organizadora decidiu realizar o evento de forma 100% digital durante os dias 4 (terça-feira) e 5 (quarta-feira) de maio. A secretária executiva da Comissão Organizadora, pesquisadora da Embrapa Gado de Corte, Lucimara Chiari, garante que o evento será dinâmico, com palestras mais curtas e sem perda de conteúdo.

No Congresso serão tratados temas como desafios e oportunidades para ILPF no mundo, soluções e demandas das empresas do agronegócio, cenários e tendências da ILPF, soluções e demandas de produtores, políticas públicas, inovação entre outros. Para apresentar e discutir os temas o Congresso contará com especialistas de vários países como dos EUA, Europa, Austrália e América Latina. 

O objetivo do Congresso é propiciar um fórum de discussão, com aprofundamento teórico e aplicações práticas sobre aspectos tecnológicos e de sustentabilidade econômica e ambiental de sistemas agrícolas consorciados que combinem a produção integrada da lavoura, da pecuária e da floresta na mesma área e com uso eficiente de insumos, que são fundamentais para a segurança alimentar no futuro.

“A nossa expectativa é reunir, em dois dias, cerca de mil pessoas e proporcionar muita troca de conhecimento e experiência, informações atualizadas da pesquisa com a ILPF, apresentar o que tem sido feito, resultados obtidos, experiências vivenciadas por produtores, além de debatermos inovações, sustentabilidade e segurança alimentar”, ressalta Lucimara Chiari.
A pesquisadora informa que o evento será totalmente virtual, auditório, feira de estandes, acesso aos pôsteres lembrando-se da oportunidade de se formar uma rede de relacionamento. “Os sistemas de ILPF representam uma tecnologia de extrema importância no Brasil e no mundo e por esse motivo não desistimos de continuar com as ações para a realização do Congresso mesmo na pandemia”, diz Chiari. 

A participação no evento será feita por meio de inscrição. Está garantido o certificado de participação. Para saber mais como validar a participação o interessado deverá entrar na página: https://www.wcclf2021.com.br/inscricao
O II Congresso Mundial de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta é uma realização do Mapa, Embrapa, Rede ILPF, Famasul e Semagro.


Informações gerais sobre o evento podem ser conhecidas clicando aqui 

Eliana Cezar Silveira (15.410/SSP-SP)

Embrapa Gado de Corte

Contatos para a imprensa

Telefone: 67 3368-2142

Saiba mais…

9847001059?profile=original*Alessandra Corallo Nicacio

Provavelmente você já ouviu falar sobre produção in vitro de embriões. Mas você sabe o que é e como ela pode ser utilizada a favor da produção animal? Então, é sobre isso nossa abordagem. 

Produzir um embrião in vitro envolve algumas etapas e processos. Para começar é preciso coletar óvulos de uma fêmea (que vamos chamar de doadora), os quais passarão por um processo chamado maturação in vitro para que possam ser fecundados. Depois, utiliza-se sêmen de um touro previamente escolhido. Esse sêmen pode ser congelado, fresco, resfriado, sexado, tanto faz. O sêmen também é tratado para selecionar somente espermatozoides viáveis. Então, óvulos e espermatozoides são incubados para que ocorra a fecundação. E, depois da fecundação, os presumíveis zigotos são incubados (ou cultivados) para o desenvolvimento inicial dos embriões. Todos esses processos de maturação, fecundação e cultivo acontecem em placas de cultivo celular, com meios de cultura específicos para cada etapa, dentro de estufas próprias para o cultivo e desenvolvimento celular, com temperatura, umidade e atmosfera controladas. Ao todo, o processo demora cerca de dez dias e, então, os embriões podem ser transferidos para vacas (que vamos chamar receptoras) que irão gestar e parir os futuros bezerros. 

Essa é uma explicação bastante simplificada de todo o processo, apenas para mostrar que é um procedimento bastante elaborado, que requer habilidades, conhecimentos, equipamentos e muita capacitação técnica para ser realizado. Muitas pesquisas científicas foram e continuam sendo feitas para aprimorar cada uma dessas etapas. Afinal, cada detalhe, cada reagente, cada célula envolvida no processo é importante. 

Mas agora que falamos sobre o processo, precisamos comentar sobre sua finalidade. O objetivo de usar uma tecnologia como a produção in vitro de embriões não é apenas produzir mais embriões em menor tempo. Mais que isso, o que se pretende é produzir embriões de melhor potencial genético, a partir de óvulos e espermatozoides de animais de genética avaliada e selecionada, em maior quantidade e menos tempo. A ideia é utilizar doadoras e touros selecionados segundo critérios do melhoramento genético, para que os embriões produzidos tenham potencial genético melhorador, a fim de que o rebanho receba, a cada transferência de embriões, mais material genético selecionado.

E, nesse momento, é importante comentar o papel que cada animal tem nesse processo todo. O conceito de maximizar o uso de material genético de alguns indivíduos previamente avaliados é bastante difundido e entendido quando o assunto é o touro. Afinal, o impacto do reprodutor no rebanho é bastante conhecido, mesmo para quem trabalha em sistema de monta natural. Afinal, a relação touro-vaca é um conceito que todo produtor rural conhece bem. Quantos touros são necessários para cobrir o número de fêmeas em idade reprodutiva é uma informação que produtor e técnico têm na ponta da língua. E com isso fica claro o impacto que o touro tem no rebanho e na produtividade, a importância de adquirir touros saudáveis, com exame andrológico válido e, se possível, com avaliação genética. 

Mas, quando se trabalha com monta natural o impacto individual de cada fêmea na composição genética e produtividade do rebanho é pequeno. Com o advento das tecnologias de produção de embriões, esse quadro se modifica um pouco. A fêmea passa a produzir mais filhos em um período de tempo menor o que aumenta sua importância individual na composição genética do rebanho. Ao invés de produzir um bezerro por ano como na monta natural, a vaca passa a poder produzir um bezerro por semana pela produção in vitro de embriões, podendo causar um impacto bem maior na composição genética do rebanho. Além disso, a cada semana é possível fazer diferentes acasalamentos com cada fêmea doadora, gerando embriões com variação genética, permitindo a produção de mais indivíduos contemporâneos que poderão ser avaliados quanto ao desempenho, com maior pressão na seleção sobre esses animais. Tudo isso, permite maior velocidade à seleção e melhoramento genético, com incremento visível na qualidade do rebanho. E esse incremento na qualidade do rebanho é percebido no aumento de produtividade. 

Mas essa melhora não fica restrita aos rebanhos elite. Pois esses rebanhos elite produzem e vendem genética. São desses rebanhos que saem os touros que vão para as centrais de inseminação, que serão usados como reprodutores em inúmeras fazendas que usam a inseminação artificial. E aqui, já falamos em rebanhos comerciais, que utilizam a inseminação artificial para produzir animais para terminação e comercialização. E muitas dessas fazendas comerciais também vendem reprodutores para as fazendas que utilizam apenas a monta natural. Então, o fluxo dessa genética melhorada naqueles rebanhos elite que usam mais tecnologia chega a todos os produtores, mesmo o pequeno produtor, que pode ter acesso a touros melhores para a monta natural. Então, por mais que a produção in vitro de embriões pareça algo muito distante da sua realidade, tenha certeza, que ela não está tão longe assim!

*Pesquisadora em Reprodução Animal
 Embrapa Gado de Corte
 Contato:alessandra.nicacio@embrapa.br

Embrapa Gado de Corte

Contatos para a imprensa

Saiba mais…

9846998271?profile=originalImagens oblíquas e tecnologias de aprendizado profundo (deep learning), como as redes neurais computacionais, chamadas convolucionais, têm se revelado promissoras para a detecção e contagem de gado no pasto por meio de drones. É o que indicam resultados preliminares de estudos descritos no artigo Cattle Detection Using Oblique UAV Images (Detecção de gado usando imagens UAV oblíquas), publicado em dezembro pela revista Drones. A sigla em inglês UAV refere-se a veículos aéreos não tripulados (vants). É o primeiro estudo explorando a viabilidade do uso de imagens oblíquas para monitoramento de gado.

A aplicação de algoritmos de inteligência artificial ao processamento digital de imagens e os avanços dessas tecnologias vêm mostrando a viabilidade desse monitoramento por meio das aeronaves não tripuladas. “Entretanto, o uso prático ainda é um desafio, devido às características particulares dessa aplicação, como a necessidade de rastrear alvos móveis e as extensas áreas que precisam ser cobertas na maioria dos casos”, alertam os pesquisadores Jayme Garcia Arnal Barbedo e Luciano Vieira Koenigkan, da Embrapa Informática Agropecuária (SP), e Patrícia Menezes Santos, da Embrapa Pecuária Sudeste (SP), autores do artigo.

Os cientistas investigaram, então, o uso de um ângulo inclinado da câmera do drone para aumentar a área coberta pelas imagens, de forma a minimizar problemas no rastreamento. A captura das imagens sob uma visão oblíqua, ao ampliar a cobertura, reduz o número de voos exigidos para a atividade, especialmente em áreas extensas, e diminui os efeitos prejudiciais do movimento dos animais e das mudanças nas condições ambientais. Estudos que empregam vants para o monitoramento de gado quase sempre usam imagens capturadas na posição perpendicular ao solo.

No processo, os pesquisadores aplicaram uma arquitetura computacional de redes neurais profundas para gerar os modelos aplicados aos experimentos. Foram cobertos aspectos variados, como dimensões ideais das imagens, efeito da distância entre animais e sensor, efeito do erro de classificação no processo geral de detecção e impacto dos obstáculos físicos na precisão do modelo.

Resultados experimentais indicam que imagens oblíquas podem ser usadas com sucesso sob certas condições, mas têm limitações práticas e técnicas que devem ser observadas. Essas limitações referem-se às obstruções de visão, à determinação das bordas exatas da região considerada nas imagens, às distorções geométricas e de cores, entre outras. Investigações futuras devem incluir uma análise de custo-benefício para estimar vantagens potenciais das imagens oblíquas em comparação com as medidas necessárias para reduzir os obstáculos práticos.

Os experimentos foram realizados com o objetivo de detectar animais, uma etapa intermediária para a contagem do rebanho.

9846998493?profile=original

Contagem precisa


A parte prática do trabalho foi realizada nos sistemas extensivo, intensivo e de integração Lavoura-Pecuária (ILP) na fazenda Canchim, sede da Embrapa Pecuária Sudeste. Para 2020, estava prevista a coleta de dados em áreas com árvores e arbustos, mas a pandemia atrasou os experimentos.

Segundo Patrícia Santos, árvores, arbustos ou até a altura da pastagem podem dificultar a captação de imagens. “O animal fica escondido embaixo da planta, atrapalhando a contagem. Para gerar um modelo que corrija isso, seriam necessárias várias imagens em áreas com árvores e com plantas arbustivas diferentes e de formas heterogêneas. Qualquer coisa que possa cobrir a imagem, até mesmo a altura de um capim, deve ser considerada. Por exemplo, a pastagem muito alta pode esconder um bezerro”, explica. São muitas as variáveis que a máquina precisa aprender para que a contagem do gado seja a mais precisa possível.

A cientista conta que o papel da Embrapa Pecuária Sudeste é ajudar a identificar os gargalos que podem surgir quando o pecuarista aplicar a ferramenta no dia a dia da fazenda. Indicar qual é a real necessidade de um potencial usuário desse produto, além de estimar a margem de erro aceitável. “Um levantamento para fins de inventário não permite erro. Já no caso da contagem de gado para o manejo, pode ser um pouco mais flexível”, destaca Santos.

Os pesquisadores também ressaltam que é fundamental ampliar o conhecimento sobre essas técnicas, para que no futuro a tecnologia seja adotada com sucesso no campo. “Os resultados foram muito bons, mas ainda precisamos de mais avanços para conseguir gerar uma tecnologia apta a ser usada por produtores ou prestadores de serviços. Acredito que estamos no caminho certo”, avalia Barbedo. Ele estima que o monitoramento com drones para contagem automática dos animais ocorra em cerca de dois a três anos.

A metodologia pode ser usada também, no futuro, para o monitoramento voltado à saúde animal, como a detecção de doenças e anomalias e eventos como prenhez. Para esse caso, o horizonte é de cinco anos.

Modelos computacionais

9846998901?profile=originalAs pesquisas voltadas à detecção e contagem de bovinos por meio de imagens capturadas por drones tiveram início em fevereiro de 2019, com vigência de dois anos. Contam com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Os recursos de cerca de R$ 175 mil foram investidos, principalmente, na aquisição de drones e equipamentos para processamento de imagens.

Nos estudos, conduzidos pela Embrapa em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e as Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), a equipe capturou um grande número de imagens aéreas de animais das raças Nelore (Bos indicus) e Canchim – cruzamento entre as raças Charolês (Bos taurus) e Nelore, na fazenda da Embrapa. Em seguida, usou algoritmos para classificá-las e extrair as informações de interesse. No caso de monitoramento de gado, as aplicações incluem detecção e contagem de animais, reconhecimento de espécimes, medição da distância entre a vaca e o bezerro, e determinação do comportamento alimentar.

Essas informações contidas nas imagens são extraídas por meio de modelos computacionais de aprendizado de máquina (machine learning) que utilizam conceitos de segmentação semântica e de instância, detecção de objetos e mapeamento de calor. As técnicas de aprendizado profundo são semelhantes àquelas usadas em sites que solicitam ao usuário a identificação das imagens de faixa de pedestres ou de semáforos, por exemplo, antes de acessar informações consideradas de uso restrito. Ou seja, é preciso treinar a rede neural com milhares de exemplos, ensinando o computador a reconhecer os objetos de forma automática.

Dois artigos, publicados na revista Sensors, apresentam os modelos de detecção e contagem desenvolvidos, além dos resultados preliminares já obtidos.

O primeiro, Counting Cattle in UAV Images-Dealing with Clustered Animals and Animal/Background Contrast Changes (Contagem de gado em imagens de UAV - Lidando com animais agrupados e alterações de contraste de animal/fundo), tem autoria de Barbedo, Koenigkan e Patrícia Menezes e da pesquisadora da FMU Andrea Roberto Bueno Ribeiro.

O artigo propõe um algoritmo capaz de fornecer estimativas precisas para a contagem dos animais, mesmo em condições difíceis, como presença de animais agrupados, mudanças no contraste entre estes e antecedentes, o que é comum devido à heterogeneidade das fazendas de gado, e variações de iluminação. Algumas situações se mostraram desafiadoras, especialmente a falta de contraste entre os animais e o fundo, o movimento deles, grandes aglomerados de animais e a presença de bezerros.

Segundo os autores, novas soluções para rastreamento de animais serão investigadas em experimentos futuros. Os esforços também devem ser direcionados para a captura de imagens de outras raças de gado, tornando possível estender a aplicabilidade do algoritmo. Embora o algoritmo descrito no artigo tenha sido desenvolvido em função da contagem de gado, a metodologia pode ser adaptada a outras aplicações como detecção de navios ou de tendas em campos de refugiados, entre outras.

O segundo artigo da Sensors, A Study on the Detection of Cattle in UAV Images Using Deep Learning (Um estudo sobre a detecção de gado em imagens de UAV usando aprendizado profundo), foi escrito por Barbedo, Koenigkan, Thiago Teixeira Santos, também da Embrapa Informática Agropecuária, e Patrícia Menezes.

Nesse estudo, os experimentos envolveram 1.853 imagens contendo 8.629 amostras de imagens de animais. Com isso, foram treinados 900 modelos de redes neurais convolucionais, permitindo uma análise profunda dos diversos aspectos que impactam a detecção de gado usando imagens aéreas capturadas por drones. Os objetivos foram determinar a maior precisão possível que poderia ser alcançada na detecção de animais da raça Canchim, visualmente semelhante aos Nelore, além da distância ideal da amostra do solo para a detecção de animais e da arquitetura mais precisa.

9846999687?profile=original

Líder da pesquisa é um dos cientistas mais influentes do mundo

9846999897?profile=originalO pesquisador Jayme Garcia Arnal Barbedo (foto ao lado), da Embrapa Informática Agropecuária, está entre os 100 mil cientistas mais influentes no mundo, de acordo com levantamento da Universidade de Stanford (EUA) publicado no Journal Plos Biology. Outros 16 pesquisadores da Embrapa também fazem parte da lista, que considerou as citações da base de dados Scopus, com mais de 6,8 mil cientistas, para avaliar o impacto deles ao longo de suas carreiras e em 2019. Veja aqui a matéria com mais detalhes sobre esse estudo.

“O reconhecimento automático de doenças em plantas usando imagens digitais foi uma das primeiras linhas de pesquisa a que me dediquei na Embrapa. Na época, poucos grupos de pesquisa aqui e no exterior abordavam o tema, de modo que muitos de meus trabalhos foram pioneiros e serviram de inspiração para pesquisadores ao redor do mundo”, lembra Barbedo. “Isso confirma que os esforços despendidos nos últimos dez anos vêm de fato contribuindo para o avanço da agricultura e da ciência brasileira”, ressalta.

Acesse a reportagem completa clicando aqui

Nadir Rodrigues (MTb 26.948/SP)
Embrapa Informática Agropecuária

Contatos para a imprensa
informatica-agropecuaria.imprensa@embrapa.br
Telefone: (19) 3211-5747

Gisele Rosso (MTb 3091/PR)
Embrapa Pecuária Sudeste

Contatos para a imprensa
pecuaria-sudeste.imprensa@embrapa.br
Telefone: (16) 3411-5625

Fonte:https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/58844049/cientistas-usam-drones-com-cameras-inclinadas-para-monitorar-gado-no-pasto?link=agencia

Saiba mais…

Conjuntura do mercado do leite

2RHS2Nx?profile=RESIZE_710x

O ano de 2020 foi adverso por inúmeros fatores, abalado pela pandemia global da Covid-19. Mas foi um ano diferenciado quando se trata de rentabilidade na cadeia produtiva do leite. Todos tiveram incrementos de margens.

Nos últimos dois meses aumentou a preocupação no setor, com recuo nos preços dos lácteos no atacado, no Spot e anúncios de queda ao produtor.

Mas existem diversas informações positivas.

Veja essa análise completa na Nota de Conjuntura de janeiro de 2021 disponível no site do Centro de Inteligência do Leite. Confira!

Informativo periódico de divulgação de publicações técnicas do Centro de Inteligência do Leite - CILeite.
Equipe: Alziro Carneiro, Denis Teixeira, Fábio Diniz, Glauco Carvalho, João César de Resende, José Luiz Bellini, Kennya Siqueira, Lorildo Stock, Manuela Lana, Marcos Hott, Paulo Martins, Ricardo Andrade, Samuel Oliveira, Walter Magalhães Júnior.
O conteúdo do CILeite pode ser reproduzido, desde que seja citada a fonte da publicação.

Saiba mais…

Boletim CILeite: Conjuntura do mercado do leite

9846996654?profile=original

O ano de 2020 foi adverso por inúmeros fatores, abalado pela pandemia global da Covid-19. Mas foi um ano diferenciado quando se trata de rentabilidade na cadeia produtiva do leite. Todos tiveram incrementos de margens.

Nos últimos dois meses aumentou a preocupação no setor, com recuo nos preços dos lácteos no atacado, no Spot e anúncios de queda ao produtor.

Mas existem diversas informações positivas. 

Veja essa análise completa na Nota de Conjuntura de janeiro de 2021 disponível no site do Centro de Inteligência do Leite.

Clique aqui e acesse o link!

Saiba mais…

9846997452?profile=original

Processo de pasteurização lenta proporciona queijos artesanais saudáveis e com qualidade

 

Que tal pasteurizar o leite para produzir queijos artesanais com qualidade e segurança para o consumidor? Isso é o que mostra o vídeo da Embrapa publicado na terça (19) no YouTube, produzido em parceria com o Instituto de Laticínios Cândido Tostes, vinculado à Epamig.

Com foco principal nos pequenos produtores artesanais, o vídeo mostra o passo a passo do processo de pasteurização lenta, que é eficaz, simples e barato, consistindo no tratamento térmico do leite para eliminar os microrganismos que fazem mal à saúde, evitando a disseminação de doenças transmitidas pelo leite cru.

Com essa técnica, as características do leite são preservadas, permitindo a elaboração de queijos saborosos e saudáveis, com maior tempo de prateleira, além de evitar vários defeitos de fermentação indesejáveis. Esse processo ajuda a garantir queijos com mais qualidade e valor agregado, gerando mais renda para o produtor.

O vídeo demonstra que o processo pode ser realizado até mesmo numa cozinha doméstica, limpa e preferencialmente revestida com azulejos, com o fogão e geladeira disponíveis e utensílios e insumos simples e baratos, com cuidado na higiene de quem manipula e atenção na temperatura durante o aquecimento e resfriamento do produto.

Após o aquecimento controlado no fogão, monitorado com um termômetro, a colocação da panela com o leite no gelo faz a temperatura abaixar até os níveis indicados para cada tipo de queijo, 40°C para queijos sem fermento, como o queijo coalho e o frescal, e 32ºC a 34°C para queijos com fermento, como a muçarela, o minas padrão ou o queijo meia cura, por exemplo.

Em 2020, a Embrapa produziu com parceiros o vídeo sobre a produção de queijo coalho com higiene, também disponível no YouTube. Está acessível também, na Biblioteca Embrapa, um folder de 2018 sobre boas práticas na produção artesanal de queijo coalho.

Nova Legislação
É importante que os produtores atentem à nova legislação aprovada em 2019, que dispõe sobre a fiscalização na produção de produtos alimentícios de origem animal produzidos de forma artesanal.

Além de fiscalizar, o decreto nº 9.918, de 18 de julho de 2019, legisla sobre o selo Arte, que prevê que os serviços municipais e estaduais de fiscalização devem verificar os requisitos de boas práticas de fabricação e emitir o selo.

Mercado competitivo
A agricultura familiar responde por, aproximadamente, 64% do leite de vacas produzido, segundo dados do Censo Agropecuário de 2017.

“O produtor de queijo, que pretende manter-se em mercado competitivo como o atual, precisa garantir a oferta de produto que, além de saboroso e nutritivo, seja seguro para o consumidor”, explica a pesquisadora Karina Neoob, da Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), que atuou na coordenação técnica dos vídeos.

“Essas características são importantíssimas para conquistar o consumidor que, muitas vezes, elege um único fornecedor de queijos, pois faz questão de oferecer à sua família alimento saudável”, complementa.

Nota de esclarecimento - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Embrapa, Epamig e Instituto de Laticínios Cândido Tostes:

Os Queijos Artesanais são patrimônio imaterial brasileiro e um dos orgulhos da produção agroalimentar nacional. O país vem trabalhando para viabilizar a produção e a regularização dos estabelecimentos agroindustriais de pequeno porte, incluindo os artesanais. Entretanto, o Brasil ainda apresenta uma série de desafios, principalmente do ponto de vista sanitário, que ainda precisam ser superados. 

Avançamos muito do ponto de vista legal, principalmente após a publicação das Leis nº 13.680/2018 e 13.860/2019, incluindo o entendimento do que é um queijo artesanal e dos requisitos necessários para produzir de forma adequada. Nesse sentido, o queijo artesanal precisa, entre outros requisitos, ter como matéria prima um leite de boa qualidade e, quando feito de leite cru, vir de rebanho certificado como livre de tuberculose e brucelose, duas zoonoses ainda prevalentes no rebanho brasileiro. 

Vários estudos vêm demonstrando a contaminação de queijos artesanais de diversas regiões do Brasil por bactérias, o que inclui a Brucella (Miyashiro et al., 2007; Paneto et al., 2007; Azevedo et al., 2014; Souza et al., 2015; Freitas, 2015; Silva et al., 2016; Evangelista-Barreto et al., 2016; Medeiros et al., 2017; Silva et al., 2018; Martins, 2018; Bezerra et al., 2019). Esses trabalhos evidenciam a necessidade da certificação das propriedades como livres para as zoonoses ou a utilização de tecnologias que permitam a mitigação dos riscos sanitários. 

Pensando nisso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa, em parceria com a Embrapa, a Epamig e o Instituto de Laticínios Cândido Tostes, produziu este vídeo para a divulgação da pasteurização lenta, que é uma técnica barata e que pode ser utilizada na agroindústria de pequeno porte em todas as regiões do país. 

É importante destacar que os queijos produzidos a partir de leite cru são um produto tradicional de grande relevância cultural e econômica, inclusive tendo seu passo a passo representado em vídeo semelhante lançado pela Embrapa e parceiros em 2020, disponível na página da Embrapa no YouTube. Os dois vídeos já produzidos e os novos conteúdos em fase de produção integram um projeto amplo, com uma série de iniciativas com foco na disseminação de boas práticas na produção de leite e derivados em todo o país, construídas a partir de experiências com estudos de campo, bem como de forma participativa, a partir de demandas apontadas pelos próprios produtores.

O único objetivo deste vídeo é a divulgação de uma técnica que pode auxiliar os produtores que ainda não se certificaram como livres para brucelose e tuberculose, a atender à legislação vigente.



Saulo Coelho (MTb/SE 1065)

Embrapa Tabuleiros Costeiros

Contatos para a imprensa


Telefone: (79) 4009-1381

Saiba mais…

9846995099?profile=original

Em dezembro, os custos de produção do leite subiram 3,93% na comparação com o mês anterior.

Com este resultado, o custo de produção fechou 2020 com alta acumulada de 24,63%. A alimentação concentrada foi a principal responsável por puxar o índice, com aumento de mais de 50% no ano.

Veja a análise completa na nova edição do boletim ICPLeite/Embrapa, disponível no site do Centro de Inteligência do Leite. No informativo estão apresentadas as variações para cada grupo componente do custo de produção. Confira!

Acesse o site do Centro de Inteligência do Leite e aproveite.

Saiba mais…

9846993090?profile=original

Em 2020, a média de preços do leite ao produtor foi 22,6% maior que em 2019. Entretanto, o expressivo aumento de preços dos grãos piorou a relação de troca para o produtor que precisou de 8 litros de leite a mais para aquisição de uma saca de mistura concentrada a base de milho e farelo de soja em relação a 2019.
 
Acesse o site do Centro de Inteligência do Leite e aproveite.
Saiba mais…

9846993299?profile=originalO Núcleo de Transferência, Treinamento e Capacitação em Pecuária de Leite (Nutttec) da Embrapa Gado de Leite conferiu cerca de 17 mil certificados a produtores, técnicos e estudantes que concluíram seus cursos de EAD (Ensino à distância) em 2020. Esse número é 1.000% maior, comparado à 2019, quando foram emitidos 1.700 certificados. O principal motivo deste crescimento, como explica William Bernardo, supervisor do Nutttec, foi a iniciativa de oferecer cursos gratuitos, logo quando a Organização Mundial de Saúde declarou a pandemia pelo novo coronavírus: “Registramos 20.717 matrículas, sendo 11.051 certificados emitidos nesses cursos gratuitos motivados pela pandemia”.

Outra grande fonte de atração de interessados nos cursos EAD da Embrapa foi o Programa Jovens do Leite, instituído no ano passado, que atraiu 3.041 pessoas com 6.047 inscrições, com a emissão de 4.795 certificados. Já os demais cursos da Embrapa Gado de Leite (incluindo os cursos pagos) contabilizaram 1.749 inscrições, com 1.086 certificados emitidos.

Jovens do Leite – A Embrapa Gado de Leite oferece seis cursos presenciais, que estão temporariamente suspensos devido à pandemia. Quanto ao EAD, em 2020 foram oferecidos sete cursos. Em 2021, o EAD começa com a oferta de oito cursos (veja no quadro abaixo a relação com todos os cursos) além de outros que estão em elaboração e serão disponibilizados em breve no site da Embrapa Gado de Leite.

“Com relação a 2020, pode-se considerar que o Programa Jovens do Leite foi a grande novidade”, diz Bruno Carvalho, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite. Segundo ele, “o objetivo do Programa foi capacitar jovens do meio rural a se tornarem empreendedores de sucesso no agronegócio do leite, aumentando o desempenho técnico e econômico do empreendimento”. Ainda segundo Carvalho, “o Programa contribui também para a sucessão rural, fazendo com que os jovens permaneçam na atividade”.

Além dos sete cursos no formato EAD, totalizando 260 horas, os jovens (35 anos é o limite de idade para participar) puderam acompanhar sete “lives tira-dúvidas”, de duas horas cada, com especialistas. Para enriquecer o conteúdo técnico apresentado, o programa proporciona aos matriculados a oportunidade de participar de webinars com analistas e pesquisadores da Embrapa (atividade que será realizada em fevereiro deste ano).

Bernardo conclui que  neste ano serão disponibilizados novos cursos no formato EAD. “Iremos agregar inovações à plataforma para atender às demandas dos participantes”. Além disso, a Embrapa utilizará novas ferramentas de comunicação voltadas para o ensino à distância.

Cursos em pecuária de Leite – Além de oferecer cursos personalizados, atendendo às demandas do setor, A Embrapa Gado de Leite disponibiliza oito cursos em EAD e outros seis, presenciais. Veja a seguir:9846994301?profile=original

Para mais informações sobre os cursos da Embrapa Gado de Leite, acesse o site: www.embrapa.br/gado-de-leite/cursos

Rubens Neiva (MTb 5445)
Embrapa Gado de Leite

Contatos para a imprensa

Telefone: (32) 99199-4757



Mais informações sobre o tema

Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Saiba mais…

9846992476?profile=original

A intensificação das chuvas nesse período é propícia para a proliferação de diferentes microrganismos causadores de doenças, como a leptospirose, que acomete diversas espécies de animais, incluindo os bovinos. A infecção causa abortamentos em vacas no final da gestação na forma crônica da doença. Já na fase aguda, em bovinos jovens e adultos, ocorrem lesões renais que podem levar à falência renal e à morte.

 

De acordo com o médico veterinário Raul Mascarenhas, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos – SP), os prejuízos para o pecuarista estão associados principalmente ao abortamento. “Como ocorre apenas ao final da gestação, muito provavelmente a vaca irá permanecer mais de um ano sem produzir leite. Outro prejuízo é a perda do bezerro, que pode ser uma fêmea leiteira ou um animal de elevado valor genético”, explica Mascarenhas. O veterinário ressalta que ao evitar casos de abortamento, o produtor já paga o investimento de um ano em medidas preventivas adotadas.

A leptospirose é causada pela bactéria Leptospira spp, transmitida aos animais pela ingestão de pastagem contaminada ou contato com água ou solo encharcado contaminados. Em condições de baixa umidade ambiental e incidência direta de raios solares, essa bactéria só permanece viva por 30 minutos. Já em condições de alta umidade e de pH neutro ou levemente alcalino, a Leptospira pode sobreviver por semanas ou meses. Em meio aquoso, ela é capaz de se locomover até encontrar um hospedeiro, por esse motivo a leptospirose bovina é mais frequente nesta época de chuvas.

O veterinário recomenda fazer o diagnóstico de forma rotineira no rebanho em casos da presença da Leptospira spp nos animais de uma propriedade e também conhecer qual sorogrupo é predominante. Isso é feito por meio de exames de sangue.

“Por que isso é importante? Suponha que ao fazer exames de sangue nos animais, o sorogrupo mais comum encontrado seja o ‘Icteriohaemorrhagiae’, comum de roedores. Portanto, os ratos possuem um papel importante na transmissão da doença nesse rebanho. Ou pode ser que o sorogrupo predominante seja o "Hardjo", mais comum de bovinos. Nesse caso, a transmissão da doença ocorre principalmente por meio dos próprios bovinos”, esclarece.

Com essas informações o produtor poderá definir a melhor estratégia de controle e prevenção. Se o problema for a Leptospira transmitida por ratos, o pecuarista terá que fazer um controle mais eficiente de roedores, mantendo os ambientes limpos de restos de comida, uso de armadilhas, acondicionamento e proteção da ração em depósitos, higienização frequente das instalações, etc. Se a transmissão estiver ocorrendo entre os próprios bovinos, Mascarenhas aconselha que o produtor foque em medidas que evitem a infecção, como redução e cercamento de áreas alagadas, vacinação e tratamento dos animais.

A vacinação contra a leptospirose não impede a infecção, mas reduz os sintomas. Quando necessária, essa medida de prevenção deve ser adotada no mínimo a cada seis meses. No entanto, dependendo da média mensal de casos de abortamentos no rebanho, essa aplicação deve ser realizada em intervalos menores, a cada quatro ou três meses. Além disso, como existe associação de leptospirose com a época chuvosa, é recomendado programar uma das vacinações para um mês antes do início desse período. Já o tratamento é feito com a aplicação do antibiótico estreptomicina.

Gisele Rosso (Mtb 3091/PR)

Embrapa Pecuária Sudeste

Contatos para a imprensa

Mais informações sobre o tema

Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Saiba mais…

2RHS2Nx?profile=RESIZE_710x

Em dezembro, os custos de produção do leite subiram 3,93% na comparação com o mês anterior.

Com este resultado, o custo de produção fechou 2020 com alta acumulada de 24,63%. A alimentação concentrada foi a principal responsável por puxar o índice, com aumento de mais de 50% no ano.

Veja a análise completa na nova edição do boletim ICPLeite/Embrapa, disponível no site do Centro de Inteligência do Leite. No informativo estão apresentadas as variações para cada grupo componente do custo de produção. Confira!

Informativo periódico de divulgação de publicações técnicas do Centro de Inteligência do Leite - CILeite.
Equipe: Alziro Carneiro, Denis Teixeira, Fábio Diniz, Glauco Carvalho, João César de Resende, José Luiz Bellini, Kennya Siqueira, Lorildo Stock, Manuela Lana, Marcos Hott, Paulo Martins, Ricardo Andrade, Samuel Oliveira, Walter Magalhães Júnior.
O conteúdo do CILeite pode ser reproduzido, desde que seja citada a fonte da publicação.

Saiba mais…

9847014889?profile=original9847015889?profile=original

As perdas de produtividade de animais expostos a altas temperaturas e umidade não são tão silenciosas quanto parecem. E foi literalmente escutando as vacas que uma pesquisa liderada pela Embrapa Rondônia utilizou a bioacústica, ou seja, os sons emitidos pelos animais, para medir a frequência respiratória (FR). A equipe de cientistas validou um método inédito de avaliação desse parâmetro de conforto térmico, que utiliza gravadores digitais fixados ao cabresto dos animais, para mensurar de maneira prática, precisa e não invasiva o comportamento dos bovinos em pastejo.

O trabalho, realizado em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Universidade Federal de Rondônia (Unir), conta com o auxílio de um software gratuito para as análises. Com isso, é possível obter dados acústicos por um período de até 48 horas e sem a interferência humana. A metodologia foi validada para rebanho leiteiro Girolando – cruzamento entre as raças Holandês e Gir – tanto para novilhas como para vacas em lactação.

Segundo o professor da UFPel Eduardo Schmitt, trata-se de uma metodologia que pode se tornar forte aliada em avaliações de sistemas como Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), sendo possível identificar o nível de conforto ao qual os animais estão submetidos. Ao escutar a respiração dos animais, é possível saber se estão gastando mais energia com os mecanismos de dissipação de calor e, posteriormente, correlacionar essas informações com o desempenho. “Numa visão prática, essa medida pode auxiliar em pesquisas que ajudem a definir, por exemplo, quantos metros quadrados de sombra devem ser ofertados para os animais produzirem mais, de que forma essa sombra deve estar disposta na pastagem, entre outros fatores”, afirma Schmitt.

O professor explica que quando os bovinos são expostos a altas temperaturas eles precisam acionar mecanismos para dissipação de calor, como aumento da circulação de sangue na pele, aumento do suor e da frequência respiratória. Tudo isso representa um custo energético para o animal, que acarreta diminuição de produtividade, aumento de susceptibilidade a doenças, podendo resultar também em interferências na fertilidade. “Para avaliar as perdas e se precisamos interferir para melhorar as condições ambientais dos animais, a avaliação da frequência respiratória das vacas pode dizer muita coisa”, complementa Schmitt.

9847016080?profile=original

Método traz inovação à medição do conforto animal

A frequência respiratória é usada há décadas como um indicador de estresse térmico nos animais, fator que influencia diretamente na produção e reprodução do rebanho.  Mas a dificuldade sempre foi manter o monitoramento ao longo de todo dia, já que pelo método tradicional (visual), isso é feito observando os animais com a contagem dos movimentos do flanco. A avaliação visual apresenta algumas limitações, tais como dificuldade de avaliações no período noturno ou em áreas extensas de pastagem com a presença de obstáculos (como árvores, por exemplo) para visualização. Existe ainda a possibilidade de haver interferência dos observadores durante o período de avaliação.

A bioacústica também já tem sido utilizada para a caracterização do comportamento de bovinos, como quantificação do tempo de pastejo, ruminação, descanso e de ingestão de água. Mas essa é a primeira vez que a metodologia é validada para medir a frequência respiratória. Segundo a pesquisadora da Embrapa Rondônia Ana Karina Salman, é uma ferramenta valiosa para os pesquisadores que estudam o efeito do estresse térmico em bovinos em situação de pastejo. “Validamos com sucesso um método novo e sem precedentes, em que a frequência respiratória é mensurada a partir de áudios dos animais captados por gravadores de MP3, muito prático e simples de usar. O método acústico pode substituir o convencional de contagem dos movimentos do flanco por observação visual”, afirma Salman. 


9847015496?profile=original  A pesquisadora explica que para avaliar o conforto térmico dos animais é preciso monitorar, simultaneamente, parâmetros ambientais, como temperatura e umidade relativa do ar, e parâmetros fisiológicos, como temperatura corporal e frequência respiratória. Segundo ela, há poucos estudos sobre as respostas fisiológicas de bovinos ao estresse térmico e com resultados pouco confiáveis, dada à dificuldade do acompanhamento visual contínuo ao longo do dia. Outros métodos foram desenvolvidos para medir automaticamente a frequência respiratória, mas eles se restringiram a animais em estábulos e com equipamentos que exigem a conexão com a internet, ou seja, não serviam para animais na pastagem ou em locais sem acesso à internet. 

Outro ponto interessante é que para a raça Girolando, responsável por aproximadamente 80% do leite produzido no Brasil, ainda não há definição científica da zona de termoneutralidade, ou seja, a faixa de temperatura ambiente na qual os bovinos se encontram em conforto térmico. Esse cenário demonstra a necessidade de mais estudos e dados para que pesquisadores, técnicos e produtores, a partir de indicadores mais precisos, possam realizar as tomadas de decisão na propriedade, sobre quais medidas adotar e como minimizar o estresse térmico no sistema de produção, tornando-o mais eficiente.  

9847016477?profile=original

9847016268?profile=original

9847016882?profile=original

Renata Silva (MTb 12361/MG)
Embrapa Rondônia

Contatos para a imprensa

Telefone: (69) 3219-5011

Mais informações sobre o tema

Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Saiba mais…

9847014693?profile=original

Embrapa contribuiu diretamente para a formulação da proposta. Projeto vai para sanção presidencial

O Congresso Nacional aprovou nesta segunda-feira (21/12) a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA) que institui o Programa Nacional de Compensação por Serviços Ambientais (PNCSA) e o Fundo Federal de Compensação por Serviços Ambientais (FFCSA). O objetivo da medida é incentivar proprietários rurais a promoverem ações de conservação ambiental e ampliação da provisão de serviços ambientais, estabelecendo critérios para a implantação das iniciativas e pagamento ou compensação.

De autoria do deputado Rubens Bueno (Cidadania-PR), o substitutivo ao Projeto de Lei 5.028 foi relatado no Senado por Fabiano Contarato (Rede-ES) e retornou para a Câmara dos Deputados onde foi relatado pelo Deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), sendo aprovado por 298 votos a 2.

A Embrapa participou da elaboração, fornecendo subsídios técnicos às discussões para a criação da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais. A contribuição da Empresa ocorreu por meio de notas e pareceres técnicos e participação em audiências públicas relativos a diversos PLs relacionados a PNPSA, desde 2015. A posição técnica da Embrapa se concretizou por meio de Nota Técnica encaminhada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), sendo acolhida por todos os ministérios envolvidos e, com a participação das secretarias do Mapa, constituiu posição de governo.

O projeto tramitou na Câmara como PL 312/2015, recebendo aprovação em setembro de 2019, quando seguiu para apreciação do Senado Federal, se tornando o PL 5028/2019, sendo aprovado no dia 16/12/2020 e retornando para a Câmara dos Deputados para validação das alterações e inclusões feitas pelos senadores. No dia 21/12, o projeto foi aprovado pelos deputados na forma do substitutivo do Senado, seguindo agora para sanção presidencial.

A PNPSA institui pagamento, monetário ou não, a prestadores de serviços que ajudem a promover no âmbito de suas propriedades ações destinadas à preservação ambiental. De acordo com o texto, serviços ambientais são atividades individuais ou coletivas que favorecem a manutenção, a recuperação ou a melhoria de ecossistemas.  

A PNPSA considera como instrumento de pagamento pelos serviços ambientais: a elaboração de um plano ou programa de pagamento, assistência técnica e capacitação para que o agricultor consiga utilizar a política, permite a possibilidade de captação de recursos monetário ou não voltados para o pagamento de serviços ambientais, criação de um cadastro nacional de pagamento.

Participação e visão da Embrapa

A Embrapa participou da elaboração da PNPSA por meio de pareceres técnicos elaborados pelo Portfólio de Serviços Ambientais, processo intermediado pela Gerência de Relações Institucionais e Governamentais (GRIG) e Secretaria de Pesquisa e Desenvolvimento (SPD).

O presidente da Embrapa, Celso Moretti, destacou que a Embrapa tem contribuído com formulação e implementação de políticas públicas e marcos regulatórios, cumprindo seu papel de provedora de informações qualificadas. “Esta foi mais uma importante oportunidade de contribuição da ciência à atividade legislativa, com resultados para os produtores e para a sociedade. Os parlamentares reconhecem a capacidade da Embrapa em dialogar com os diversos atores, contribuindo para a busca do entendimento”, afirmou.

Moretti parabenizou as lideranças parlamentares envolvidas nesse processo: autores, relatores, frentes parlamentares e deputados e senadores que votaram pela aprovação do PL. “Esta política pública vem ao encontro de uma das agendas estratégicas da Empresa – a pesquisa e o desenvolvimento de soluções tecnológicas que contribuam para a Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, no âmbito do Plano ABC e dos acordos internacionais”, complementou o presidente da Embrapa.

Para Rachel Bardy Prado, pesquisadora da Embrapa Solos e presidente do Portfólio, a aprovação da PNPSA é considerada um avanço para o desenvolvimento sustentável do país, pois estabelece um diálogo e alinhamento entre agricultura e meio ambiente, seguindo o exemplo de diversos países da América Latina que possuem uma lei para regulamentar e nortear o Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA). Esse mecanismo faz a compensação monetária ou não para produtores que, de forma associada à produção agropecuária, atuam em prol da conservação ambiental.

“No âmbito municipal e estadual o país já possuía leis assegurando este tipo de compensação por serviços ambientais prestados, mas agora, por ser uma lei nacional, terá um impacto maior e poderá alavancar de vez no país este mecanismo que já ocorre em algumas regiões, como na Amazônia, com foco no carbono, e no Sudeste com foco na água, a partir do Programa Produtor de Água, da Agência Nacional de Águas (ANA)”.

A pesquisadora destaca alguns pontos positivos do PL como o fato de se tratar de um dos mais abrangentes apresentados no Congresso. Além disso, levou em conta recomendações de diferentes setores da sociedade, incluindo ministérios, como o do Meio Ambiente e o da Agricultura, organizações não-governamentais e setor empresarial. Também contou com o apoio das Frentes Parlamentares da Agricultura e Ambientalista.

Em termos mais específicos, a pesquisadora destaca a importância do Programa Nacional de Compensação por Serviços Ambientais (PNCSA) e do Fundo Federal de Compensação por Serviços Ambientais (FFCSA). “Em relação ao pagamento, por exemplo, prevê diferentes fontes de recursos pagadores como o Poder Público, organizações da sociedade civil ou agentes privados, pessoa física ou jurídica, de âmbito nacional ou internacional”, exemplifica. “É positivo também o fato de prever, além do pagamento monetário, a modalidade de melhorias sociais às comunidades rurais e urbanas,” acrescenta.

Mônica Matoso Campanha, da Embrapa Milho e Sorgo, secretária-executiva do Portfólio, destaca alguns pontos fortes do Projeto: a questão de considerar as populações de agricultores rurais e urbanos, a existência de um conselho para fazer a gestão do programa de pagamento e ter diferentes formas de se fazer o pagamento incluindo a participação dos agentes privados no processo. “As mudanças que tiveram nessa reformulação - o substitutivo do Senado, só contribuíram para melhorar mais o entendimento do PL, que foi aprovado rapidamente, por contemplar interesses tanto da agricultura quanto do meio ambiente”, explicou a pesquisadora.

 

Ações previstas na PNPSA

Entre as ações previstas estão a conservação e a recuperação da vegetação nativa, da vida silvestre e do ambiente natural em áreas rurais, de matas e florestas situadas em áreas urbanas e dos recursos hídricos (principalmente nas bacias hidrográficas com cobertura vegetal crítica).

Também terão prioridade, segundo o projeto, a formação de corredores de biodiversidade e o combate à fragmentação de habitats. A política trata ainda do manejo sustentável de sistemas agrícolas, agroflorestais e agrossilvipastoris que contribuam para captura e retenção de carbono.

Podem ser objetos da política as áreas cobertas com vegetação nativa; as áreas sujeitas a restauração ecossistêmica; a recuperação da cobertura vegetal nativa ou o plantio agroflorestal; as unidades de conservação de proteção integral; as áreas silvestres das unidades de conservação de uso sustentável, das zonas de amortecimento e dos corredores ecológicos; os territórios quilombolas e outras áreas legitimamente ocupadas por populações tradicionais; as terras indígenas, mediante consulta prévia aos povos indígenas; as paisagens de beleza cênica, prioritariamente em áreas especiais de interesse turístico; e áreas de exclusão de pesca.

Saiba mais sobre as contribuições da Embrapa ao PL acessando:

Embrapa contribui para a formulação da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais

 

Contribuições da Embrapa na formulação de outras proposições legislativas

Pesquisadores da Embrapa também contribuíram para chamado Marco Legal das Startups, que busca a desburocratização do setor. A Câmara dos Deputados aprovou, por 361 votos a 66, o texto-base do Marco Legal das Startups (Projeto de Lei Complementar 146/19), na forma do substitutivo do Deputado Vinicius Poit (Novo-SP).

De autoria do Deputado JHC (PSB-AL) e outros, o projeto enquadra como startups as empresas, mesmo com apenas um sócio, e sociedades cooperativas que atuam na inovação aplicada a produtos, serviços ou modelos de negócios.

As startups devem ter receita bruta de até R$ 16 milhões no ano anterior e até dez anos de inscrição no CNPJ. Além disso, precisam declarar, em seu ato constitutivo, o uso de modelos inovadores ou se enquadrarem no regime especial Inova Simples, previsto no Estatuto das Micro e Pequenas Empresas (Lei Complementar 123/06).

Outro resultado considerado positivo foi o Projeto de Lei Complementar (PLP) 137/20 que libera R$ 177,7 bilhões, atualmente retidos no Tesouro Nacional em 29 fundos setoriais, para o combate à pandemia e para a mitigação dos efeitos econômicos do novo coronavírus. Com atuação da Embrapa, CNA e Frente Parlamentar da Agricultura, um destaque aprovado pelos deputados excluiu da relação de 29 fundos públicos o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural (Fesr). A votação do PLP foi concluída no dia 18/12 e a matéria segue agora para aprovação no Senado Federal.

“Todos eles constituem instrumentos importantíssimos de política pública e setorial, ao financiarem a atividade produtiva e contribuírem para sua comercialização, além de prover garantias às exportações de todos os setores de atividade econômica”, diz a CNA em parecer técnico.

Saiba mais em: Câmara mantém recursos de fundos públicos para o agro

Maria Clara Guaraldo (MTb 5027/MG)

Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire)

Contatos para a imprensa


Telefone: 61 3448 1516

Mais informações sobre o tema

Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Saiba mais…

9847013257?profile=original9847014066?profile=original

Doença responsável por 25% das perdas econômicas na produção de caprinos e ovinos, a verminose é causa de mortalidade de animais e aumenta os custos de produção com medicamentos para vermifugação. Pesquisas da Embrapa estão em busca de uma alternativa de produto que possa ser usado como adubo orgânico nematicida, ou seja: provocar redução da contaminação de parasitas como o Haemonchus contortus nas pastagens e ainda favorecer o desenvolvimento do pasto.

A procura por bioinsumos para o controle da verminose nos caprinos e ovinos é motivada para reduzir o uso indiscriminado dos vermífugos químicos, que têm provocado surgimento de resistência dos parasitas e risco de contaminação aos produtos de origem animal e ao meio ambiente por resíduos da medicação. Como 95% da população parasitária está fora do organismo dos animais, no chamado ciclo de vida livre no solo e nas pastagens (na forma de ovos ou larvas), a estratégia de um produto aplicado ao solo para controle no pasto, sem danos ao ambiente, pode representar uma alternativa promissora em relação às estratégias de vermifugação.

Testes com resíduos agroindustriais foram realizados em diferentes etapas, com análise em laboratório (in vitro) e em avaliação com a forragem no solo, em casa de vegetação, onde é possível simular condições ambientais. A torta de mamona, resíduo da indústria de extração de óleo daquele vegetal, foi selecionada por possuir maior quantidade de nitrogênio por grama de amostra - pré-requisito para um bom adubo de forrageiras -, além de se apresentar in vitrocomo um bom nematicida. Diante dos bons resultados ela foi levada para uso no campo com animais sob pastejo. Com a utilização da torta de mamona, foi possível reduzir em 60% a contaminação dos animais em relação a um rebanho que pastejava em área não tratada.

Segundo a médica veterinária Hévila Salles, pesquisadora da Embrapa Caprinos e Ovinos (CE), a estratégia de um adubo com propriedades nematicidas pode favorecer um sistema de controle de verminose em diferentes vertentes: “Aumenta a biomassa vegetal diluindo-se a quantidade de larvas na vegetação; melhora a qualidade das pastagens em termos de teor proteico, o que repercutirá em melhor aporte nutricional para os animais, melhorando sua imunidade; pelo potencial efeito nematicida direto sobre os estágios de vida livre”, afirma. 

9847013893?profile=original

De acordo com a cientista, que nos últimos anos tem coordenado projetos de pesquisa para gerar alternativas biotecnológicas para produção de insumos, há vantagem no uso de produtos naturais em relação aos medicamentos sintéticos por serem, geralmente, de menor toxicidade e mais facilmente degradáveis no meio ambiente. 

“De maneira geral, as pesquisas têm buscado reduzir o uso de produtos sintéticos na pecuária objetivando avanços em diversos aspectos. E um deles é a redução da presença de resíduos de medicamentos nos produtos de origem animal a serem consumidos pelo homem, como a carne, o leite e seus derivados. Essa redução, além de contribuir para obtenção de alimentos mais seguros, também auxilia para melhor qualidade e preservação do meio ambiente, uma vez que os resíduos gerados são lançados no solo via fezes e urina dos animais tratados, podendo, por exemplo, levar à contaminação de águas subterrâneas. Assim, alternativas de controle da verminose que venham a reduzir o uso de vermífugos são bem-vindas, e o uso de produtos naturais é mais uma delas e que deve ser incorporada na estratégia de controle integrado de verminose”, ressalta. 

Após os testes, subprodutos da mamona, moringa e também de abacaxi entrarão em período de experimentos em campo em propriedades rurais, que deverão acontecer no período de 2021 e 2022. Essa última etapa de desenvolvimento da solução tecnológica já tem um incentivo: a proposta de desenvolvimento de um adubo orgânico nematicida foi selecionada, em setembro, entre as 28 vencedoras, no Ceará, do Programa Centelha, destinado a estimular a criação de empreendimentos inovadores - e receberá recursos de R$ 80 mil da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), via Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap).

Bioquímica no controle da verminose

Outro experimento foi conduzido com moringa, para verificação de propriedades nematicidas. Em uma descoberta pioneira, foram identificadas moléculas responsáveis pela atividade ovicida (capaz de eliminar ovos de parasitas)naquela espécie, o que pode contribuir com futuros medicamentos bioativos contra a verminose.

“Uma maneira de avaliar mais profundamente a qualidade das matérias-primas a serem utilizadas no desenvolvimento de bioinsumos é conhecer as moléculas responsáveis pela atividade desejada. No caso da moringa, conseguimos avançar na identificação de peptídeos ativos, responsáveis pela atividade ovicida da moringa”, informa a bióloga Márjory Sousa, que conduziu o experimento na Embrapa Caprinos e Ovinos, como atividade de seu doutorado em Biotecnologia pela Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio). “Assim, identificar essas moléculas permitiu também a seleção de ensaios de atividades mais específicas para o monitoramento da qualidade do processo de produção dos bioinsumos”, explica ela.

Para Hévila Salles, as pesquisas para identificação de moléculas naturais têm ótimo potencial para soluções tecnológicas que dificultem a resistência dos parasitas aos medicamentos anti-helmínticos. “Uma vantagem no uso de produtos naturais, em relação aos sintéticos, é que os sintéticos apresentam composição complexa e geralmente há mais de um princípio ativo envolvido com as propriedades observadas, o que dificulta o processo de seleção para resistência. Há também a possibilidade de associação de moléculas naturais a produtos sintéticos, melhorando a eficiência das drogas existentes no mercado o que pode representar o uso de doses menores de vermífugos”, explica a pesquisadora.

Outro potencial da identificação de moléculas com atividade anti-helmíntica, de acordo com a cientista, é o desenvolvimento de dietas bioativas, nas quais essas moléculas estariam presentes nos alimentos, que poderiam então ser indicados nas épocas do ano mais desafiadoras para a verminose, compondo uma estratégia nutricional para o controle da doença nos rebanhos.

9847014278?profile=original

Controle integrado de verminose

A estratégia de uso de bioinsumos no solo para controle da verminose no pasto, chamada Econemat, poderá se somar a outras recomendações necessárias para minimizar a doença, que abrangem cuidados com as instalações, nutrição animal, avaliação dos animais para aplicação adequada dos vermífugos. O chamado controle integrado da verminose é recomendado pela Embrapa para os rebanhos de caprinos e ovinos. Um detalhamento desse controle pode ser visto no portal Paratec, desenvolvido pela Embrapa, com apoio de instituições parceiras, para orientar produtores sobre os cuidados referentes a parasitoses nos rebanhos. 

Adilson Nóbrega (MTb 01269/CE)

Embrapa Caprinos e Ovinos

Contatos para a imprensa

Telefone: (88) 3112.7413

Mais informações sobre o tema

Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Saiba mais…