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MORINGA OLEIFERA PARA ALIMENTAÇÃO ANIMAL

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Foto: Árvore de moringa. Crédito: Leandro Ribeiro de Matos. 

A alimentação tem grande impacto no custo de produção animal sendo o milho e farelo de soja os ingredientes presentes em maior proporção na ração concentrada.

No período da seca, quando a qualidade das pastagens é reduzida, o uso de ração concentrada torna-se uma opção para manter a produção de leite porém, o alto custo deste insumo inviabiliza o lucro da atividade. Assim, os produtores deixam de fornecer quantidades adequadas de alimento, que permitam atender as exigências nutricionais dos animais, ocasionando a redução da produção de leite.

Em regiões onde a seca é mais intensa, a falta de alternativas para alimentação do rebanho pode levar a morte de alguns animais ocasionando um prejuízo ainda maior.

Neste contexto, o uso de forragens alternativas, de fácil cultivo e baixo custo podem contribuir significativamente para substituir os alimentos tradicionalmente utilizados e ainda suprir a necessidade de alimento para o rebanho leiteiro no período seco principalmente em propriedades familiares com produção de leite em pequena escala.  

A moringa (Moringa oleifera) planta de porte arbustivo pertencente à família Moringaceae tem sido estudada como alternativa de forragem para alimentação animal.

Originária do nordeste da Índia, sul do Himalaia, Bangladesh, Afeganistão e Paquistão, é uma planta que se adapta a uma ampla faixa de condições climáticas, desde regiões semi-áridas a regiões de clima tropical. Possui rápido crescimento atingindo 5 m de altura em pouco mais de um ano quando, em condições ideias de cultivo, começa a produção de frutos (ou vagens). Cada fruto produz, em média, 15 sementes.

A propagação da moringa é feita preferencialmente por sementes, apresentando boa taxa de germinação quando recém-colhidas, em condições de umidade adequada. A germinação ocorre entre cinco e 12 dias após a semeadura. Pode ser também propagada através de estaquia sendo recomendada a utilização de ramos com 1m de comprimento e 4 a 5 cm de diâmetro.

As folhas da moringa são ricas em proteína, caroteno, ferro e ácido ascórbico além de metionina e cistina, aminoácidos que normalmente estão deficientes na maioria dos alimentos. Outras partes da planta como as sementes, flores, raízes e frutos também são ricas em vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes que fazem com que a planta seja estudada para diferentes usos.

A moringa oleifera é classificada como PANC (planta alimentícia não-convencional) e suas folhas, flores e frutos verdes são consumidos na forma de saladas, chás e em preparos de bolos, pães, sopas, etc. As folhas frescas, secas ou o pó das folhas são comercializados em feiras principalmente em países dos continentes Africano e Asiático e aqui no Brasil normalmente são encontrados em lojas de produtos naturais.

A presença de vitaminas, minerais e substâncias antioxidantes faz da moringa uma planta de interesse para saúde humana sendo que diversas partes da planta tem sido estudadas para fins medicinais com resultados promissores no controle de diabetes, de doenças cardiovasculares e para a saúde da pele. O óleo e o extrato da folha de moringa são comumente encontrados em cosméticos para pele e cabelos.

Outra propriedade bastante estudada da moringa é o uso da semente para o tratamento de águas turvas. Quando a semente é macerada e dissolvida na água, ela promove a sedimentação das partículas de sujeira e microrganismos presentes na água promovendo a redução da turbidez e de bactérias.

Na produção agrícola, as pesquisas com extrato das folhas são voltadas para o aumento da produtividade em lavouras de grãos já que as folhas contém zeatina, hormônio de crescimento. Pesquisas do uso do extrato das folhas e de outras partes da planta também são realizadas para controle de doenças causadas por fungos em lavouras de tomate e feijão-caupi, por exemplo.  

Por florescer quase o ano todo, é utilizada como árvore melífera na apicultura sendo suas flores fonte de néctar de excelente qualidade para as abelhas. Além disso, características como a fácil adaptação da planta a diferentes condições de clima e solo, o rápido crescimento, a alta produção de material fresco e a boa composição nutricional torna a planta uma alternativa interessante para uso na alimentação animal.

Existem vários estudos que avaliam o uso da moringa para alimentação de vacas leiteiras. Normalmente as partes da planta utilizadas são as folhas e ramos que são podados, triturados e fornecidos frescos, na forma de silagem ou são secos e misturados ao concentrado. Para alimentação de aves, a recomendação é utilizar a  folha seca e triturada como ingrediente da ração.

A porcentagem de proteína da moringa varia de acordo com alguns fatores como idade, parte da planta e também frequência de corte, podendo variar de 15,7 a 22,1% em intervalos de cortes de 3 meses e de 5,5 a 7,9% em intervalos de corte de seis meses (BAKKE, 2010).

Apesar de conter menores teores de proteína bruta que a gliricídia e a leucena, a folha da moringa possui maior porcentagem de proteína sobrepassante (47% contra 30% da gliricídia e 41% da leucena) (BECKER, 1995 citados por SÁNCHEZ et al. 2006) e o uso para alimentação de vacas leiteiras mostrou aumento de 32% no ganho de peso e de 43-65% na produção de leite (MATHUR, 2006).

                 Estudos conduzidos pela Embrapa Pantanal recomendam o plantio adensado da moringa em espaçamento 0,5m x 0,2m, ou seja, 100 mil plantas/ha, onde a proporção de folhas é maior e os ramos possuem talos mais finos, com elevado teor de fibra degradável no rúmen.       O corte é feito quando o tronco apresentar em torno de 1 cm de diâmetro e, dependendo das condições climáticas, são realizados de oito a nove cortes por ano.  A moringa é fornecida na dieta como suplemento proteico sendo recomendado o seu uso na agricultura familiar com a cana-de-açúcar, que é um alimento energético.  Para uso no período seco do ano, mais crítico para atividade leiteira, é necessário que seja feito feno das folhas trituradas e utilizado 1 parte do feno da moringa para 9 partes de cana-de-açúcar. Já no período das águas, 1 parte das folhas frescas da moringa são trituradas e  misturadas com 3 partes da cana-de-açúcar (LISITA et al., 2018).

 

 

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Montagem:  Produção de folhas em árvore de moringa após a poda. 

Crédito: Pricila Vetrano Rizzo

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Montagem: Comparativo de amostras de água com e sem semente de moringa.

Crédito: Pricila Vetrano Rizzo

LITERATURA CITADA:

 

BAKKE, I. A. et al. Características de crescimento e valor forrageiro da moringa (Moringa oleifera Lam.) submetida a diferentes adubo orgânicos e intervalos de corte. Engenharia Ambiental, v.7, n.2, p.133-144, 2010.

 

LISITA, F. O. Cultivo e processamento da moringa na alimentação de bovinos e aves. EMBRAPA  Pantanal. Circular Tecnica, 2018. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/183491/1/CT119-Fred-moringa.pdf

 

MATHUR, B. Moringa for cattle fodder and plant growth. Trees for life. 2006.

 

SÁNCHEZ, N.R.; SPORNDLY, E.; LEDIN, I. Effect of feeding differnet levels of foliage of Moringa oleifera to creole dairy cows on intake, digestibility, milk production and composition. Livestock Science, v.101, p.24-31, 2006.

 

 MATERIAL COMPLEMENTAR:

 

https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/371079/1/CPATCDOCUMENTOS9MORINGAOLEIFERAUMAPLANTADEUSOMULTIPLOFL13127A.pdf

 

https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1095864/1/178181.pdf

 

https://www.youtube.com/watch?v=aMfZUHDLm58

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A produção brasileira de grãos na safra 2018/19 deve ser 2,8% maior que a registrada na safra anterior, segundo o 5º levantamento da Conab. Já a área plantada deve crescer 1,5%. Destaques positivos para a produção de algodão caroço (+ 27,9%) e milho (+ 13,6%). Já o arroz (- 11,3%), a soja (- 3,3%) e o feijão (-1,7%) lideram as quedas.

Os números positivos têm estimulado o mercado de fertilizantes com as entregas ao produtor registrando alta de 3,9%, enquanto nos defensivos, a produção cresceu 12%, no último ano. Outro mercado que está em franco crescimento é o de máquinas agrícolas. Em 2018, esse mercado cresceu 9,8% em relação a 2017, enquanto que em janeiro de 2019, as vendas de tratores de rodas e colheitadeiras de grãos cresceram próximo a 70% sobre janeiro de 2018.  

As exportações do agronegócio, que cresceram 6,1% em 2018, continuam em expansão. Em janeiro de 2019, os números do setor foram 7,4% superiores em valores (US$), em relação ao mesmo mês de 2018. Destaques para soja (farelo e grão) e celulose.

Nos preços agrícolas no mercado brasileiro, a soja (grão e farelo) registrou quarto mês de queda consecutiva, já o milho está valorizando, com três meses de aumentos seguidos.

Esses dados estão apresentados no boletim de INDICADORES AGRÍCOLAS da Plataforma de Inteligência Intelactus. Na edição de fevereiro de 2019, veja ainda o balanço de suprimentos dos principais produtos agrícolas brasileiros no mercado interno e mundial. A publicação está disponível no site do CILeite no link: http://www.cileite.com.br/content/indicadores-agr%C3%ADcolas

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A MINISTRA E O LEITE

 

Como pesquisador em economia, atuo em políticas públicas do setor lácteo desde 1983 e já vivenciei posições muito interessantes relacionando ministros do Mapa e o leite. Nestes 36 anos, 30 personalidades ocuparam aquele importante cargo. Com alguns, tive oportunidade de interagir, como Iris Rezende. Nos anos oitenta, construímos o que ficou conhecida como a Planilha de Custos de Produção da Embrapa, um estudo que visava estabelecer critérios para reajuste de preço pago ao produtor, que era tabelado. O ministro Iris transformou o estudo em lei, em 1987, e estancou a sangria que matava o setor, num período em que o ministério da Economia usava o tabelamento para segurar a inflação, reajustando preços do leite ao produtor abaixo da inflação e transferindo renda do produtor para o consumidor, via preço.

No início dos anos noventa vi Antônio Cabrera criar um programa de estimulo à melhoria da produtividade leiteira, com base em tecnologia, ao mesmo tempo em que acabava com o tabelamento de preços e facilitava a importação de leite. Em tempos de câmbio valorizado e importação livre, o ministro Arlindo Porto percebeu que os preços de leite praticados no mercado internacional eram artificiais e acolheu a reivindicação dos produtores, criando salvaguardas à concorrência desleal com produtos vindos do Mercosul, Europa e Oceania. Essas medidas, foram fundamentais para que a produção crescesse nos anos subsequentes e se tornasse exportador durante toda a gestão de Roberto Rodrigues, que prestigiou o setor e até nos congressos anuais da Embrapa Gado de Leite fazia questão de estar presente. Foi em sua gestão que surgiu a Instrução Normativa 51, um decisivo marco regulatório para a qualidade do leite. Também em seu período foi deflagrada a grande operação contra fraudadores do produto.

Já Reinhold Stephanes fez diferença, ao viabilizar recursos para que a Embrapa gerisse a aquisição de equipamentos para os dez laboratórios de qualidade de leite credenciados junto ao Mapa. E com Kátia Abreu fizemos o Sistema de Monitoramento da Qualidade do Leite – SimQL, sobre amostras de leite enviadas pelos produtores e que reúne resultados de todas as análises feitas nos laboratórios de qualidade do leite do Brasil nos últimos anos. Portanto, um instrumento importante para se fazer gestão da qualidade do leite.

Governo novo, no dia 17 de janeiro do mês passado a nova ministra do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias convidou, para uma reunião de trabalho, a Associação Abraleite, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA, a Organização das Cooperativas Brasileiras - OCB, a Associação G100, a Associação Viva Lácteos, o Sindilat/RS e nós, da Embrapa Gado de Leite. O assunto não podia ser outro, ou seja, políticas para o setor lácteo. Este ato da ministra Tereza Cristina é inusitado. Ainda nos primeiros dias de Governo, com a casa sendo arrumada ao seu estilo, convidou entidades para discutir o setor lácteo! Em 36 anos já vi e participei de reuniões com ministros para discutir o setor. Mas, nos poucos casos que isso ocorreu, foi por demanda do setor. Pois, a ministra foi quem tomou a iniciativa e o leite teve o privilégio de ser o primeiro setor a se reunir com ela.

Outro fato inusitado foi que a ministra trouxe para a reunião todo o seu staff. Lá esteve o secretário executivo Marcos Montes, o secretário de política agrícola Eduardo Sampaio, o secretário de agricultura familiar e cooperativismo Fernando Schwanke, o secretário de comércio e relações internacionais Orlando Leite e o secretário de inovação Fernando Camargo, além do Luis Rangel, que está responsável por coordenar a realização de estudos e prospecção. Ao levar todo o seu time, a ministra demonstrou que está levando a sério o nosso setor. Um terceiro fato inusitado diz respeito à composição da equipe de trabalho da ministra e que merece ser destacado. Ao vê-los reunidos ali, me dei conta que o time da ministra é eminentemente técnico e com experiência em gestão pública, um binômio necessário para que seja possível transformar demandas do setor em políticas públicas consequentes. 

Por outro lado, as entidades presentes também tiveram um comportamento inusitado, pois não promoveram um desfile de reclamações. Ao contrário, houve unânime manifestação de confiança na ministra e foi entregue um documento de uma página, em que pilares para a construção de uma agenda positiva foram apresentadas. A atitude da ministra foi imediata. Solicitou que o setor organizasse um conjunto de propostas mais detalhadas e a encaminhasse, pois deseja colocar no Plano Plurianual ações que se configurem em políticas focadas no setor.

Lembra-se das fotos da campanha Got MIlk, em que astros usam um bigode de leite, defendendo o produto nos EUA? Pois, dado o comprometimento que mostrou com o setor já nos primeiros dias de Governo, sem dúvida a ministra é a nova integrante do time que, como nós, usa o bigode do leite.

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Saiu o resultado do sorteio de vagas para o E@D Leite:

Utilizamos o site sorteioGo!

Os sorteados foram:

Curso Silagem de Capim

1 - Ana Maria Nunes Gomes
2 - Débora Gomide

Curso Amostragem, Transporte e Coleta do Leite

1 - Joana Ferrez
2 - Rubia da Costa Vaz

Entraremos em contato com os sorteados através de e-mail.

Para assistir o vídeo do sorteio: Clique aqui!

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Os anos de 2015 e 2016 foram de crise no mercado internacional de lácteos. A recuperação ocorreu somente em 2017, com a volta dos preços ao seu patamar de média histórica de US$ 0.35/L. A média dos últimos dez anos foi o equivalente a R$ 1,10/L, no cenário internacional, enquanto que em 2017 e 2018, as médias foram superiores ao valor histórico, gerando estímulo para crescimento da produção mundial.

No Brasil, a média dos preços reais referentes aos últimos dez anos foi de R$ 1,30/L, patamar 19% superior à referência mundial IFCN. Em 2018, com o preço interno pago ao produtor acima da média histórica e o preço do concentrado mais próximos à média, a margem sobre o concentrado ficou em R$ 1,02/L. Em janeiro de 2019, a situação para o produtor foi ainda melhor, com a margem sobre concentrado 22% acima da média histórica do mês.

Nesse sentido, há a expectativa de melhorias para o produtor nesse primeiro semestre de 2019 com aumento dos preços do leite e redução no custo do concentrado, fazendo com que a oferta nacional volte a crescer.

Confira essa análise completa com mais detalhes na NOTA DE CONJUNTURA da Plataforma de Inteligência Intelactus em sua edição de fevereiro de 2019, que também apresenta informações sobre preço do UHT no varejo, preços internacionais e consumo. A publicação está disponível no site do CILeite no link: http://www.cileite.com.br/content/nota-conjuntura

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9846975454?profile=originalCientistas concluíram que a presença das cinzas das queimadas altera a composição química do solo e, quando ocorre o escoamento superficial após uma chuva, substâncias presentes nelas atingem as águas subterrâneas e superficiais, contaminando-as. Compostos nitrogenados e potássio, especialmente, se solubilizam na água e, em altas concentrações, se tornam tóxicos às espécies aquáticas e aos organismos do solo e também afetam a qualidade da água.

Esses resultados são importantes porque, ao longo do tempo, o fogo tem sido utilizado na agricultura como estratégia para o manejo de áreas. As cinzas das queimadas são compostas por grande quantidade de nutrientes (cálcio, fósforo, magnésio, nitrogênio, entre outros) que fertilizam o solo, e, por isso, favorecem o crescimento de plantas. Além disso, o fogo é importante para a germinação das sementes de algumas espécies nativas e para ocupação da área por espécies exóticas. A presença das cinzas também tem forte influência na revegetação das áreas queimadas, mantendo, após algum tempo de recuperação, parte das espécies nativas.

Apesar desses pontos positivos, pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Cerrados (DF) apontaram que as cinzas de queimadas provocaram na água subterrânea baixa oxigenação, aumento de pH (potencial hidrogeniônico) e presença de compostos químicos, como potássio e nitrato (nitrogênio nítrico). Os microcrustáceos e os peixes foram os mais sensíveis às mudanças no ambiente aquático e as alterações também afetaram espécies da macrofauna do solo, como os enquitreídeos (“minhoquinhas brancas”).

Efeitos tóxicos das cinzas

Durante dois anos (2010-2012), no âmbito do Projeto “Queimadas e Recursos Hídricos”, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pesquisadores da Embrapa avaliaram as transformações físico-químicas na água e os efeitos tóxicos das cinzas sobre espécies de peixes, microcrustáceos e caramujos.

A primeira consequência das cinzas nos ambientes aquáticos é a redução de oxigênio dissolvido na água em ambiente lêntico, ou seja, em água parada como em lagos, açudes, poços e reservatórios. O oxigênio dissolvido é essencial para a subsistência de peixes e outros seres aquáticos, além de auxiliar na decomposição natural da matéria orgânica.

As cinzas também provocaram aumento de pH, que influencia a qualidade da água. O potencial hidrogeniônico é uma escala que mede o nível de acidez da água. A recomendação da American Public Health Association é que o pH varie de 7 a 10, o que caracteriza uma água neutra ou alcalina. “Só por baixar o oxigênio, a cinza já afeta as espécies aquáticas, pois aquele local estará ’morto‘ por um tempo”, ressalta o pesquisador da Embrapa Eduardo Cyrino de Oliveira Filho.

Para fazer as análises, foram desenvolvidos experimentos em laboratório. As cinzas retiradas de locais de queimada foram colocadas em recipientes de água com oxigenação. A espécie mais sensível foram os microcrustáceos. Cyrino esclarece que faltaram nesses experimentos testes com algas. Assim como as plantas, as algas precisam de nutrientes para seu crescimento e, portanto, teoricamente, a população de algas deve aumentar em uma água contendo cinzas.

Dando continuidade às pesquisas, nos anos de 2013 a 2016 foi executado o “Projeto Cinzas: aspectos motivacionais de uso do fogo e efeitos sobre a água e o solo como subsídios para mitigação dessa prática na agricultura”, também financiado pelo CNPq.

Convém salientar que o uso do fogo é permitido em atividades agropastoris, quando for utilizado em processos de queima controlada, isto é, o uso do fogo em áreas com limites físicos previamente estabelecidos. Para tanto, a autorização deve ser obtida no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) ou em órgão ambiental estadual.

O objetivo do Projeto Cinzas foi integrar dados ambientais a sociais. “A integração dos dados obtidos na temática ambiental aliados aos da análise do aspecto comportamental permitirá a elaboração de instrumentos de transferência mais sólidos, contendo não só indicações técnicas, mas informações próximas da realidade que possam gerar maior impacto nas comunidades visando à mitigação do uso do fogo na agricultura”, destaca o cientista.

Espécies prejudicadas pelas cinzas

Para os estudos ambientais, foi utilizada uma área nos campos experimentais da Embrapa Cerrados onde, acidentalmente, ocorreu uma queimada em 2013. Essa área foi comparada a outra, ao lado, que não sofreu ação do fogo. Nessas áreas foram realizados estudos de química da cinza, contaminação de solo e de água subterrânea.

Os pesquisadores realizaram testes laboratoriais de toxidade crônica em larvas de peixe, caramujo e larvas de vermes de solo. As espécies ficaram maior tempo expostas às cinzas para verificar os danos causados ao organismo. Em alta concentração de cinzas (a partir de 50 gramas de cinza em um litro de água), as espécies aquáticas e os organismos de solo não sobrevivem.

Na concentração de 12 gramas de cinza em um litro de água, os peixes já apresentaram redução de percentual de ovos eclodidos, comprometendo a evolução da espécie. A reprodução dos caramujos e de vermes de solo foi afetada com a presença de cinzas, existindo o risco de ao longo do tempo levar à extinção das espécies.

Compostos no solo e na água subterrânea

Durante 12 meses, os pesquisadores monitoraram o fluxo de nutrientes no solo e na água subterrânea em duas áreas. Foi observado no solo, que os valores de cálcio, magnésio e fósforo aumentaram consideravelmente na área queimada, quando comparados aos mesmos elementos na área não queimada. O potássio não obteve grande variação, mas alcançou seu maior pico de incorporação no solo quatro meses após a queimada.

A matéria orgânica foi alta na área queimada em todo o período analisado, em função da grande quantidade de material vegetal ainda remanescente, bem como raízes queimadas. Também foi observado grande aumento nas concentrações de nitrogênio no solo logo após o evento de queimada. Entre as formas de nitrogênio, o nitrato foi aquele que mais aumentou, retornando aos níveis do solo da área não queimada após 60 dias.

A qualidade da água é determinada pela quantidade e pela qualidade dos minerais que ela contém. O aumento desses elementos pode tornar a água tóxica. Para monitorar a presença dos minerais foram construídos dois poços artesianos. Um no local em que ocorreu a queimada e outro em área paralela que não sofreu ação do fogo, usada como área controle.

A água do poço aberto em local de queimada apresentou aumento de cálcio, magnésio, nitrato e, em alguns meses, de potássio. Cyrino explicou que os valores de nitrato observados na água subterrânea podem ter sido decorrentes da lixiviação desse componente, principalmente pelo fato de o solo do Cerrado ser mais arenoso.

Os níveis de nitrato na água, como acrescenta o pesquisador, podem também ser decorrentes da alta decomposição da matéria orgânica queimada no solo, o que gerou nitrato no solo como resíduo da decomposição. Apesar do aumento da concentração de nitrato na água do poço, o valor foi abaixo do máximo permitido para uso da água subterrânea no consumo humano. De acordo com Resolução do Conama (396/2008), o limite máximo é de dez partes por milhão (ppm).

A concentração maior de potássio na água subterrânea foi verificada logo após a queimada. Nos meses seguintes, os valores sofreram redução, e, próximo de um ano após a queimada, a concentração foi praticamente semelhante à verificada na área de controle. “Essa água ficou contaminada por um tempo. Em alguns meses, a concentração de potássio passou do nível permitido para água potável. Isso significa que essa água não podia, nesse período, ser usada para consumo in natura. Para se tornar água potável, precisaria de tratamento específico”, conta o pesquisador.

Os valores de cálcio e magnésio foram maiores no período chuvoso e bem baixos no período seco. Os pesquisadores concluíram que não houve uma influência da presença de cinzas no solo sobre esses parâmetros na água subterrânea, o que indica ausência de lixiviação de cálcio e magnésio em área de queimada.

O porquê de usar fogo

Para entender melhor as motivações que levam o agricultor a usar fogo como ferramenta na agricultura, foram realizadas entrevistas com 34 agricultores do Distrito Federal e Entorno. Esse trabalho foi realizado em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater/DF). A maioria dos entrevistados foi do sexo masculino, casados, faixa etária entre 52 e 71 anos, oriundos principalmente do estado de Goiás e com escolaridade até o ensino fundamental.

Os resultados apontaram que os agricultores fazem uso do fogo para limpeza e preparo do solo antes do plantio e para a construção de aceiros nas áreas de produção. Os aceiros são faixas livres de vegetação (o solo fica descoberto), que atua como barreira para retardar ou impedir o progresso de incêndio florestal.

Além disso, eles também utilizam o fogo para queima do lixo doméstico e dos resíduos oriundos da agricultura (técnica da coivara).

Dos 34 entrevistados, 18 fazem buraco em sua propriedade para queimar o lixo agrícola e doméstico e 15 adotam a prática para limpeza de solo da área de produção. Embora concordem que a prática do fogo gera impactos negativos ao meio ambiente, os agricultores afirmaram que a mantêm por causa de sua facilidade.

“Torna-se perceptível que há um dilema entre decidir por fazer ou não o uso do fogo, uma vez que esse recurso é um facilitador das atividades a serem desempenhadas”, comenta o pesquisador da Embrapa Francisco Eduardo de Castro Rocha, ao acrescentar que há também uma forte influência do sentimento de controle, isto é, excesso de confiança de que se pode controlar a situação e que não existe fator de perigo ou pode-se minimizá-lo.

Na análise do discurso dos entrevistados percebeu-se que os agricultores são fortemente influenciados por pessoas conhecidas que utilizam o recurso e instituições ou pessoas que apoiam o uso do fogo de forma controlada. As crenças são elementos de peso na decisão do agricultor em adotar ou não o fogo, pois eles têm como recursos motivadores o comportamento de outros, como os vizinhos, e condições propícias para a realização dessa prática.

Os pesquisadores constaram que há necessidade de orientação e treinamento dos agricultores para a prática de fogo na agricultura e, principalmente, para prevenção. “Eles necessitam de informações. Eles colocam fogo porque o capim está muito alto e não têm como entrar com máquina para preparo do solo, por exemplo. Aí a única alternativa é o fogo. Mas poderiam evitar chegar a esse ponto”, recomenda Rocha.

Outra demanda é a instrução de como utilizar corretamente os equipamentos para reduzir a ocorrência de acidentes nas propriedades rurais, como incêndios e morte de animais, bem como os impactos ambientais.

Os resultados desse trabalho foram registrados em um Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa.

Liliane Castelões (MTb 16613/RJ)
Embrapa Cerrados

Contatos para a imprensa
cerrados.imprensa@embrapa.br
Telefone: (61) 3388-9945

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Fonte: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/40809567/pesquisas-comprovam-efeitos-danosos-das-cinzas-de-queimadas-no-solo-e-na-agua?fbclid=IwAR0kVocJj6MVOv4ISUAwKn2mg5HYal03KAkbiQpvCmgcNd6LkdE16qdwLzs

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No primeiro mês de 2019, o Índice de Custo de Produção de Leite – ICPLeite / Embrapa apresentou deflação de 0,56%, sendo esta a terceira queda consecutiva.  Os grupos ligados à alimentação do rebanho foram os principais responsáveis por essa queda.

Entretanto, no acumulado de doze meses, o ICPLeite/Embrapa ainda registra alta de 10,64%. Nesse período todos os grupos componentes do índice de custo apresentam variações positivas. Os maiores aumentos foram nos grupos Concentrado (+ 16,46%), Energia e combustível (+ 15,09%) e Sal mineral (+ 13,23%).

Mais detalhes sobre essas variações por períodos e por grupos, bem como a metodologia de cálculo, estão disponíveis na publicação ICPLeite / Embrapa da Plataforma de Inteligência Intelactus em sua edição de janeiro de 2019. A publicação está disponível no site do CILeite no link> http://www.cileite.com.br/content/%C3%ADndice-de-custo-de-produ%C3%A7%C3%A3o-de-leite-4

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Sorteio de vagas no E@D Leite

Após toda palestra ao vivo, será lançado o sorteio de vagas para os cursos do E@D Leite.

Para participar é só seguir o passo a passo:

1- Clicar no banner na página inicial da REPILeite ou no link no final da página

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2- Ao ser redirecionado para a página do sorteio, clique no + para aparecer o número 1 no campo de inscrição, onde está a setinha amarela

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3- Preencha o formulário

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4- Clique em finalizar e boa sorte !!!

Para participar do sorteio: clique aqui!

Saiba mais…

9846972691?profile=originalO Sistema OCB está lançando o *Concurso Cultural Jovens Embaixadores Coop*. A ideia é selecionar 20 jovens, entre 18 e 29 anos, para serem congressistas no 14º Congresso Brasileiro do Cooperativismo com tudo pago! Para se inscrever é necessário ser cooperado(a) ou filho(a) de cooperado(a).

Mobilize as cooperativas do seu estado a participarem!

- É só gravar 1 vídeo de até 15 segundos respondendo a pergunta: *Como podemos construir juntos o cooperativismo do futuro?*
- Subir em nossa landing page e ficar atento às regras.

As inscrições vão de 11 a 28 de fevereiro e o resultado será divulgado no dia 8 de março!

Para mais informações acesse concursocultural.cbc.coop.br

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O ano de 2019 começou com recuperação dos preços do leite ao produtor, após quatro quedas consecutivas no final do ano passado. Em janeiro, o preço bruto do leite fechou cotado a R$1,38, na média nacional, alta de 2,75% sobre dezembro de 2018. As cotações atuais estão 27% superiores a janeiro de 2018, quando o produtor recebeu R$1,09 por litro, em média.

Outro fato positivo foi a melhora na relação de troca entre preço do leite/preço do concentrado que fechou em 36,8 litros de leite para aquisição de uma saca de 60 kg de concentrado. Em janeiro de 2018 eram necessários mais de 40 litros de leite para compra da mesma saca de concentrado. O custo de produção de leite manteve sua trajetória de queda, a terceira consecutiva, sendo esta última de 0,56% em relação a dezembro de 2018.

No varejo, os preços dos produtos lácteos também começaram a se valorizar. Em janeiro, o preço do UHT aumentou 2,1% depois de cinco meses de quedas consecutivas. Em relação a um ano atrás, os preços de janeiro do UHT ficaram 11,5% maiores.

Na balança comercial, o ano começou com aumento das importações e redução das exportações. Destaque para o aumento nos valores importados de leite em pó (+78%) em relação a janeiro de 2018. Nas exportações, apesar do aumento nas vendas de queijos, as quedas no leite condensado e creme de leite resultaram na redução de 13% nos embarques de lácteos para o exterior.

Esses dados estão apresentados no boletim mensal de INDICADORES LEITE E DERIVADOS da Plataforma de Inteligência Intelactus na sua edição de fevereiro de 2019 que pode ser acessado no link: http://www.cileite.com.br/content/indicadores-leite-e-derivados-1

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9846971254?profile=originalMelhora no cenário econômico e safra recorde de grãos devem fazer este ano ser de retomada de crescimento para a pecuária leiteira brasileira. A análise é de pesquisadores da equipe de socioeconomia da Embrapa Gado de Leite (MG) que fizeram um balanço do setor leiteiro no ano que se passou.

Segundo Glauco Carvalho, um dos integrantes da equipe, quando forem publicados os índices do período, a atividade deve fechar o ano estagnada ou crescer muito pouco em relação a 2017. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), naquele ano, a produção de leite inspecionado cresceu 5%, após um biênio complicado: 2015 (queda de 2,8%) e 2016 (queda de 3,7%). Isso significa que o setor deve fechar 2018 com um volume anual menor que o ano de 2014, antes da intensificação da crise econômica, quando a produção inspecionada foi de 24,7 bilhões de litros de leite e o volume total chegou a 35,1 bilhões de litros.

“Embora o produtor de leite esteja acostumado com desafios e sobressaltos, 2018 foi atípico, desafiando o produtor em diversos aspectos”, observa Carvalho. O primeiro desafio, de acordo com o especialista, foi o preço do litro de leite pago ao produtor, que começou o ano em cerca de R$1,20 (pouco acima do que era pago em 2016, no auge da crise).

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Além dos preços baixos no início do ano, o custo de produção ficou elevado, fechando o primeiro semestre com alta de quase 6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os itens que mais tiveram impacto na rentabilidade do pecuarista foram os ligados à alimentação do rebanho (concentrado, produção de volumosos e sal mineral). Os preços do milho e da soja subiram em plena safra devido à quebra da produção de grãos na Argentina e à redução da safra brasileira de milho, entre outros fatores.

Alta de 18,5% dos custos em 12 meses

Os preços internacionais dos grãos também foram influenciados pela forte valorização do dólar frente ao real e pelos reflexos da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Somados ao aumento dos preços da energia e do combustível no Brasil, isso levou a uma alta de 18,5% nos custos de produção no período de outubro de 2017 a outubro de 2018. Dessa forma, o preço real ao produtor em 2018, deflacionado pelo custo de produção, registrou queda de 1,5% em relação a 2017.

Outro desafio foi a greve dos caminhoneiros, que além de afetar a produção primária, comprometendo a alimentação dos animais, paralisou as atividades da indústria e consumiu os estoques dos laticínios e dos varejistas. Em maio, quando ocorreu a greve, registrou-se o pior índice que se tem notícia para um único mês, com a produção ficando 9,3% mais baixa em relação a maio do ano anterior. Esse número revela que deixaram de ser captados 176,7 milhões de litros de leite. Sem poder escoar a produção durante os dez dias de paralisação, a conta da greve foi paga pelos pecuaristas e laticínios.


Leite argentino e uruguaio mais competitivo

O terceiro desafio veio de fora. Argentina e Uruguai, os principais exportadores de leite do Mercosul, apresentaram preços mais competitivos que o Brasil, com o produto chegando a custar R$ 1,00 o litro. Por aqui, no pico do preço, o produtor chegou a receber pelo litro de leite acima R$ 1,50. Com valores dos países vizinhos tão baixos, a importação foi estimulada, principalmente no último trimestre. “O País continua sendo um importador líquido e devemos fechar 2018 com um déficit de meio bilhão de dólares, o que equivale a um bilhão de litros de leite”, frisa Carvalho.

O cenário mundial, para além do Mercosul, também não é favorável aos preços. Segundo o índice do Global Dairy Trade (GDT), o leite em pó integral foi vendido, na primeira semana de dezembro, a US$ 2.667,00 a tonelada. Nos últimos três anos, a melhor cotação ocorreu em dezembro de 2016: cerca de US$ 3.600,00.

Já o quarto desafio é um velho conhecido da cadeia produtiva do leite: o fraco desempenho do consumo de produtos lácteos, associado à baixa renda da população. Apesar da tímida recuperação da economia, a taxa de desemprego ainda é alta (11,6%). O pesquisador da Embrapa Gado de Leite João César Resende diz que o consumo de lácteos é bastante sensível às variações do poder de compra do consumidor. Segundo ele, quando há uma retração da economia, produtos como iogurte e queijo são alguns dos primeiros a serem eliminados da lista de compras.

Mesmo com o litro do leite UHT sendo vendido a R$ 1,85 em alguns supermercados, no quarto trimestre, a demanda não demonstrou fôlego para se aquecer. As previsões para o PIB também decepcionaram. Em janeiro, a expectativa dos economistas era de que o PIB fechasse 2018 com um crescimento de 2,66%. No fim do ano, a expectativa caiu para 1,30%

Os pesquisadores acreditam que 2019 será melhor para a cadeia produtiva do leite. A primeira barreira a ser superada diz respeito aos preços dos concorrentes no Mercosul. O analista da Embrapa, Denis Teixeira da Rocha, afirma que os preços praticados pelos parceiros do Cone Sul não são sustentáveis e devem, em algum momento, voltar à realidade. “Devido à rentabilidade negativa, nos últimos anos, três grandes laticínios fecharam suas portas no Uruguai”, destaca Rocha.


O mundo precisará de mais leite

Com relação ao mercado global, durante a conferência anual da International Farm Comparison Network (IFCN), em 2018, realizada em Parma, na Itália, os especialistas estimaram um crescimento um pouco mais robusto na demanda de lácteos para 2019. Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Lorildo Stock, que representou o Brasil na conferência, as estimativas do IFCN são que, para atender à demanda por produtos lácteos em 2030, o setor deverá aumentar a produção em 304 milhões de toneladas por ano. Isso equivale a três vezes a produção leiteira dos Estados Unidos, atualmente. Para ativar essa produção, o IFCN acredita que o preço do leite mundial atinja US$0,40, valor superior à média histórica.

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Internamente, a expectativa de mudanças na economia com o novo governo tem animado o mercado. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê um crescimento da economia brasileira de 2,1%. Já o mercado espera por um índice um pouco maior: 2,5%. De qualquer forma, segundo Carvalho, será o ritmo de andamento das reformas que irá ditar o compasso do mercado para este ano.

Para o pesquisador, há uma demanda reprimida por produtos lácteos que se arrasta por anos e algum crescimento econômico irá impulsionar a venda desses produtos. Carvalho acredita ainda em melhoria nas margens de lucro dos laticínios, que se encontram baixas desde meados de 2016.

Mais grãos, menos custos com alimentação

No que diz respeito aos lucros do produtor, 2019 começou com os preços em patamares um pouco mais elevados que os do início do ano anterior. A boa produção de grãos da safra 2018/2019, que pela expectativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deve superar 230 milhões de toneladas, é um ponto positivo para a pecuária de leite. O recorde nas safras de soja e milho contribui para o recuo nos custos com a alimentação das vacas, sobretudo a produção de concentrados. “A redução do preço de importantes insumos deve melhorar a rentabilidade das fazendas, culminando na expansão da produção leiteira em 2019”, conclui Carvalho.

Rubens Neiva (MTb 5445/MG)
Embrapa Gado de Leite

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Telefone: (32) 3311-7532

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No último mês de 2018, o Índice de Custo de Produção de Leite – ICPLeite / Embrapa apresentou deflação pelo segundo mês consecutivo (- 1,32%).  O grupo Concentrado foi o maior responsável por essa queda.

Entretanto, no acumulado do ano, o ICPLeite/Embrapa registrou alta de 12,25% em 2018. Todos os grupos apresentam variações positivas, sendo a maior no grupo Concentrado (18,71%), seguido dos grupos Sal mineral e Energia e combustível, que também apresentaram variação superior a duas casas decimais, 14,32% e 10,23%, respectivamente. 

Mais detalhes sobre essas variações por períodos e por grupos, bem como a metodologia de cálculo, estão disponíveis na publicação ICPLeite / Embrapa da Plataforma de Inteligência Intelactus em sua edição de dezembro de 2018 que pode ser acessada no link: http://www.cileite.com.br/content/%C3%ADndice-de-custo-de-produ%C3%A7%C3%A3o-de-leite-4

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O ano de 2018 terminou com o produtor recebendo preços mais altos pelo leite que no final de 2017. Entretanto, na média de 2018, o preço real foi menor do que no ano anterior. Um dos gargalos foi o comportamento do consumo que acabou segurando incrementos de preços ao longo da cadeia.

O custo de produção apresentou comportamento de alta durante todo o ano, com elevação de 10,5% ao final de 2018. A relação de troca leite/concentrado também piorou para o pecuarista.

A balança comercial de leite e derivados fechou 2018 com mais um déficit. As importações superaram as exportações em US$427,4 milhões, o equivalente a 1,123 bilhão de litros de leite.

Já o ano de 2019 inicia com preços do leite no mercado interno maiores que no mesmo período de 2018 e com uma relação oferta e demanda de leite mais ajustada. A boa notícia vem do mercado de grãos em que espera-se uma redução nos custos de produção do leite ao longo do ano puxada pelo concentrado. O cenário macroeconômico previsto tende a estimular o consumo de lácteos, que vem patinando nos últimos anos. Um ponto de alerta é a competitividade do produto importado.

Confira essa análise completa com mais detalhes na NOTA DE CONJUNTURA da Plataforma de Inteligência Intelactus em sua edição de janeiro de 2019. A publicação está disponível no site do Centro de Inteligência do leite, no link: http://www.cileite.com.br/content/nota-conjuntura

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O ano de 2018 terminou com nova queda no preço nominal do leite ao produtor, a quarta consecutiva. Isso resultou em uma redução acumulada de 19% desde o pico de preços do ano registrado em agosto. Em dezembro, o preço bruto do leite fechou cotado a R$1,34, na média nacional. Apesar dessas quedas, esse valor foi 21,5% maior que o registrado no final de 2017, quando o produtor terminou o ano recebendo R$1,10 por litro, em média.

Essa queda no preço do leite em dezembro, somada a valorização do preço do milho, prejudicou a relação de troca entre preço do leite/preço do concentrado que fechou em 37,75 litros de leite para aquisição de uma saca de 60 kg de concentrado. No final de 2017, a situação do produtor estava ainda pior, necessitando 39,5 litros para a mesma saca de concentrado. O custo de produção de leite, apesar da queda no último mês, fechou o ano 12,3% superior a dezembro de 2017.

No varejo, o movimento de quedas nos preços da maioria dos produtos lácteos persiste. Em dezembro, o preço do UHT registrou a quinta queda consecutiva, caindo 7,7% no último mês. Apesar disso, na comparação anual, os preços de dezembro do produto ao consumidor ficaram 8,4% maiores devido principalmente a forte valorização dos preços no pós-greve dos caminhoneiros.

Na balança comercial, o Brasil fechou 2018 com um déficit de US$427,4 milhões, valor um pouco menor que os US$449,3 milhões registrados em 2017. Apesar da queda nas importações, que ficaram 13,6% menores em 2018, as exportações tiveram uma redução acentuada, de 48,2% em relação a 2017. As principais importações foram de leite em pó e queijos, responsáveis por 82% do valor total importado. Já nas exportações, destaques para leite condensado, queijos e creme de leite, que juntos representaram 84% das exportações nacionais.

Esses dados estão apresentados no boletim mensal de INDICADORES LEITE E DERIVADOS da Plataforma de Inteligência Intelactus na sua edição de janeiro de 2019 que pode ser acessada no link: http://www.cileite.com.br/content/indicadores-leite-e-derivados-1

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A produção agrícola brasileira em 2018 deve ser 2,8% menor que a registrada em 2017, segundo dados do IBGE. De um grupo de 14 produtos analisados, apenas cinco tiveram aumentos de produção (algodão, amendoim, soja, trigo e café). Os demais produtos registraram quedas com destaque para milho, feijão, batata e laranja.

Apesar da quebra de safra de grãos, as exportações do agronegócio expandiram. Até novembro, as exportações do agronegócio atingiram 93,16 bilhões de dólares, alta de 4,6% sobre o ano anterior. Destaques para soja, carne bovina, papel, celulose e suco de laranja.

Para 2019, a Conab projeta aumentos da área plantada (+ 1,2%) e da produção (+ 4,6%), alcançado a maior safra da história com 238,4 milhões de toneladas. Essa estimativa de aumento na próxima safra tem estimulado o mercado de fertilizantes com as entregas ao produtor registrando alta de 3,9% no acumulado de janeiro a outubro de 2018 em relação ao mesmo período do ano anterior. Os preços de fertilizantes também tiveram forte valorização, sobretudo ureia e cloreto de potássio. No caso de defensivos, a produção cresceu 14,4% de janeiro a outubro em relação a mesma base de comparação em 2017.

Esses dados estão apresentados no boletim de INDICADORES AGRÍCOLAS da Plataforma de Inteligência Intelactus. Na edição de dezembro de 2018, veja ainda o comportamento do preço dos principais produtos ao longo do ano nos mercados nacional e internacional. A publicação está disponível no link: http://www.cileite.com.br/content/indicadores-agr%C3%ADcolas

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O ano de 2018 foi bastante desafiador para o mundo do leite em diversos aspectos. Um evento que impactou o setor foi a greve dos caminhoneiros, que somada a menor oferta de leite na entressafra, resultou em valorização do preço do leite na cadeia produtiva. Já o custo de produção de leite registrou comportamento atípico em 2018 com os preços de milho e soja subindo em plena safra.

Em termos de rentabilidade, o início do ano foi muito ruim, com preços baixos e custos de produção em alta. Já o segundo semestre registrou forte aumento do preço do leite ao produtor, mas o custo de produção ainda em alta. Nesse cenário, a rentabilidade média do produtor em 2018 piorou em 1,4% na comparação com 2017.

Na balança comercial, as importações brasileiras de lácteos que vinham baixas apresentaram forte crescimento em outubro e novembro, resultando em um déficit acumulado nos 11 meses de 2018 de 1 bilhão de litros de leite e cerca de 400 milhões de dólares.

Por todas essas adversidades, devemos fechar 2018 com uma produção de leite estagnada e um consumo muito baixo.

Confira essa análise completa com mais detalhes na NOTA DE CONJUNTURA da Plataforma de Inteligência Intelactus em sua edição de dezembro de 2018 que traça algumas perspectivas para o próximo ano. A publicação está disponível no site http://www.cileite.com.br/content/nota-conjuntura

No site também estão disponíveis diversas informações atualizadas sobre a cadeia produtiva do leite como o Boletim "Indicadores: Leite e Derivados", além de publicações como o Índice de Custo de Produção de leite da Embrapa (ICPLeite), de periodicidade mensal, além dos boletins com indicadores agrícolas e macroeconômicos, com atualização bimestral. Caso tenha interesse em receber e-mails informativos com as publicações recentes (newsletter) é só cadastrar no site: http://www.cileite.com.br/user/register 

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O custo de produção de leite caiu em novembro, após três aumentos consecutivos. Essa foi apenas a terceira queda mensal registrada nesses onze meses do ano. Em novembro o custo caiu 0,72% reflexo da acomodação de preços da alimentação concentrada, mão de obra e tarifas de energia.

Nesses onze meses de 2018, o ICPLeite/Embrapa acumula alta de 13,76%. Dentre os grupos componentes do índice de custo, os que mais valorizaram foram Concentrado, Sal Mineral e Energia e combustível.

Em 12 meses, o custo de produzir leite aumentou 13,68%. Importante notar que, nesse período, apenas os grupos Qualidade do Leite e Reprodução tiveram ligeira variação, enquanto que os demais componentes do custo de produção registraram aumentos significativos.

Mais detalhes sobre essas variações por períodos e por grupos, bem como a metodologia de cálculo, estão disponíveis na publicação ICPLeite / Embrapa da Plataforma de Inteligência Intelactus em sua edição de novembro de 2018, que pode ser acessada no site: http://www.cileite.com.br/content/%C3%ADndice-de-custo-de-produ%C3%A7%C3%A3o-de-leite-4

Caso tenha interesse em mais informações atualizadas sobre o mercado do leite não deixe de acessar o site do Centro de Inteligência do Leite. Para receber e-mails informativos com as publicações recentes (newsletter) do Centro de Inteligência é só se cadastrar: http://www.cileite.com.br/user/register

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Em novembro, os preços do leite pagos ao produtor caíram pelo terceiro mês consecutivo, sendo esta última queda, a de maior intensidade. Nesse último mês, o leite ao produtor fechou cotado a R$1,47 na média nacional, queda de 5,4% em relação ao mês anterior. Apesar dessas quedas, o preço pago em novembro foi 32,7% superior ao valor registrado no mesmo mês de 2017, quando o produtor estava recebendo R$1,10 na média nacional. 

A relação de troca entre preço do leite/preço do concentrado que havia melhorado em outubro, voltou a piorar em novembro. Mesmo com o recuo no preço do farelo de soja, a queda mais intensa do preço do leite acabou penalizando a relação de troca ao produtor que fechou em 34,3 litros de leite para aquisição de uma saca de 60 kg de concentrado. Já em relação ao mesmo mês do ano anterior, a situação está melhor ao produtor sendo necessários quase 9% a menos de leite para aquisição de uma saca de concentrado.

No varejo, o preço do leite UHT registrou a quarta queda consecutiva, chegando a cair 7,5% no último mês. Na comparação anual, os preços atuais ao consumidor ficaram 15,8% maiores que os valores praticados em novembro de 2017.

Na balança comercial, as importações brasileiras de leite e derivados registraram forte aumento em novembro, ficando 82,8% acima do valor importado no mesmo mês de 2017. Já as exportações continuam em queda, sendo os valores negociados em novembro quase 60% menores que os registrados no mesmo mês de 2017. Nesse cenário, o déficit da balança comercial nesses 11 meses de 2018 já superou os US$400 milhões.

Esses dados estão apresentados no boletim mensal de INDICADORES LEITE E DERIVADOS da Plataforma de Inteligência Intelactus. Na edição de novembro de 2018 veja também que a produção nacional de leite em 2018 apresentou ligeiro recuo nos primeiros três trimestres do ano. Segundo os últimos dados divulgados pelo IBGE, a produção nacional inspecionada de janeiro a setembro foi 0,18% inferior à registrada no mesmo período de 2017. A publicação está disponível no site http://www.cileite.com.br/content/indicadores-leite-e-derivados-1

No site também estão disponíveis diversas informações atualizadas sobre a cadeia produtiva do leite, além de publicações como o Índice de Custo de Produção de leite da Embrapa (ICPLeite) e a Nota de Conjuntura de Mercado do Leite, de periodicidade mensal, além dos boletins com indicadores agrícolas e macroeconômicos, com atualização bimestral.

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Em novembro, os preços do leite pagos ao produtor caíram pelo terceiro mês consecutivo, sendo esta última queda, a de maior intensidade. Nesse último mês, o leite ao produtor fechou cotado a R$1,47 na média nacional, queda de 5,4% em relação ao mês anterior. Apesar dessas quedas, o preço pago em novembro foi 32,7% superior ao valor registrado no mesmo mês de 2017, quando o produtor estava recebendo R$1,10 na média nacional. 

A relação de troca entre preço do leite/preço do concentrado que havia melhorado em outubro, voltou a piorar em novembro. Mesmo com o recuo no preço do farelo de soja, a queda mais intensa do preço do leite acabou penalizando a relação de troca ao produtor que fechou em 34,3 litros de leite para aquisição de uma saca de 60 kg de concentrado. Já em relação ao mesmo mês do ano anterior, a situação está melhor ao produtor sendo necessários quase 9% a menos de leite para aquisição de uma saca de concentrado.

No varejo, o preço do leite UHT registrou a quarta queda consecutiva, chegando a cair 7,5% no último mês. Na comparação anual, os preços atuais ao consumidor ficaram 15,8% maiores que os valores praticados em novembro de 2017.

Na balança comercial, as importações brasileiras de leite e derivados registraram forte aumento em novembro, ficando 82,8% acima do valor importado no mesmo mês de 2017. Já as exportações continuam em queda, sendo os valores negociados em novembro quase 60% menores que os registrados no mesmo mês de 2017. Nesse cenário, o déficit da balança comercial nesses 11 meses de 2018 já superou os US$400 milhões.

Esses dados estão apresentados no boletim mensal de INDICADORES LEITE E DERIVADOS da Plataforma de Inteligência Intelactus. Na edição de novembro de 2018 veja também que a produção nacional de leite em 2018 apresentou ligeiro recuo nos primeiros três trimestres do ano. Segundo os últimos dados divulgados pelo IBGE, a produção nacional inspecionada de janeiro a setembro foi 0,18% inferior à registrada no mesmo período de 2017. A publicação está disponível no site http://www.cileite.com.br/content/indicadores-leite-e-derivados-1

No site também estão disponíveis diversas informações atualizadas sobre a cadeia produtiva do leite, além de publicações como o Índice de Custo de Produção de leite da Embrapa (ICPLeite) e a Nota de Conjuntura de Mercado do Leite, de periodicidade mensal, além dos boletins com indicadores agrícolas e macroeconômicos, com atualização bimestral.

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A alimentação inadequada ou insuficiente do rebanho é responsável pelo baixo desempenho da produção brasileira de leite, especialmente nas pequenas e médias propriedades. O problema foi considerado o mais importante da pecuária leiteira nacional por técnicos e pesquisadores que atuam no Balde Cheio, programa da Embrapa que capacita profissionais da extensão rural.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Brasil tem pouco mais de um milhão de propriedades leiteiras, responsáveis pela produção de 35 bilhões de litros de leite por ano. Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Glauco Carvalho, apenas a metade desse contingente pode ser considerada de produtores comerciais (que entregam leite aos laticínios). “Embora o Brasil tenha fazendas com produtividade comparável à dos maiores países do mundo, a grande maioria dos produtores brasileiros tira em torno de 100 litros por dia”, diz o pesquisador. E são essas pequenas e médias propriedades que sofrem o problema da alimentação do rebanho.

O Balde Cheio, programa que permitiu esse diagnóstico, completou 20 anos em 2018 e já atendeu cerca de dez mil pecuaristas. O pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste Artur Chinelato, idealizador do programa, já visitou centenas de propriedades no País e afirma que a alimentação dos animais é a principal responsável pela baixa produtividade das fazendas que ingressam no Balde Cheio. É tão comum que o cientista criou até uma brincadeira com os produtores que aumentam a produção quando corrigem a alimentação do rebanho: pedir perdão às vacas por as terem tratado tão mal.

A afirmação de Chinelato é compartilhada por todos os técnicos e pesquisadores do programa. O engenheiro-agrônomo Walter Miguel Ribeiro, coordenador do Balde Cheio em Minas Gerais pela Federação de Agricultura do Estado de Minas Gerais (FAEMG), insiste em suas palestras que a genética só vai se tornar um gargalo quando a vaca estiver sendo alimentada com qualidade e quantidade suficientes.

“Às vezes a vaca não mostra sua qualidade genética em termos de produção de leite porque está passando fome”, alerta. Segundo Ribeiro, os produtores acreditam que, para produzir muito, o animal tem que comer ração; por isso, não se preocupam em ter um bom volumoso (capim, silagem, feno etc com bom teor de nutrientes) na propriedade ou mesmo água de qualidade. “Visitamos muitas fazendas onde os animais ainda bebem água em córregos ou em buracos cheios de lama”, relata ao frisar que em condições assim, o resultado da produção é influenciado diretamente.

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Como calcular o pasto suficiente

De modo geral, as pastagens rotacionadas são a forma mais comum para alimentar o rebanho. A área de pastagem depende da capacidade de investimento do produtor. As adubações para recuperar a fertilidade do solo precisam ser mantidas. A área máxima trabalhada no primeiro ano é definida pela seguinte equação: número de vacas em lactação dividido por dois, e o resultado deve ser dividido por dez, que é a lotação mínima de vacas por hectare, esperada em pastagens corretamente adubadas e manejadas. Por exemplo, um rebanho com média de 20 vacas em lactação ao longo do ano deve trabalhar no primeiro ano com um hectare de pastagem rotacionada.

Cada propriedade deve definir qual o alimento volumoso será utilizado no período de menor produção das gramíneas forrageiras tropicais. As opções podem ser cana-de-açúcar, palma forrageira, feno ou silagens. O uso de alimentos concentrados também é estudado caso a caso, considerando o nível de produção, a qualidade do volumoso e a viabilidade econômica local.

O Balde Cheio é um projeto de capacitação continuada de profissionais que atuam na extensão rural, utilizando uma pequena propriedade de cunho familiar como “sala de aula prática”. Nesse ambiente, instrutores, técnicos e produtores combinam as tarefas a serem executadas na propriedade leiteira, visando torná-la eficiente e rentável. Artur Chinelato (veja entrevista abaixo) afirma que o programa não utiliza um pacote tecnológico fixo. “Os técnicos são treinados a interpretar as diferenças agroecológicas de cada propriedade, assim como a complexidade dos diferentes perfis de produtores.” O treinamento aplica conceitos de produção intensiva de leite.

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Rubens Neiva (MTb 5445/MG)
Embrapa Gado de Leite

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Fonte: Embrapa

 



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