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O campo experimental da Embrapa Gado de Leite passará a contar com um sistema de produção intensiva de leite em Compost barn – estábulo cuja principal característica é possuir uma ‘cama’ de material orgânico que realiza a compostagem das fezes e urina dos animais e proporciona maior conforto. A inauguração do sistema ocorrerá às 10h desta quinta-feira, em Coronel Pacheco-MG, município próximo a Juiz de Fora, onde está localizada a sede da Embrapa Gado de Leite. Entre as presenças confirmadas para o evento estão o presidente da Embrapa, Celso Moretti, e dirigentes de entidades do setor.

Conforto animal – O Compost Barn da Embrapa leva o nome de “Vacas e Pessoas Felizes”. "Um animal feliz é bem alimentado, sadio, está num ambiente agradável e é bem tratado", explica o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins. Segundo o chefe-adjunto de Pesquisa & Desenvolvimento da unidade, Pedro Arcuri, além de promover o bem-estar animal, devido a um ambiente seco e climatizado, também proporciona uma rotina de trabalho mais confortável para produtor e empregados.  “Há muita tecnologia embarcada no sistema que a Embrapa está entregando. Câmeras e diversos sensores monitoram todo o ambiente, fornecendo informações sobre a temperatura, a atividade das vacas, iluminação etc. Nosso foco será a produção de conhecimento”. Tudo isso, segundo Arcuri, favorece o trabalho dos profissionais envolvidos e facilita a tomada de decisão do produtor.

A adoção do Compost Barn tem crescido entre os produtores nacionais. Já são mais de dois mil em funcionamento, mas há poucos resultados de pesquisa sobre a tecnologia. O sistema Embrapa tem capacidade para receber 100 vacas das raças Holandês e Girolando, além de um composto convencional para recria. Segundo Arcuri, a estrutura será fonte de pesquisas, gerando indicadores sobre a sua utilização em ambiente tropical, preenchendo uma importante lacuna.

Parcerias

A Associação Brasileira de Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL) é parceira no sistema de produção intensiva de leite da Embrapa. Agora, a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (ABCBRH) também se torna parceira e será dado início à avaliação genômica, o que irá impactar a predição de animais da raça e também da raça Girolando. Para que este Compost Barn se tornasse realidade, a instituição também contou com uma série de outros parceiros, entre eles empresas como a Microsoft e a TIM e três startups que participaram do Desafio de Startups do Ideas for Milk, provido pela instituição: Cowmed, Onfarm e Bionexus.

Rubens Neiva
Embrapa Gado de Leite

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O sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) implantado em apenas 15% da área de produção já é o suficiente para compensar todas as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) gerados pelos animais e pela pastagem, deixando um saldo positivo de carbono na fazenda. Esse resultado foi registrado em pesquisas conduzidas pela Embrapa Cerrados (DF), e comprovou que a produção de animais, árvores e lavouras/pastagem em um mesmo local tem um elevado potencial de gerar saldos positivos de carbono.

O estudo procurou averiguar a capacidade de o sistema ILPF compensar os GEEs emitidos pela atividade agropecuária, principalmente pela pecuária. O estudo utilizou duas áreas experimentais, com medições de balanço de carbono. Publicados em circular técnica, os resultados mostram que o componente arbóreo é fundamental para aumentar o estoque de carbono na propriedade.

Um sistema de ILPF com uma população de 417 árvores de eucalipto por hectare - distribuídas na forma de renques (linhas) em apenas 15% da área da propriedade - tem potencial para neutralizar as emissões de metano (CH4), produzido por fermentação entérica dos bovinos, e de óxido nitroso (N2O), proveniente do solo e das excretas (urina e fezes) dos animais.

“Para que haja a compensação das emissões de gases de efeito estufa, uma propriedade com mil hectares de pastagem, por exemplo, deve destinar 150 ha ao sistema ILPF com 417 árvores/ha e taxa de lotação de 1,7 cabeça/ha”, detalha o pesquisador da Embrapa Kleberson de Souza. Caso o sistema seja de integração lavoura-pecuária (sem as árvores), o produtor teria de destinar 850 hectares da mesma propriedade para conseguir a neutralização das emissões, considerando uma taxa de lotação de três cabeças por hectare.

O especialista observou também que a quantidade de árvores pode ser menor, desde que o sistema ILPF seja adotado na área total de produção. Nesse caso, é possível manter aproximadamente 70 árvores por hectare, com taxa de lotação de 1,7 cabeça/ha, isto é, 0,7 unidade animal (UA). A taxa de lotação diz respeito ao número de unidades animais (UA) que pode ser colocado por hectare e cada UA corresponde a 450 kg de peso vivo.

Os estudos foram realizados em experimento com ILPF implantado em 2009 na Unidade da Embrapa localizada em Planaltina (DF). Na área, foram feitas as medições de emissão de gases do solo, emissão de metano (CH4) por fermentação entérica dos animais e estoque de carbono do solo e da biomassa vegetal. As excretas dos animais emitem óxido nitroso (N2O) após serem depositadas no solo e, por isso, contribuem para aumentar as emissões de gases de efeito estufa na atividade pecuária. Embora tenha menor concentração na atmosfera, o óxido nitroso apresenta potencial de impacto 310 vezes maior quando comparado ao dióxido de carbono (CO2), além do tempo de permanência na atmosfera, de 150 anos.

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A importância das árvores no balanço

Os estudos comprovaram que para que se tenha um saldo positivo significativo de carbono é preciso que o componente florestal seja inserido no sistema de produção agrícola. Isso porque as árvores têm grande capacidade de armazenar carbono. “São menos comuns os casos em que os estoques de C no solo sob os sistemas agrícolas superam os estoques da vegetação nativa adjacente. Ou seja, é difícil obter saldo positivo de carbono caso o componente florestal não seja inserido no sistema de produção agrícola”, afirma o pesquisador Kleberson de Souza.

No experimento de ILPF da Embrapa Cerrados, uma única árvore do híbrido de Eucalyptus urograndis, com sete anos de idade, foi capaz de acumular, em média, 30,2 kg de C/ano (considerando 45% de C da massa seca de biomassa aérea da planta). Isso equivale ao sequestro de 110,5 kg de CO2/ano da atmosfera por cada árvore inserida no sistema. No sistema ILP, esse tipo de sequestro de carbono ocorre, em grande parte, devido ao sistema de raízes da pastagem e da palhada depositada sobre o solo, e tende a se estabilizar com o tempo.

Segundo os especialistas, se por um lado é possível dizer que um sistema ILPF será mais produtivo para sequestrar carbono da atmosfera quanto mais árvores por hectare o sistema tiver, por outro lado o produtor deve ter cautela para que um número excessivo de árvores não impacte negativamente os demais componentes, “especialmente a pastagem, devido à competição por luz, água e nutrientes”, ressalta a pesquisadora Karina Pulrolnik, também da Embrapa Cerrados.

Também participaram dos estudos os pesquisadores Roberto Guimarães JúniorRobélio MarchãoLourival VilelaArminda de CarvalhoGiovana MacielSebastião Pires e Alexsandra Duarte.

 

Juliana Caldas (MTb 4861/DF)
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Liliane Castelões (MTb: 16.613 /RJ)

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Após fechar 2018 praticamente estagnada (crescimento de 0,5%), a pecuária de leite não tem muitos motivos para se lamentar em 2019. Mesmo não sendo um ano de grande expansão do setor (o crescimento deve fechar entre 2% e 2,5%), o preço do leite pago ao produtor terminou o ano em torno de R$1,36, o que equivale a 0,33 centavos de dólar, com o câmbio a R$ 4,06 por dólar. Segundo o analista da Embrapa Gado de Leite Lorildo Stock esse é um preço razoável para o setor, equivalendo-se às cotações internacionais, o que não favorece a importação do produto. O analista informa que lá fora, a tonelada do leite está sendo vendida entre USD$ 3.100,00 e USD$ 3.300,00, abaixo do preço histórico de USD$ 3.700,00, o que mostra equilíbrio do mercado mundial em termos de oferta e demanda.

Ainda que os especialistas não vejam com euforia o ano que se inicia, os sinais de que a crise está ficando para traz ficam mais claros. “As previsões iniciais para o crescimento do PIB [produto interno bruto] em 2020 indicam alta de 2,3%, o que é baixo, mas é a melhor expansão dos últimos seis anos”, diz o também analista que integra a equipe de socioeconomia da Embrapa Gado de Leite Denis Teixeira da Rocha. Por esse motivo, espera-se uma recuperação um pouco mais forte do consumo, possibilitando algum repasse de preços ao longo da cadeia produtiva e melhores margens industriais. A retrospectiva do ano que se passou também mostra mais solidez da atividade leiteira.

2019 contou com preços superiores aos patamares históricos

O pesquisador da Embrapa Glauco Carvalho relata que o primeiro semestre de 2019 fechou com os melhores patamares de preços para os produtores de leite brasileiros, quando comparado a igual período dos últimos sete anos. “Além de receber preços melhores, houve um incremento importante na relação entre o preço do leite e o custo da alimentação dos animais”, afirma Carvalho. Na avalição dele, o milho e a soja, principais ingredientes utilizados na ração das vacas, permaneceram com preços relativamente baixos no primeiro semestre, o que segurou os custos de produção do leite.

A relação de troca ao pecuarista, medida pela quantidade de litros de leite necessária para comprar uma saca de 60 kg de concentrado, ficou em 34 litros, na média do primeiro semestre; queda de 24% em relação ao ano anterior. “Entretanto, no segundo semestre, essa trajetória foi se alterando, com um recuo nos preços do leite e o aumento no custo do concentrado”. Ainda assim, na média do ano, os preços pagos aos produtores em 2019 ficaram acima do patamar histórico, o que sustentou crescimento da produção.

Quanto à indústria, na visão de Carvalho, 2019 foi bem mais desafiador, sobretudo para aquelas empresas focadas em linhas tradicionais, como leite UHT, queijo muçarela e leite em pó. “O gargalo do ano tem sido o baixo nível do consumo doméstico e a dificuldade de repasse de preços ao longo da cadeia produtiva”, constata o pesquisador. Para ele, a elevada capacidade ociosa da indústria nacional leva a uma necessidade de maior captação para diluir os custos fixos, o que muitas vezes se traduz em focar mais na captação do que na própria margem de comercialização.

Um outro ponto de estrangulamento, segundo o especialista, refere-se à fragmentação da indústria, que acaba dificultando uma estratégia de comercialização com o varejista para sustentar um patamar mais rentável de preços. “O fato é que as empresas estão trabalhando com margens bem apertadas. O pior cenário é o do leite UHT, em que a relação de preços entre o atacado e o produtor ficou quase 18% abaixo dessa mesma relação em 2018”.

Ano de 2020 traz incertezas nacionais e internacionais

Os especialistas da Embrapa avaliam que o ano que se inicia traz componentes de incerteza, tanto no ambiente interno quanto no externo. Internamente, pesa a articulação política e como o Governo vai tocar a agenda de reformas, que os analistas consideram fundamental para o Brasil retomar níveis melhores de crescimento econômico e distribuição de renda. No contexto internacional, a peste suína ocorrida em 2019 na China pode ter reflexos também em 2020 já que a doença está atingindo outros países asiáticos.

O problema na suinocultura chinesa, que reduziu em 40% o número de suínos naquele país, provocou o aumento das exportações de carne para a China – o que elevou a demanda por soja e milho na pecuária de carne. Os preços desses insumos tendem a se manter mais pressionados. Além disso, as exportações brasileiras de milho estão batendo recordes. Carvalho informa que se tem ainda uma nova demanda oriunda de plantas de etanol de milho no Centro-Oeste brasileiro. Todos estes fatores colocam uma pressão alta no milho e, consequentemente, no concentrado para as vacas. “Pode haver muita volatilidade nos preços do concentrado até que seja definida a safrinha de milho no meio do ano”.

Do ponto de vista da oferta e demanda, em linhas gerais, o mercado brasileiro de leite se mostra bem equilibrado. A expansão da produção nacional perdeu força no final do ano passado, na comparação com 2018. Além disso, o volume de importação está relativamente baixo e, apesar do consumo estar fraco, não há excedente de produção que possa levar a uma queda nos preços. Pelo contrário, as cotações se sustentaram no último trimestre do ano, quando geralmente os preços caem.

“Nesse cenário, a expectativa é que 2020 comece com os preços do leite ao produtor em patamares superiores ao registrado em janeiro de 2019 e com uma trajetória de elevação mais alinhada ao padrão histórico, que difere da precoce e expressiva alta registrada em fevereiro daquele ano”, diz Carvalho. Produtos lácteos cujo consumo está associado a rendas mais altas, como queijos e iogurtes, tendem a ter um crescimento melhor em 2020. Mas o mercado de UHT ainda deve continuar complicado.

O pesquisador acredita, no entanto, que as grandes apostas do setor foram adiadas para 2021, quando se espera que o Brasil tenha um crescimento mais robusto, gerando mais empregos e elevando o consumo familiar de leite e derivados.

A crise e o ajuste da pecuária de leite no Brasil

Em 2018, a produção total de leite no Brasil cresceu 1,6%, com as regiões Sul e Sudeste respondendo, cada uma, por 34% da oferta nacional, estimada em 33,8 bilhões de litros. Aquele foi o primeiro ano de crescimento da produção desde 2014, quando foram produzidos 35,1 bilhões de litros. Em relação a 2017, o número de vacas recuou 2,9% enquanto a produtividade subiu 4,7%, chegando a 2.068 litros anuais por animal. Apesar de a produtividade brasileira continuar em patamar ainda relativamente baixo, houve um aumento importante desse indicador.

Existem mais de 350 municípios do País com produtividade média superior à da Nova Zelândia, de 4.000 litros por vaca. Em alguns desses municípios, essa produtividade atingiu volumes acima de 6.000 litros/vaca, o que equivale ao padrão europeu. Com o atual volume de produção, o Brasil já figura entre os três maiores produtores mundiais, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia. Para a equipe de Socioeconomia da Embrapa Gado de Leite, serão os avanços em competitividade que irão melhorar o posicionamento do País no mercado internacional.

No caso do leite inspecionado, segundo os pesquisadores, a produção de 2018 atingiu 24,4 bilhões de litros, o que correspondeu a 70% da produção total. Em relação a 2017, houve crescimento de apenas 0,5%. Os índices de 2019 ainda não vieram à tona, mas esse crescimento deverá ser superior, embora com um perfil de expansão distinto entre o primeiro e o segundo semestre. No primeiro semestre houve um aumento de 5% no volume de leite sob inspeção em relação ao mesmo semestre de 2018. Esse crescimento foi influenciado pela greve dos caminhoneiros, que afetou a produção em maio de 2018, mas também pela boa relação de troca ao produtor quando se analisa os preços de leite e de concentrado, o que estimulou a produção.

Quando os números do ano que se passou forem apresentados, o segundo semestre não deve registrar uma expansão sobre volume produzido em igual período de 2018. Isso se deve a três fatores. O primeiro é estatístico e refere-se à base de comparação: a produção do segundo semestre de 2018 foi um recorde histórico. O segundo é uma piora na relação de troca e das margens dos produtores, fator que desestimula a produção. Além desses influenciadores, o desempenho do período foi afetado pelo clima. O setor sofreu uma seca prolongada, a ocorrência de geadas no inverno e chuvas irregulares e abaixo da média em algumas regiões do Sudeste e Centro-Oeste, que devem comprometer a retomada da produção no pós-entressafra.

Rubens Neiva (MTb 5445/MG)
Embrapa Gado de Leite

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*Artigo publicado originalmente na Revista Balde Branco na edição de jan/2020

O IBGE divulgou recentemente os resultados definitivos do último Censo Agropecuário referentes ao ano de 2017. A partir dessa edição iremos apresentar algumas análises dos principais resultados desse levantamento de modo a construir um retrato atual do leite no Brasil, além de demonstrar sua evolução em relação ao estudo censitário anterior realizado em 2006.

Em 2006, o Brasil contava com 1,351 milhão estabelecimentos agropecuários que produziam leite. A produção era de 20,6 bilhões de litros a partir de um rebanho de 12,7 milhões de vacas ordenhadas, o que representava uma produtividade animal de 1.618 litros/vaca. Onze anos depois, em 2017, o número de estabelecimentos reduziu em mais de 174 mil (- 12,9%), chegando a marca de 1,176 milhão de produtores. O rebanho também reduziu, atingindo 11,5 milhões de vacas ordenhadas, queda de 1,2 milhão de animais (- 9,5%). A despeito do número de produtores e do rebanho terem reduzido, a produção de leite caminhou em sentido oposto, superando os 30,2 bilhões de litros (+ 46,6%), graças ao aumento da produtividade animal que cresceu em mais de 1.000 litros no período, registrando 2.621 litros/vaca (+ 62%). Neste período, outro fator que se alterou bastante foi o tamanho médio das fazendas. A produção diária passou de 42 litros para 70 litros/dia por estabelecimento (+ 67%). Por outro lado, o tamanho médio do rebanho, medido em vacas ordenhadas/estabelecimento, pouco se alterou, saindo de 9,4 para 9,8 animais/estabelecimento de 2006 para 2017. Portanto, o ganho observado na produção diária dos estabelecimentos foi sustentado por um aumento na produtividade dos animais e não pelo aumento de animais.

Em relação às regiões brasileiras, o Nordeste detém o maior número de estabelecimentos produtores de leite, enquanto o Sudeste apresenta a maior produção e também o maior rebanho de vacas ordenhadas no País. Já o Sul é campeão em produtividade animal. O Norte, por sua vez, é a região menos leiteira do Brasil, com os menores indicadores regionais nos quesitos produtores, vacas ordenhadas, produção e produtividade animal.

Apesar de serem responsáveis por 70% do leite brasileiro, as regiões Sul e Sudeste detêm 49% dos produtores e 56% do rebanho de vacas ordenhadas. Esses números resultam na maior produtividade animal encontrada nestas duas regiões, sendo também as regiões nas quais este indicador mais cresceu entre 2006 e 2017. No Sudeste, o número de produtores reduziu nesse período, assim como o número de vacas. Já no Sul, que apresentou a maior redução no número de produtores, o rebanho subiu um pouco no período, mostrando um aumento no tamanho médio das fazendas. No Nordeste, o número de produtores e o rebanho reduziram, enquanto que no Norte o movimento foi em sentido contrário, com aumentos nesses dois indicadores. No Centro-Oeste, o número de produtores teve pequena elevação, ao passo que o rebanho reduziu. Apesar dessas diferenças em termos de produtores e rebanho, em todas as regiões a produção de leite cresceu, assim como a produtividade animal, confirmando a tendência de evolução tecnológica pela qual a atividade leiteira nacional vem passando.

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Autores:

Denis Teixeira da Rocha – Analista da Embrapa Gado de Leite

Glauco Rodrigues Carvalho – Pesquisador da Embrapa Gado de Leite

João Cesar de Resende – Pesquisador da Embrapa Gado de Leite

Angela da Conceição Lordão - Gerente de Pecuária do IBGE

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Vale a pena investir em silagem?

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Estamos na segunda quinzena de fevereiro e muitos pecuaristas estão preparando silagem de milho para alimentar o rebanho durante a seca. O pesquisador André Pedroso, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP), faz algumas recomendações técnicas sobre esse processo, mas antes demonstra uma preocupação básica que os produtores devem levar em conta: vale a pena investir nesse tipo de alimento?

Ele explica que a silagem é uma das forragens mais caras e sua produção precisa ser planejada com muito critério. “Às vezes não se justifica. Depende do tamanho e nível de produção do rebanho,  da topografia, da capacidade de investimento em máquinas, entre outros fatores”, afirmou. Para tomar a decisão correta, é preciso fazer contas.

De acordo com André, há situações em que é mais vantajoso o pecuarista optar pela cana-de-açúcar ou outro volumoso de custo mais baixo, priorizando uma alimentação de menor risco e menor custo. “Não adianta produzir silagem, que é cara, com qualidade ruim”, alerta.

Como fazer 
Nesta época do ano, o pecuarista que planejou  a produção de silagem está colhendo o milho que foi plantado há aproximadamente cem dias. De acordo com o pesquisador, é muito importante que se pense no processo todo, e não apenas na colheita, picagem e no armazenamento. “O pecuarista precisa ter consciência e produzir uma lavoura de boa qualidade, como se fosse para a produção de grãos mesmo. Uma lavoura de milho de baixa qualidade vai afetar a produtividade da silagem, aumentando o custo final do produto”, explicou André.

Um cuidado que deve ser tomado é a definição do ponto de colheita. "O milho deve ser colhido quando a metade superior dos grãos está no ponto farináceo e a metade inferior ainda leitosa. Isto geralmente ocorre 30 dias após o  ‘ponto de pamonha’, sendo que as palhas externas das espigas normalmente já se encontram amareladas e os grãos do meio das espigas estão dentados", disse o pesquisador.

Segundo ele, para descobrir o ponto ideal o produtor deve partir algumas espigas ao meio e apertar os grãos medianos com os dedos, ou fazer um corte transversal no grão, para  poder avaliar.

“O ponto de colheita não deve ser determinado pelo aspecto visual da lavoura. Uma eventual deficiência de potássio no solo, por exemplo, pode fazer o pé de milho secar na parte baixa. O produtor acha que está na hora de colher, mas não está”, afirmou. Em casos de lavouras grandes, o ideal é fazer o plantio escalonado para que a colheita ocorra no momento certo ou optar por variedades mais precoces conjugadas às mais tardias.

De acordo com o pesquisador, depois de definido o ponto de colheita, o produtor precisa estar atento ao maquinário que vai utilizar. “As máquinas devem estar bem reguladas para uma picagem uniforme. O tamanho das partículas deve ser entre 0,5cm e 1cm. Por isso as lâminas devem estar bem amoladas.”

O enchimento e a compactação do silo devem ocorrer da forma mais rápida possível. A distribuição da silagem precisa ser constante, bem como a compactação de camadas finas. As camadas de milho picado devem ter no máximo 30cm a 40cm de espessura e todas precisam estar bem compactadas.

“Em silos tipo ‘trincheira’, a compactação deve ser feita com  tratores de pneu, sendo que o efeito da compactação é efetivo apenas na camada superior, de 30cm a 40 cm de espessura, de forma que a compactação deve ser feita de forma constante, à medida que a forragem é colocada no silo. É praticamente impossível melhorar a compactação de uma camada que não tenha sido compactada adequadamente, e que já tenha sido coberta por camadas subsequentes. A velocidade de chegada de forragem ao silo deve ser compatível com a capacidade de compactação. Silos que não possam ser fechados no mesmo dia devem ser enchido pelo ‘sistema de rampa’ para que as camadas de forragem que vão sendo compactadas no silo sejam isoladas do ar o mais rapidamente possível”, explica André.

Após o fechamento com lona de dupla face – branca na parte exposta e preta na parte de baixo, que fica em contato com a silagem –, começa o processo natural de fermentação e a produção de ácidos a partir de açúcares presentes na forragem ensilada. O pesquisador da Embrapa explica que o abaixamento do pH para aproximadamente 4 e a ausência de ar permite a conservação da silagem por período indeterminado. “Há casos de silagens mais antigas, bem conservadas, que têm mais qualidade do que silagens novas.”

A lona de dupla face evita a incidência de raios ultravioletas. Os produtores devem tomar cuidado para que animais não caminhem em cima dos silos, danificando as lonas.

Qualidade
Como produzir uma silagem de alta qualidade? Conforme André Pedroso antecipou, não adianta investir em silagem se a lavoura de milho não tiver qualidade técnica. O processo de produção  começa bem antes, com a análise de solo e um bom preparo da terra. Em seguida, o produtor deve escolher variedades de milho híbrido de alta produtividade.

“Sempre recomendo que o produtor tenha a assistência de um técnico capacitado, principalmente se for a primeira vez que vai produzir silagem”, disse André.

Problemas
Entre os problemas mais frequentes na produção de silagem está o uso de milho colhido antes da hora. Nessa situação, ocorre um processo conhecido como fermentação butírica, com um odor forte característico e corrimento de efluentes. As proteínas e energia da silagem se perdem e o animal não consome o alimento como deveria.

Outro problema comum é a colheita tardia, quando o milho apresenta teor de matéria seca excessivo. “Nesse caso haverá dificuldade na compactação, e muitas vezes a presença de bolsões de ar. Pode ocorrer a formação de mofo – visível ou não”, afirma André. Outro indicador desse problema é o aquecimento além do normal da silagem, provocando um processo chamado de “caramelização” do açúcar presente na forragem. Há alteração na cor – a silagem fica escura e exala um odor agradável, semelhante a chocolate. “Mas a qualidade é ruim”, reforça o pesquisador.

Ana Maio (Mtb 21.928)
Embrapa Pecuária Sudeste

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Feira aumenta espaço para Agro 4.0 e Embrapa leva Ideas for Milk ao evento pelo segundo ano consecutivo.

 

O Ideas for Milk estará presente na Expodireto 2020, que será realizada de dois a seis de março, na cidade de Não me Toque-RS. Representantes da Embrapa Gado de Leite, idealizadora da iniciativa com foco no Agro 4.0 que fomenta o surgimento de um ecossistema favorável ao desenvolvimento de startups para o agronegócio do leite, atenderão o público no Pavilhão Sete da feira. Junto com a Embrapa, participarão cinco startups que foram reveladas pelo Ideas for Milk:

Bionexus: Plataforma de monitoramento e gestão diária da qualidade do leite;

Intergado Criatech: Destinado aos produtores que fazem cria e recria, realiza o monitoramento diário de bezerras e novilhas;

Volutech: Equipamento que monitora volume e temperatura do leite em tanques de resfriamento;

Z2S: Conjunto de sistemas que promovem a limpeza automática dos equipamentos de ordenha;

Zeit: Dispositivo portátil para rastreabilidade e medida da qualidade do leite em campo.

Para as startups, esta é uma excelente oportunidade de fazer negócios.  A Cowmed, que monitora nutrição, saúde e reprodução do gado de leite, uma das vencedoras do Desafio de Startups do Ideas for Milk, participou da Expodireto 2019 e foi contratada pela Cotrijal (Cooperativa Agropecuária e Industrial). Este ano, a startup irá expor, no Pavilhão Cinco da feira, os resultados das ações que conduziu. 

Junto aos produtores de leite, a Cotrijal investe no Programa 4.0, do qual fazem parte a startup Cowmed. Em cinco meses, a cooperativa já colhe frutos na melhoria da qualidade do leite, aproveitamento de cios e redução da mastite. “Após um período de ‘choque’, as propriedades absorveram a tecnologia e os filhos dos produtores assumiram as responsabilidades na condução do Programa 4.0”, diz Renne Granato, gerente Coorporativo de Negócios da Cotrijal.

O chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite, Bruno Carvalho, ressalta que “a Cotrijal, junto com outras cooperativas, está abrindo as portas para a agricultura digital, agregando ao setor soluções em softwares, aplicativos mobile, internet das coisas, etc.” Um exemplo é a CCGL (Cooperativa Central Gaúcha), que irá repetir em 2020 o evento realizado no último ano no espaço da Cooperativa na Expodireto. As cinco startups do Ideas for Milk farão uma apresentação direcionada a técnicos e produtores da CCGL na tarde de quarta-feira (4/03).

Fórum Estadual do Leite – Cerca de 250 participantes são esperados no Fórum que irá ocorrer no Auditório Central na manhã do terceiro dia da Expodireto (quarta-feira, dia 4). A proposta é debater sobre as inovações para a produção leiteira. O chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo do Carmo Martins, apresenta às 10h a palestra “Como será a produção de leite no Brasil em 2030".

Soluções para o leite – O Ideas for Milk é uma inciativa da Embrapa Gado de Leite surgida em 2016 apenas com o Desafio de Startups. Em sua segunda edição, incorporou um hackaton, que leva o nome de Vacathon, reunindo estudantes de várias instituições de ensino. Também faz parte do Ideas for Milk a Caravana 4.0, na qual pesquisadores e analistas da Embrapa percorrem universidades em todo o país, realizando palestras sobre empreendedorismo, transformação digital e o negócio do leite, estimulando os jovens a formarem startups para atuar no segmento. Cerca de três mil estudantes de cursos como Agronomia, Veterinária, Zootecnia, Engenharias, Ciência da Computação, Matemática, Química, Administração e Economia são impactados anualmente.

A feira – A Expodireto é reconhecida como uma feira que reúne o que tem de mais atual em termos de máquinas e implementos agrícolas, produção vegetal e animal e serviços, facilitando o acesso do produtor. Nos 98 hectares, também abre espaço para a agricultura familiar, discute os principais temas de interesse do Agro, através de fóruns e palestras em dois auditórios, e aproxima empresas estrangeiras e brasileiras, com ampla programação na Área Internacional. Cerca de 300 mil pessoas devem visitar a feira este ano.

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Rubens Neiva
Embrapa Gado de Leite

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Boa pessoal,

Segue link sobre esta publicação da qual a Embrapa Gado de Leite teve a honra de participar. Belo resultados sobre esta tecnologia que cresce a cada dia.

No nosso capítulo, analizamos a economia de dois sistemas de ILPF instaladas em uma propriedade leiteira no município de Coronel Xavier Chaves.

Boa leitura

https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/50278106/embrapa-divulga-avaliacao-economica-de-sistemas-de-integracao-lavoura-pecuaria-floresta

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WebAmbiente, sistema de informação interativo e gratuito que auxilia na tomada de decisão do produtor na adequação ambiental da paisagem rural e apoia a implementação de políticas públicas relacionadas ao meio ambiente, como o Programa de Regularização Ambiental (PRA), está com uma nova funcionalidade. 

Além de abrigar o maior banco de dados já produzido no País sobre espécies vegetais nativas (cerca de 780) e de apresentar estratégias de plantio para recomposição ambiental, permitindo simulações online, a plataforma agora conta com a Biblioteca Digital. A nova seção reúne informações sobre experiências, manuais e guias, além de conteúdos multimídia e outras publicações sobre ações de recuperação ambiental já disponíveis.

Na Biblioteca Digital, as experiências se referem a publicações de estudos específicos sobre recuperação de áreas degradadas. Ao fazer uma consulta, o usuário pode realizar a busca de experiências utilizando filtros por bioma, por tipo de área a ser recuperada de acordo com a legislação, por estratégia e por técnica de plantio. No momento, mais de 230 experiências estão disponíveis e podem ser baixadas gratuitamente em arquivos no formato pdf, assim como os manuais e guias técnicos.

Segundo o pesquisador Felipe Ribeiro, da Embrapa Cerrados (DF), a expectativa com os novos conteúdos é complementar a oferta de informações do WebAmbiente. “A plataforma fornece as espécies vegetais, as estratégias e, agora, acrescentamos um acervo de informações de experiências de grupos de pesquisa que já fizeram plantios usando essas espécies e estratégias”, explica.

A analista da Embrapa Meio Ambiente (SP), Maria de Cléofas Alencar, ressalta que a equipe que trabalha diretamente na alimentação e no planejamento da plataforma convive com grande expectativa sobre a possibilidade de expansão do sistema. “Somente para exemplificar a amplitude, atualmente trabalhamos com 238 experiências de recuperação de áreas degradadas, em diversas estratégias de recomposição florestal, mas há centenas de testes e dissertações que ainda são passíveis de serem inseridas, uma vez que também são experiências”, diz.

Para Cléofas Alencar, ampliar a plataforma aumenta a possibilidade de orientação e sugestão ao produtor quanto aos caminhos a serem seguidos no planejamento da execução da recuperação ambiental das propriedades.

Sobre o WebAmbiente

Lançado em 2018 pela Embrapa, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e o Ministério do Meio Ambiente, a plataforma WebAmbiente envolve o trabalho de oito unidades de pesquisa, além de universidades e órgãos ambientais, que levantaram informações sobre espécies que ocorrem em cada bioma brasileiro e estratégias de recuperação ambiental. 

O analista da Embrapa Informática Agropecuária (SP), Alan Nakai, lembra que o WebAmbiente é voltado principalmente a produtores e técnicos de extensão rural. "Não é necessário conhecimento técnico específico para fazer simulações na plataforma. Mas se o usuário tiver alguma dúvida, o próprio sistema vai fornecer informações para auxiliá-lo", explica. Mais informações aqui.

Por meio do Serviço Florestal Brasileiro, o WebAmbiente também auxilia no cumprimento do Novo Código Florestal e apoia os Programas de Regularização Ambiental nos estados. No momento, está em discussão a inclusão desse conteúdo no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar).

Breno Lobato (MTb 9417-MG)
Embrapa Cerrados e Embrapa Meio Ambiente

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Marcos Vicente (MTB 19.027MG)
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9846979478?profile=originalNesse episódio, a pesquisadora da Embrapa Gado de Leite, Maria de Fátima Ávila Pires, dá dicas e informações sobre o queijo artesanal de Alagoa, suas características, qualidade e sobre o acompanhamento desse processo de produção pela Embrapa.

Confira esse e outros podcasts da Embrapa sobre as inovações da cadeia produtiva do leite! 

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Ficha Técnica:

Entrevistado: Pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Maria de Fátima Ávila Pires

Entrevistadora e produção: Rosangela Zoccal e Eliane Hayami

Edição e produção de imagens: Eliane Hayami e Adriana Barros Guimarães

EaD Moodle e Repileite: Vanessa Maia Aguiar de Magalhães e Luiz Ricardo da Costa

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9846982670?profile=originalApós fechar 2018 praticamente estagnada (crescimento de 0,5%), a pecuária de leite não tem muitos motivos para se lamentar em 2019. Mesmo não sendo um ano de grande expansão do setor (o crescimento deve fechar entre 2% e 2,5%), o preço do leite pago ao produtor terminou o ano em torno de R$1,36, o que equivale a 0,33 centavos de dólar, com o câmbio a R$ 4,06 por dólar. Segundo o analista da Embrapa Gado de Leite Lorildo Stock esse é um preço razoável para o setor, equivalendo-se às cotações internacionais, o que não favorece a importação do produto. O analista informa que lá fora, a tonelada do leite está sendo vendida entre USD$ 3.100,00 e USD$ 3.300,00, abaixo do preço histórico de USD$ 3.700,00, o que mostra equilíbrio do mercado mundial em termos de oferta e demanda.

Ainda que os especialistas não vejam com euforia o ano que se inicia, os sinais de que a crise está ficando para traz ficam mais claros. “As previsões iniciais para o crescimento do PIB [produto interno bruto] em 2020 indicam alta de 2,3%, o que é baixo, mas é a melhor expansão dos últimos seis anos”, diz o também analista que integra a equipe de socioeconomia da Embrapa Gado de Leite Denis Teixeira da Rocha. Por esse motivo, espera-se uma recuperação um pouco mais forte do consumo, possibilitando algum repasse de preços ao longo da cadeia produtiva e melhores margens industriais. A retrospectiva do ano que se passou também mostra mais solidez da atividade leiteira.

2019 contou com preços superiores aos patamares históricos

O pesquisador da Embrapa Glauco Carvalho relata que o primeiro semestre de 2019 fechou com os melhores patamares de preços para os produtores de leite brasileiros, quando comparado a igual período dos últimos sete anos. “Além de receber preços melhores, houve um incremento importante na relação entre o preço do leite e o custo da alimentação dos animais”, afirma Carvalho. Na avalição dele, o milho e a soja, principais ingredientes utilizados na ração das vacas, permaneceram com preços relativamente baixos no primeiro semestre, o que segurou os custos de produção do leite.

A relação de troca ao pecuarista, medida pela quantidade de litros de leite necessária para comprar uma saca de 60 kg de concentrado, ficou em 34 litros, na média do primeiro semestre; queda de 24% em relação ao ano anterior. “Entretanto, no segundo semestre, essa trajetória foi se alterando, com um recuo nos preços do leite e o aumento no custo do concentrado”. Ainda assim, na média do ano, os preços pagos aos produtores em 2019 ficaram acima do patamar histórico, o que sustentou crescimento da produção.

Quanto à indústria, na visão de Carvalho, 2019 foi bem mais desafiador, sobretudo para aquelas empresas focadas em linhas tradicionais, como leite UHT, queijo muçarela e leite em pó. “O gargalo do ano tem sido o baixo nível do consumo doméstico e a dificuldade de repasse de preços ao longo da cadeia produtiva”, constata o pesquisador. Para ele, a elevada capacidade ociosa da indústria nacional leva a uma necessidade de maior captação para diluir os custos fixos, o que muitas vezes se traduz em focar mais na captação do que na própria margem de comercialização.

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Um outro ponto de estrangulamento, segundo o especialista, refere-se à fragmentação da indústria, que acaba dificultando uma estratégia de comercialização com o varejista para sustentar um patamar mais rentável de preços. “O fato é que as empresas estão trabalhando com margens bem apertadas. O pior cenário é o do leite UHT, em que a relação de preços entre o atacado e o produtor ficou quase 18% abaixo dessa mesma relação em 2018”.

Ano de 2020 traz incertezas nacionais e internacionais

Os especialistas da Embrapa avaliam que o ano que se inicia traz componentes de incerteza, tanto no ambiente interno quanto no externo. Internamente, pesa a articulação política e como o Governo vai tocar a agenda de reformas, que os analistas consideram fundamental para o Brasil retomar níveis melhores de crescimento econômico e distribuição de renda. No contexto internacional, a peste suína ocorrida em 2019 na China pode ter reflexos também em 2020 já que a doença está atingindo outros países asiáticos.

O problema na suinocultura chinesa, que reduziu em 40% o número de suínos naquele país, provocou o aumento das exportações de carne para a China – o que elevou a demanda por soja e milho na pecuária de carne. Os preços desses insumos tendem a se manter mais pressionados. Além disso, as exportações brasileiras de milho estão batendo recordes. Carvalho informa que se tem ainda uma nova demanda oriunda de plantas de etanol de milho no Centro-Oeste brasileiro. Todos estes fatores colocam uma pressão alta no milho e, consequentemente, no concentrado para as vacas. “Pode haver muita volatilidade nos preços do concentrado até que seja definida a safrinha de milho no meio do ano”.

Do ponto de vista da oferta e demanda, em linhas gerais, o mercado brasileiro de leite se mostra bem equilibrado. A expansão da produção nacional perdeu força no final do ano passado, na comparação com 2018. Além disso, o volume de importação está relativamente baixo e, apesar do consumo estar fraco, não há excedente de produção que possa levar a uma queda nos preços. Pelo contrário, as cotações se sustentaram no último trimestre do ano, quando geralmente os preços caem.

“Nesse cenário, a expectativa é que 2020 comece com os preços do leite ao produtor em patamares superiores ao registrado em janeiro de 2019 e com uma trajetória de elevação mais alinhada ao padrão histórico, que difere da precoce e expressiva alta registrada em fevereiro daquele ano”, diz Carvalho. Produtos lácteos cujo consumo está associado a rendas mais altas, como queijos e iogurtes, tendem a ter um crescimento melhor em 2020. Mas o mercado de UHT ainda deve continuar complicado.

O pesquisador acredita, no entanto, que as grandes apostas do setor foram adiadas para 2021, quando se espera que o Brasil tenha um crescimento mais robusto, gerando mais empregos e elevando o consumo familiar de leite e derivados.

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Rubens Neiva (MTb 5445/MG)
Embrapa Gado de Leite

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9846981259?profile=originalNesse episódio, o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Alexander Machado Auad, dá dicas e informações sobre o inseto praga Cigarrinha das Pastagens que, consequentemente, tem causado grandes danos na produção de leite e carne no Brasil.

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Ficha Técnica:

Entrevistado: Pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Alexander Machado Auad

Entrevistadora e produção: Rosangela Zoccal e Eliane Hayami

Edição e produção de imagens: Eliane Hayami e Adriana Barros Guimarães

EaD Moodle e Repileite: Vanessa Maia Aguiar de Magalhães e Luiz Ricardo da Costa

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9846977256?profile=originalResumo ? O conhecimento do processo de produção do leite e fabricação do queijo é fundamental para padronização e qualidade do queijo artesanal. Com este objetivo, utilizando entrevistas estruturadas, foram identificadas as variáveis que compõem o sistema de produção de leite e as etapas do processo de fabricação do queijo artesanal de Alagoa-MG. Os parâmetros físicos (diâmetro e altura), físico-químicos (umidade, matéria gorda no extrato seco, proteína e cloretos) e sensoriais foram pesquisados nos queijos de seis produtores com 14 dias de maturação. A pesquisa de L. monocytogenes e Salmonella spp. e a contagem de Staphylococcus coagulase positiva (SCP) e coliformes foi realizada no leite cru, assim como no queijo recém-fabricado e após sete, 14, 21 e 28 dias de maturação dos mesmos seis produtores do município de Alagoa. A produção de leite no município de Alagoa se caracteriza por um sistema semiextensivo com suplementação no cocho durante todo o ano. A área de 90% das propriedades é inferior a 30 ha, sendo 2/3 destas áreas constituídas de pastagens [Urochloa (Brachiaria) decumbens cv. Basilisk] manejadas sem adubação. Os rebanhos são constituídos, na sua maioria, por vacas Girolando ou mestiças (58%), sendo que 42% das vacas em lactação produzem entre 11 e 15 litros leite/dia. Em 2015 90% das queijeiras produziram até 14.000 kg de queijo. As análises microbiológicas revelaram a presença de SCP e de coliformes totais e termotolerantes no leite cru e nos queijos, em contagens acima do limite máximo estabelecido pela legislação em algumas propriedades. O número total desses microrganismos apresentou uma tendência de queda com o decorrer da maturação do queijo. As análises da composição dos queijos indicam que o queijo artesanal de Alagoa pode ser classificado como de baixa umidade e gordo. Em relação às características sensoriais, os queijos apresentaram consistência tendendo a dura, textura tendendo a fechada sem olhaduras, cor interna amarelada, sabor moderadamente salgado e tendendo a picante, odor moderadamente pronunciado. Para a produção de queijos com qualidade e segurança microbiológica é necessária a implementação de boas práticas na produção de leite, incluindo programas de controle de mastite, brucelose e tuberculose, e de boas práticas na fabricação de queijos.

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Ano de publicação: 2019

Tipo de publicação: Fascículos de periódicos

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Bem-estar animal, nutrição adequada e cuidados com a saúde são fatores que interferem nos resultados reprodutivos do rebanho leiteiro e, consequentemente, impactam na produção de leite e nos lucros do produtor.

Para o produtor melhorar os índices do rebanho, o veterinário Marco Aurélio Bergamaschi, da Embrapa Pecuária Sudeste, recomenda a adoção de boas práticas de manejo focadas em bem-estar, alimentação balanceada e sanidade animal. Para ele, a reprodução só ocorre quando todas as necessidades forem satisfeitas.

Conforme Bergamaschi, o ideal é que aos 24 meses de idade a fêmea tenha o primeiro parto. A reprodução das vacas precisa ser regular, buscando intervalo entre partos de 12 meses. Para o pecuarista otimizar os lucros é importante também que  a lactação se mantenha por 10 meses.

Em relação à saúde, o produtor precisa de um plano de prevenção de doenças por meio de vacinação. Segundo ele, essa estratégia também deve abranger as doenças reprodutivas, principalmente brucelose e leptospirose. No caso do bem-estar deve-se garantir uma convivência harmoniosa entre homem e animal. “Bater e gritar é inconcebível em um sistema de produção”, ressalta. O rebanho também necessita ter à disposição sombra, água de qualidade e em quantidade suficiente, local de descanso e corredores livres de sujeira, buracos, pedras e tocos. “Se um animal passa por estresse térmico, a perda pode ser entre 20 e 30% tanto na reprodução, como na produção de leite, dependendo do grau de estresse a que foi submetido”, conta o veterinário.

A falta ou excesso de nutrientes pode causar prejuízos sérios aos animais. Por isso, uma dieta balanceada de acordo com as necessidades nutricionais de cada estágio é fundamental.

O acasalamento pode ocorrer por monta natural ou inseminação artificial (IA), dependendo do nível tecnológico adotado pelo pecuarista. Quando é realizada a IA, o trabalho de identificação do cio é feito pelo homem. Dessa forma, o profissional deve ser capacitado e atento para identificar os sinais.

A grande vantagem de um sistema de produção de leite é que os animais em lactação são manejados pelo menos duas vezes ao dia, no momento da ordenha. Nesse período, principalmente, o produtor deve ficar alerta para identificação do cio.

Em um manejo eficiente, faltando 30 dias para o parto, a vaca deve ser colocada em piquete separado, chamado de maternidade, com disponibilidade de pasto, sombra e água.

As boas condições corporais antes do parto contribuem para uma melhor performance no pós-parto. A atenção com a nutrição e sanidade é importante para garantir o futuro reprodutivo do animal.

Ainda, Bergamaschi chama atenção para o gerenciamento das informações relativas ao rebanho (datas de nascimento, acasalamento, secagem e parição, pesagens e controle leiteiro). De acordo com ele, é importante anotar todos os eventos ocorridos. Manter um relatório completo de cada animal da fazenda é recomendável para estabelecer a programação dos manejos necessários, tais como, secagem, vacinações pré-parto e acompanhamento da parição.

É relevante ter um programa de avaliação na propriedade. Uma vez por mês aconselha-se que as vacas sejam examinadas por um veterinário. A ideia é avaliar cada uma em seu estágio de reprodução. “De forma geral, as novilhas com idade e peso para reprodução são examinadas para verificar a maturidade sexual; é feito o diagnóstico de gestação nas fêmeas inseminadas; observa-se nas recém-paridas a involução uterina e as vacas sem histórico de acasalamento ou vazias são examinadas para diagnosticar problemas que as impedem de ficarem prenhas novamente, como a presença de infecções ou cistos ovarianos”, explica Bergamaschi.

Outro aspecto importante é a seleção genética do rebanho. Descartar os animais inferiores ou que apresentam problemas reprodutivos contribui para melhorar a produtividade da fazenda.

Para o veterinário, a partir do momento que o produtor adotar o manejo reprodutivo na fazenda, ele consegue obter resultados em um tempo relativamente curto, cerca de um ano.

Gisele Rosso (MTb/3091/PR)
Embrapa Pecuária Sudeste

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A eficiência da vacina contra clostridioses, aplicada nos primeiros meses de vida das bezerras, está sendo prejudicada devido a uma prática de manejo comum entre os produtores de leite: a aplicação de várias vacinas ao mesmo tempo. É o que prova uma dissertação de mestrado em Zootecnia, pela Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), realizada no campo experimental da Embrapa Gado de Leite (MG).

O mestrando Hilton Diniz e a equipe de pesquisadores verificaram interferência na resposta vacinal dos animais imunizados contra brucelose e clostridioses, quando vacinados simultaneamente. De acordo com Diniz, “a vacinação simultânea resulta em decréscimo significativo nos títulos de anticorpos contra doenças causadas por bactérias do gênero Clostridium”. Isso pode culminar em bovinos não protegidos contra essas afecções nas propriedades leiteiras. O mesmo estudo demonstra que a vacina contra brucelose não sofreu qualquer interferência na resposta imunológica, permanecendo eficaz.

Hipótese surgiu de relatos dos produtores

Segundo a professora da UFMG Sandra Gesteira Coelho, orientadora de Diniz nas pesquisas, a iniciativa para realização desse trabalho se deu a partir de alguns relatos de produtores de leite. “Quando visitamos fazendas, em várias regiões do Brasil, os produtores questionam a vacinação dos animais”, diz Coelho. De acordo com os pecuaristas, a vacinação costuma impactar negativamente no desempenho e saúde dos bovinos. “Isso tem feito com que algumas fazendas não realizem a vacinação.”

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Para a professora, situações como essa contribuem para “desacreditar” as vacinas. Algo semelhante tem acontecido na saúde humana. “Levados por notícias falsas e falta de informação, muitas pessoas têm deixado de vacinar as crianças, fazendo com que doenças que antes estavam controladas voltem a preocupar a população”, diz a especialista.

A pesquisadora da Embrapa Gado de Leite Wanessa Araújo Carvalho destaca que o que foi observado acerca da vacinação concomitante contra brucelose e clostridioses contribui para reforçar a necessidade de informar e conscientizar os produtores rurais sobre o impacto da sanidade na maximização de ganhos a longo prazo. “Manter o rebanho vacinado, de acordo com o calendário do Ministério da Agricultura e órgãos regionais especializados, significa diminuir o risco de perdas produtivas, além de reduzir a disseminação de doenças entre o rebanho e as pessoas responsáveis pelo manejo, contribuindo para um ambiente mais saudável”, afirma a pesquisadora.

As duas vacinas devem ser aplicadas separadamente

Sandra Coelho e a pesquisadora da Embrapa Gado de Leite Mariana Magalhães Campos coordenam o projeto “Efeitos da vacinação na resposta imune, parâmetros hematológicos, desempenho e comportamento de bezerras leiteiras”, no qual os experimentos para a dissertação de mestrado estavam inseridos. O trabalho foi aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Campos diz que a prática de aplicar vacinas com diferentes antígenos de uma só vez é algo comum na pecuária: “A administração conjunta das vacinas facilita o manejo, diminui o estresse dos animais e economiza tempo e mão de obra. As campanhas de vacinação em crianças também seguem modelo semelhante”, compara Mariana.

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No entanto, a pesquisadora alerta que o trabalho realizado pela UFMG em parceria com a Embrapa e a Universidade Federal de Lavras (Ufla) acende uma luz amarela em relação às vacinas contra brucelose/clostridioses. “Já é possível afirmar que elas não devem ser aplicadas conjuntamente”, enfatiza a pesquisadora. Nas conclusões da dissertação, Diniz afirma: “(...) a vacinação concomitante contra brucelose e clostridioses resultou em decréscimo significativo nos títulos de anticorpos contra Clostridium, o que resulta em animais não protegidos para essa afecção nas propriedades leiteiras (...) O protocolo sanitário das propriedades deve ser alterado, de forma que as vacinas contra brucelose e clostridioses sejam realizadas separadamente”.

Embora mais estudos sejam necessários para definir com segurança o intervalo adequado entre a aplicação de ambas as vacinas, a equipe sugere que o protocolo sanitário seja iniciado com a vacina contra clostridioses (com a bezerra aos três meses de idade). Um mês após, é realizada a segunda dose (reforço vacinal ou booster). Trinta dias depois, quando a bezerra alcançar cinco meses de idade, deve ser realizada a imunização contra brucelose. Essa recomendação atende às exigências do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), que estabelece como obrigatória a vacinação contra brucelose em todas as fêmeas bovinas, entre três e oito meses de idade. “Embora a mudança no manejo provoque o aumento de mão de obra, já que os animais precisam ser vacinados em tempos diferentes, é muito importante que o produtor siga essa recomendação para garantir a eficiência das vacinas”, diz Campos.

Outro dado da pesquisa toca diretamente nos resultados de desempenho dos animais, questionados pelos produtores. Segundo Diniz, a vacinação leva a um processo inflamatório local, que produz substâncias de ações sistêmicas, responsáveis pelo aumento da temperatura corporal e apatia nos animais. Por isso, os bovinos apresentam redução no consumo de alimento, resultante das alterações inflamatórias provocadas pela vacinação. Entretanto, elas são de curta duração (por volta de três dias) e não comprometem o desempenho dos animais. Ele é taxativo: “Não podemos deixar de vacinar os bovinos, precisamos controlar as principais enfermidades que acometem nossos rebanhos e evitar possíveis surtos, não existe perda de desempenho dos animais”.

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Rubens Neiva (MTb 5.445/MG)
Embrapa Gado de Leite

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Um dos primeiros estábulos construídos com a tecnologia “Compost Barn Túnel de vento”, foi visitado por um grupo de colegas da Embrapa Gado de Leite, professores do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Juiz de Fora, e técnicos da Emater-MG. Seu proprietário é um daqueles brasileiros que nos inspiram, unindo espírito empreendedor, paixão pelo que faz, e determinação para inovar. Melhor ainda, é um empresário que envolve sua família no empreendimento, demonstrando sua confiança no futuro.

Fomos conhecer mais da tecnologia “compost Barn”, o “estábulo-composto” na sua versão fechada, isto é, onde as vacas são mantidas sob um ambiente onde umidade, temperatura e luz são controladas. O que vimos foi um enorme galpão, 180 metros de comprimento, quase 20 metros de largura, contendo naquele momento 280 vacas holandesas, em pré-parto e nos diferentes estágios de lactação. O ambiente todo coberto por lonas translúcidas, numa das frentes uma parede de placas evaporativas, na outra extremidade um conjunto de exaustores, controlado por sensores de temperatura e umidade do ar no interior do galpão, mantendo a temperatura em 23oC. A cada 12 metros cortinas de lona penduradas no teto forçam a corrente de ar para próximo das vacas.

Ao caminharmos conversando com o proprietário e sua jovem equipe de técnicos, incluindo o casal de filhos, ao longo da área de “cama”, composta por serragem fina, percebemos que a vacada está limpa, calma, se alimentando, ruminando deitada, dormindo e algumas em atividade de manifestação de cio. O ambiente é praticamente inodoro.

Durante a visita, surgiram várias dúvidas, olhares de descoberta, pois o ambiente é também inusitado: a luz é artificial e relacionada aos indicadores reprodutivos. Na verdade, foi o consumo de energia elétrica o fator que decidiu em favor do uso do composto “fechado”, para reduzir em pelo menos à metade a conta da energia elétrica, quando comparado ao consumo de um composto “aberto”.

Mais ao final da visita, a grande questão: Estão arrependidos de usarem o composto fechado? Não! Sem essa escolha, a opção seria desistir da atividade leiteira. E como ocorre com todo empresário criterioso, vieram números, na forma de gráficos, tabelas e mesmo seu resultado financeiro. A propriedade ainda não alcançou seu equilíbrio, o rebanho precisa crescer; a genética está sendo adequada, assim como alimentação e reprodução, com consultoria profissional. Por outro lado, decisões para novos investimentos com recursos próprios já foram tomadas para a construção de uma nova sala de ordenha e mais um galpão. Os funcionários estão motivados com a nova tecnologia e contribuem de modo decisivo para manter os sinais vitais da parte mais sensível do sistema, depois das vacas: a atividade da cama, que tem que ser controlada diariamente, aerada com o implemento “Avassalador” para garantir temperatura e umidades corretas e com isso assegurar a higiene e o conforto aos animais.

No pouco tempo dessa visita, pudemos constatar que mais uma opção tecnológica se apresenta aos produtores profissionais de leite. A exemplo do que fizemos há mais de trinta anos com a tecnologia do estábulo Free Stall, a Embrapa Gado de leite estará se debruçando no desenvolvimento dessa nova tecnologia de produção intensiva de leite, associada à aplicação de tecnologias digitais e do conceito de internet das coisas. Mas, sem abdicar de estudos nos demais sistemas de produção, porque estaremos renovando nossas parcerias e abraçando novos parceiros. Queremos gerar indicadores tecnológicos que sejam adequados aos diferentes ambientes que temos no Brasil e com isso, reduzam o risco do investimento para os produtores, sempre em parceria, trazendo o futuro para o presente, oferecendo soluções para o leite 4.0.

Pedro Arcuri
Pesquisador da Embrapa Gado de Leite

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9846990887?profile=originalA Embrapa Gado de Leite produz cartilhas com linguagem adaptada a públicos específicos. Como consequência, favorece o aprendizado, o desenvolvimento tecnológico do campo, valoriza a atividade agropecuária e influencia no produto de melhor qualidade.

O conteúdo é trabalhado para atender, prioritariamente, o produtor de leite.

Para conhecer a mais nova cartilha: Cultivo e manejo da gliricídea para formação de banco de proteína, CLIQUE AQUI.

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IN76 e IN77 são o “Mapa da Mina”

As Instruções Normativas 76 e 77, em vigor desde junho passado, são a evolução da IN 51/2002. As novas INs dão ordem e clareza aos regulamentos anteriores, e irão promover avanços maiores e mais rápidos para a melhoria da qualidade do leite brasileiro, sem perder de vista que os indicadores estabelecidos nas novas regras não são ainda os ideais, mas os possíveis na atualidade.

Surpreendentemente, alguns produtores e algumas indústrias, e mesmo algumas organizações de classe têm-se mostrado refratários àquelas INs, usando diferentes argumentos e posicionamentos para atrasar ou impedir a entrada em vigor dos níveis, dos indicadores mais básicos de qualidade, que são a contagem bacteriana total (CBT) e a contagem de células somáticas (CCS).  E mais, sem promoverem meios de financiamento e capacitação para diversas boas práticas, dentre eles o programa “Mais Leite Saudável” mantido pela Ministra Tereza Cristina, com o apoio e a participação da maior parte das indústrias.

Quem reclama de preços baixos, de bruscas oscilações no mercado, e acha que não podem haver importações de leite, deveria ser defensor da implantação das INS 76 e 77, como um passo importante para o equilíbrio do mercado.  Já deveria estar defendendo padrões máximos de CBT, por exemplo, de 100 mil UFC/mL e de CCS de 400 mil/mL, sem falar da defesa da redução de resíduos químicos no leite. Isso porque, somente com estes níveis, e produção a baixo custo, será possível nos considerarmos competitivos no mercado internacional de lácteos.

Produtos lácteos brasileiros de qualidade, disponíveis no tanto no mercado interno quanto exportados, promoverão mais estabilidade para aqueles que produzem, trazendo sustentabilidade para toda a cadeia produtiva. Certamente outros fatores devem ser levados em consideração, porém a qualidade da matéria prima é fundamental.

Para o setor produtivo, a IN 77 esclarece e orienta a respeito dos programas de autocontrole (PAC). Várias empresas e órgãos públicos oferecem cursos e assistência para a efetiva implantação dos PACs. Estes devem ser encarados como investimentos, pois permitem a produção de lácteos que atendam às exigências dos consumidores, por produtos de melhor qualidade e nutricionalmente saudáveis. Ainda de acordo com a IN 77, análises devem ser realizadas diariamente, na recepção do leite cru, permitindo tomadas de decisão para que medidas corretivas sejam adotadas. Nesse sentido, equipamentos para tais análises, de fácil manuseio e de custo acessível, automatizados, com tecnologia digital nacional, já podem ser comprados no mercado, ressalvando que as análises devem seguir o Manual de Métodos Oficiais para Análise de Alimentos de Origem Animal, publicado pelo MAPA.

Resultados na melhoria da qualidade do leite vão depender da tomada de decisões, dos produtores aos laticinistas e distribuidores, pela implantação de programas de qualidade e treinamentos, para o exercício de controles nos processos e se necessário, para a adoção de medidas corretivas. A melhoria na qualidade do leite exige que a produção de leite e lácteos “da fazenda até o consumidor” seja praticada de fato como um processo contínuo, dependente de diferentes profissionais ao longo da cadeia produtiva e de suas decisões diárias. Portanto, todos permanentemente comprometidos com o objetivo de garantir a entrega de produtos ao elo seguinte desta cadeia com a qualidade recebida do elo que o antecedeu, mais o valor agregado pela sua contribuição. As INs 76 e 77 são o “mapa da mina” para o melhor funcionamento desse processo contínuo.

Pedro Braga Arcuri
Pesquisador da Embrapa Gado de Leite

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A eficiência da vacina contra clostridioses, aplicada nos primeiros meses de vida das bezerras, está sendo prejudicada devido a uma prática de manejo comum entre os produtores de leite: a aplicação de várias vacinas ao mesmo tempo. É o que prova uma dissertação de mestrado em Zootecnia, pela Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), realizada no campo experimental da Embrapa Gado de Leite (MG).

O mestrando Hilton Diniz e a equipe de pesquisadores verificaram interferência na resposta vacinal dos animais imunizados contra brucelose e clostridioses, quando vacinados simultaneamente. De acordo com Diniz, “a vacinação simultânea resulta em decréscimo significativo nos títulos de anticorpos contra doenças causadas por bactérias do gênero Clostridium”. Isso pode culminar em bovinos não protegidos contra essas afecções nas propriedades leiteiras. O mesmo estudo demonstra que a vacina contra brucelose não sofreu qualquer interferência na resposta imunológica, permanecendo eficaz.

9846981453?profile=originalHipótese surgiu de relatos dos produtores

Segundo a professora da UFMG Sandra Gesteira Coelho, orientadora de Diniz nas pesquisas, a iniciativa para realização desse trabalho se deu a partir de alguns relatos de produtores de leite. “Quando visitamos fazendas, em várias regiões do Brasil, os produtores questionam a vacinação dos animais”, diz Coelho. De acordo com os pecuaristas, a vacinação costuma impactar negativamente no desempenho e saúde dos bovinos. “Isso tem feito com que algumas fazendas não realizem a vacinação.”

Para a professora, situações como essa contribuem para “desacreditar” as vacinas. Algo semelhante tem acontecido na saúde humana. “Levados por notícias falsas e falta de informação, muitas pessoas têm deixado de vacinar as crianças, fazendo com que doenças que antes estavam controladas voltem a preocupar a população”, diz a especialista.

A pesquisadora da Embrapa Gado de Leite Wanessa Araújo Carvalho destaca que o que foi observado acerca da vacinação concomitante contra brucelose e clostridioses contribui para reforçar a necessidade de informar e conscientizar os produtores rurais sobre o impacto da sanidade na maximização de ganhos a longo prazo. “Manter o rebanho vacinado, de acordo com o calendário do Ministério da Agricultura e órgãos regionais especializados, significa diminuir o risco de perdas produtivas, além de reduzir a disseminação de doenças entre o rebanho e as pessoas responsáveis pelo manejo, contribuindo para um ambiente mais saudável”, afirma a pesquisadora.

As duas vacinas devem ser aplicadas separadamente

Sandra Coelho e a pesquisadora da Embrapa Gado de Leite Mariana Magalhães Campos coordenam o projeto “Efeitos da vacinação na resposta imune, parâmetros hematológicos, desempenho e comportamento de bezerras leiteiras”, no qual os experimentos para a dissertação de mestrado estavam inseridos. O trabalho foi aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Campos diz que a prática de aplicar vacinas com diferentes antígenos de uma só vez é algo comum na pecuária: “A administração conjunta das vacinas facilita o manejo, diminui o estresse dos animais e economiza tempo e mão de obra. As campanhas de vacinação em crianças também seguem modelo semelhante”, compara Mariana.

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No entanto, a pesquisadora alerta que o trabalho realizado pela UFMG em parceria com a Embrapa e a Universidade Federal de Lavras (Ufla) acende uma luz amarela em relação às vacinas contra brucelose/clostridioses. “Já é possível afirmar que elas não devem ser aplicadas conjuntamente”, enfatiza a pesquisadora. Nas conclusões da dissertação, Diniz afirma: “(...) a vacinação concomitante contra brucelose e clostridioses resultou em decréscimo significativo nos títulos de anticorpos contra Clostridium, o que resulta em animais não protegidos para essa afecção nas propriedades leiteiras (...) O protocolo sanitário das propriedades deve ser alterado, de forma que as vacinas contra brucelose e clostridioses sejam realizadas separadamente”.

Embora mais estudos sejam necessários para definir com segurança o intervalo adequado entre a aplicação de ambas as vacinas, a equipe sugere que o protocolo sanitário seja iniciado com a vacina contra clostridioses (com a bezerra aos três meses de idade). Um mês após, é realizada a segunda dose (reforço vacinal ou booster). Trinta dias depois, quando a bezerra alcançar cinco meses de idade, deve ser realizada a imunização contra brucelose. Essa recomendação atende às exigências do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), que estabelece como obrigatória a vacinação contra brucelose em todas as fêmeas bovinas, entre três e oito meses de idade. “Embora a mudança no manejo provoque o aumento de mão de obra, já que os animais precisam ser vacinados em tempos diferentes, é muito importante que o produtor siga essa recomendação para garantir a eficiência das vacinas”, diz Campos.

Outro dado da pesquisa toca diretamente nos resultados de desempenho dos animais, questionados pelos produtores. Segundo Diniz, a vacinação leva a um processo inflamatório local, que produz substâncias de ações sistêmicas, responsáveis pelo aumento da temperatura corporal e apatia nos animais. Por isso, os bovinos apresentam redução no consumo de alimento, resultante das alterações inflamatórias provocadas pela vacinação. Entretanto, elas são de curta duração (por volta de três dias) e não comprometem o desempenho dos animais. Ele é taxativo: “Não podemos deixar de vacinar os bovinos, precisamos controlar as principais enfermidades que acometem nossos rebanhos e evitar possíveis surtos, não existe perda de desempenho dos animais”.

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Rubens Neiva (MTb 5.445/MG)
Embrapa Gado de Leite

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Telefone: (32) 3311-7532

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Daqui a dez anos

Em junho as instruções Normativas 76 e 77 do MAPA entraram em vigor e, após quase vinte anos de negociações, os governos dos países do Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai) assinaram no dia 28, um acordo de livre comércio com os países da União Europeia. O Presidente Jair Bolsonaro definiu o acordo como “Histórico”.

No documento do governo brasileiro que resume o acordo, estão listados vários produtos que, em dez anos, terão acesso ampliado ao mercado europeu por meio de quotas: serão 30 mil toneladas de queijos (exceto mussarela); 10 mil toneladas de leite em pó, e 5 mil toneladas de fórmula infantil.

As primeiras reações ao acordo foram de cautela. No Senado Federal, declarações na primeira semana de julho realçavam a necessidade de “discutir a questão com associações de produtores rurais e de trabalhadores”, devido aos subsídios praticados pelos países europeus. Representantes da indústria consideraram a necessidade de rever tarifas para exportação e se reposicionar, criando novas estratégias de negócios. Pelo lado europeu, as principais entidades agrárias, como sindicatos e cooperativas, e dezenas de eurodeputados consideraram que o mesmo poderá afetar o setor agrícola de modo dramático, inclusive, desestimulando a sucessão familiar no meio rural.

A União Europeia é composta por 27 países que, juntos, são o maior produtor e um dos maiores exportadores de lácteos do mundo, com elevado consumo per capita de lácteos. Os dois blocos somados representam mercado de 780 milhões de pessoas, mais de 200 milhões no Brasil. Aqui, o consumo per capita é ainda baixo e isso atrai as grandes empresas laticinistas.
Há benefícios para produtores e indústria brasileiros? Sim, poderão acessar o rico mercado europeu, e com isso, qualquer outro mercado. Considerando o enorme mercado interno brasileiro, este estaria então garantido para aqueles produtores de leite de baixa qualidade? Não, porque o acordo estabelece que os países do Mercosul, por sua vez, irão liberar 91% das importações originárias da União Européia, permitindo que produtos europeus cheguem ao consumidor brasileiro com preços competitivos. Afinal, este é o interesse dos governos: garantir a entrega de alimentos seguros e de qualidade para os consumidores.

Portanto, a nova realidade está definida por normas para a qualidade do leite, mais um acordo de livre comércio com uma das maiores regiões exportadoras. Adequar a esta realidade começa exatamente com produtores e indústrias atingindo os indicadores de qualidade das INs e estabelecendo índices mais rigorosos para os próximos dez anos. Um primeiro exemplo: aumentando as exigências quanto às boas práticas, para evitar o uso indiscriminado de antibióticos e antiparasitários. A indústria pode apoiar os produtores na seleção dos medicamentos e na sua aplicação, via planos de qualificação e assistência técnica, para garantir que os seus produtos serão aceitos em mercados mais exigentes, ao mesmo tempo criando relações transparentes e fidelização de produtores e consumidores.

Para encerrar, mais uma data recente: dia 10 de julho, Dia da Pizza! Não é em Roma onde se consome mais pizzas no mundo, mas em Nova York, seguido por São Paulo. Esta é a dimensão do nosso mercado de lácteos. Para mantê-lo, em condições de competir globalmente, é necessário o cumprimento das INs, evoluirmos nos seus indicadores e integrando os elos da cadeia produtiva do leite. Assim, forneceremos produtos de melhor qualidade para os consumidores brasileiros, e ainda, daqui a dez anos, além das exportações para Rússia, Chile e países da África que ocorrem hoje, estaremos exportando para o mundo todo, Europa incluída.

O Mercosul é o principal fornecedor de produtos agrícolas, com a participação de 32% da pauta exportadora brasileira ou, cerca de14 bilhões de dólares em 2018. Do outro lado, a União Europeia é o maior investidor nos países do Mercosul.

Pedro Braga Arcuri
Pesquisador
Chefe Adjunto de Pesquisa Embrapa Gado de Leite

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