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Por Duarte Vilela - Chefe Geral da Embrapa Gado de Leite

 

O consumo de produtos lácteos na China deverá crescer novamente acima de 8% em 2011. Para um país cujo consumo no ano passado foi de cerca 41 bilhões de litros (37 bilhões produzidos no próprio país mais o equivalente a 4,2 bilhões litros importados), este crescimento significa um adicional acima de 3,2 bilhões de litros a atual demanda. A crescente demanda por produtos lácteos, resultado do enriquecimento da população e de um marketing eficiente, faz dos chineses o maior importador de lácteos do mundo. Trata-se de um player tão poderoso que, segundo o professor e diretor-geral do Instituto de Ciência Animal da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, Jia-Qi Wang, em 2010 o país foi o responsável por manter o equilíbrio do mercado internacional. Foi o país que mais importou leite em pó, sendo o responsável pela elevação dos preços desse produto. Em 2011 não deverá ser diferente.

9846956076?profile=originalCom 1,3 bilhão de consumidores – população que, a cada ano, aumenta a sua capacidade de consumo – a China deverá permanecer como o fiel da balança do mercado mundial por muito tempo. Principalmente se considerarmos a baixa capacidade de resposta dos sistemas de produção do país. Cabe comentar que a expansão da produção de leite na China tem sido sustentada mais pelo crescimento do rebanho leiteiro (é o país que mais importou vacas de leite no mundo, provenientes da Nova Zelândia, Europa e mais recentemente do Uruguai) do que pelo incremento de produtividade. Em recente missão realizada à China pela Embrapa Gado de Leite, a convite do Pólo de Excelência do Leite (missão da qual participei), constatamos o quão atípica é a pecuária de leite chinesa. A indústria tem grande peso na cadeia produtiva, pois incorpora a maior parte da produção do setor primário. Salvo poucas cooperativas, quase todas as grandes unidades produtivas pertencem às indústrias.

No norte do país as fazendas são gigantescas, com confinamentos abrigando acima de 10 mil vacas. No sul, objeto da nossa recente missão, onde percorremos seis províncias, as fazendas são menores, mas ainda assim as unidades produtivas possuem mais de 1.500 vacas. Independentemente da região, todos os sistemas se baseiam no modelo americano: vacas holandesas em confinamento total. Nos sistemas mais modernos ao norte e nordeste, a alimentação é do tipo ração total, com dieta equilibrada a base de silagem, feno e concentrado. Um fator limitante para o crescimento da produção, nitidamente perceptível, é a fragilidade da matriz de produção de alimentos volumosos. Em todas as regiões constatamos este fato, que se impõe pela proibição por parte do Estado de se utilizar campos de pastagens. Na concepção chinesa, a terra é voltada para alimentar o homem, por meio da produção de grãos e hortaliças. A alimentação do rebanho é importada ou oriunda dos resíduos desta produção.

9846956091?profile=originalAs unidades produtivas no sul do país possuem parceria com os agricultores para a aquisição de resíduos da atividade e é bastante comum observar famílias levando aos estábulos, os restos da cultura de arroz e milho, capim-elefante verde picado etc. Há também a importação de feno e pré-secado, em grande volume, da Austrália e volumosos peletizados dos Estados Unidos. Em alguns casos constatamos sistemas de associativismo, onde a indústria entra com as instalações e o rebanho – normalmente a genética é subsidiada pelo governo – sendo a alimentação e o manejo de ordenha por conta dos associados. Cabe à indústria comprar o leite a preço de mercado. Nas gôndolas de supermercado o consumidor paga hoje próximo a R$2,00 pelo litro de leite nacional e acima de R$7,00 pelo litro de leite importado. Esta ocorrendo uma crescente procura por terras em outros países para a produção de alimentos (inclusive leite). Esta procura se estendeu, recentemente, ao Brasil e pode ser um reflexo dos problemas que a China enfrenta para aumentar a sua produção e produtividade. No entanto, a legislação brasileira defende o setor agropecuário ao impor limites de aquisição de terras por estrangeiros.

A missão brasileira à China visou estabelecer uma proximidade com as instituições ligadas à pecuária de leite daquele país. Há, nesta aproximação, perspectivas de ganhos para ambos os países. Colocar tais perspectivas em discussão é o que a Embrapa Gado de Leite e o Pólo de Excelência do Leite pretendem fazer ao realizar, nos dias 12 e 13 de Julho deste ano, o Workshop Sino Brasileiro de Pecuária de Leite (Sino-Brazilian Dairing). Este evento acontecerá no Expominas de Juiz de Fora/MG e reunirá 30 autoridades chinesas, além de representantes de diversas instituições brasileiras. Nos dois dias de workshop, serão debatidas a conjuntura atual, as perspectivas para a produção de leite, a economia e a sustentabilidade do setor leiteiro em ambos os países. Outros temas a serem abordados são as tecnologias inovadoras para a produção de leite e as parcerias comerciais entre a China e o Brasil. Haverá também uma rodada de negócios organizada pelas indústrias e cooperativas de laticínios brasileiras, representantes de governo e entidades de classe. Pela missão chinesa, participam representantes de governo, líderes de classe, diretores e presidentes de grandes empresas do setor lácteo.

9846956257?profile=originalDa parte da China, há grande interesse nos trabalhos de melhoramento genético dos bovinos leiteiros brasileiros (principalmente com relação ao Girolando). Além da genética tropical, os chineses também buscam soluções para o tratamento dos resíduos da atividade leiteira, o controle da mastite e alternativas de produção de alimentos volumosos. Ao Brasil interessa, sim, exportar tecnologia, como a genética tropical; mas explorar o mercado de lácteos chinês é algo que temos plenas condições de realizar. Desde que consigamos resolver aspectos ligados à logística e ao custo com transporte, além de habilitar laticínios brasileiros para exportar para a China. Pode não ser uma tarefa fácil considerando o nível de exigência da legislação chinesa. No entanto, o Brasil já exporta hoje 11 bilhões de dólares de produtos agrícolas para aquele país. A soja é o nosso principal produto (7 bilhões de dólares), seguida pelo açúcar, frango, algodão, pasta de madeira e milho. Está ainda em negociações avançadas a exportação de carne de suíno. Desde 2005 o Brasil vem negociando a abertura do mercado chinês para o leite e derivados. As negociações estão bem adiantadas, contudo ainda precisam vencer algumas barreiras não tarifárias. Se outras cadeias produtivas conseguiram conquistar aquele importante mercado, a cadeia do leite também pode. Basta querermos, demonstrando com habilidade o nosso potencial e a qualidade de nossos produtos.

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Anualmente a Embrapa Gado de Leite publica os sumários das raças Gir e Guzerá como resultado dos respectivos Programas Nacionais de Melhoramento em parceria com a ABCGIL, ABCZ e CBMG/ACGB. Esses programas envolvem a participação de diversos órgão públicos e privados, tais como Centrais de Processamento de Sêmen, Ministério da  Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Universidades, Empresas estaduais de pesquisa, criadores e fazendas colaboradoras.

O objetivo principal dos programas é promover o melhoramento genético das raças Gir e Guzerá através da identificação e seleção de touros geneticamente superiores, considerando as diferentes características particulares a cada programa. Para saber mais a respeito:

 

Clique aqui para acessar o Sumário 2011 da Raça Gir

Clique aqui para acessar o Sumário 2011 da Raça Guzerá

 

 

 

 

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O potencial de utilização da biotecnologia no melhoramento de plantas é enorme, contudo no melhoramento de forrageiras as pesquisas são ainda incipientes.

Os exemplos do emprego de recursos biotecnológicos nos programas de melhoramento de forrageiras concentram-se no uso de marcadores molecular para caracterização de bancos de germoplasma, determinação da taxa de cruzamentos de determinada espécie, identificação (fingerprint) de cultivares, estudos de diversidade genética para auxiliar na escolha de genitores e exploração do vigor híbrido, dentre outros.

No médio prazo, pretende-se realizar o mapeamento genético e a seleção assistida por marcadores moleculares, e no longo prazo, espera-se concretizar estudos de sequenciamento de genes de interesse e obtenção de plantas geneticamente modificadas, os quais ainda necessitam de maiores investimentos e avaliação da relação de custo x benefício para uso das tecnologias em questão.

As instituições de pesquisa vêm investindo em pessoal e aquisição de equipamentos para avançar na área de biologia avançada. De modo geral, pode-se considerar que a incorporação da biotecnologia à rotina do melhoramento genético de forrageiras é uma atividade recente e, portanto, ainda há poucos resultados e muito a ser explorado.

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Ao executarmos trabalhos com pipetas automáticas é muito comum a expressão, “se começou a pipetar não deixe outro terminar”, em seguida a explicação, “se outro terminar, acarretará em erros, pois cada um tem uma maneira de pipetar”. Este relato, ouvi inúmeras vezes. A pipeta é ou não um instrumento de precisão e exatidão? A pipeta, segundo os fabricantes é um dos instrumentos de medida de laboratório de maior precisão e exatidão. Nesta linha de raciocínio, porque não deixarmos outros terminarem o que começamos? Algo está incorreto, não deveríamos usar a pipeta com a mesma precisão dos colegas?

 

Ao usarmos uma pipeta sempre temos em mente a velocidade em que executaremos as tarefas, mas esquecemos que a pipeta é para ser precisa e não rápida. Neste contexto, sugiro algumas dicas de como usar as pipetas automáticas.

 

As pipetas de modo geral, operam segundo o princípio de deslocamento de ar e usam pontas descartáveis, desta forma, não deveríamos reutilizar as pontas, principalmente quando usamos líquidos viscosos. O princípio de funcionamento das pipetas requer o controle de velocidade ao succionarmos ou expelirmos o líquido. Esta ação de forma constante faz a diferença nas medidas.

 

Para termos bons resultados com a pipeta, precisamos nos atentar a alguns cuidados como, aspirar o líquido apenas após constatarmos que a ponta esteja fixada de forma correta. Qualquer vazamento entre a ponta e o cone da pipeta altera o volume. A consistência na velocidade dos movimentos garantirá uma repetibilidade maior.

 

Basicamente temos duas formas de pipetar, a forma direta e a forma inversa. Ambas deverão ser executadas com a pipeta na posição vertical, e não levemente inclinada como acostumamos ver.

 

A forma direta consiste das seguintes etapas:

1- Pressione o êmbolo até o primeiro ponto de paragem;

2- Mergulhe a ponta a uma profundidade aproximada de 1 cm, alivie lentamente a pressão do êmbolo, aguarde um pouco e retire-a do líquido;

3-Pressione o êmbolo até o primeiro ponto de paragem, um segundo após, pressione o êmbolo até o segundo ponto de paragem, desta forma o líquido escoará completamente.

 

A forma inversa de pipetar é recomendada para soluções viscosas, soluções com tendência para formar espuma, ou para pipetar volumes muito pequenos. A pipetagem inversa requer dos operadores uma familiarização maior com a técnica. As etapas são:

1- Pressione o êmbolo até o segundo ponto de paragem;

2- Mergulhe a ponta a uma profundidade aproximada de 1 cm, alivie lentamente a pressão do êmbolo. Esta ação encherá a ponta com um volume superior ao indicado. Aguarde de 1 a 2 segundos e a retire do líquido.

3- Dispense o líquido pressionando suavemente até o primeiro ponto de paragem. Este volume será igual ao volume indicado. Mantenha o êmbolo nesta posição. O líquido que permaneceu na ponteira não deverá ser dispensado. A ponteira deverá ser descartada com o líquido remanescente da ponta. Basicamente com estes cuidados, teremos sim, a pipeta como instrumento de precisão e exatidão.

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Projeto Contando Ciência na Web

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Construído dentro de uma proposta corporativa, o site desenvolvido pela Embrapa, com participação das 46 Unidades de Pesquisa, tem como objetivo "Levar, ao público infantojuvenil (6 a 14 anos), informações técnico-científicas da Embrapa como apoio pedagógico para a construção do conhecimento". Com isso, pretende-se que as escolas possam fazer ciência utilizando esse site como fonte de pesquisa.

 

Entre os conteúdos oferecidos pelo site estão os jogos, publicações eletrônicas, prosinha rural, conheça a Embrapa e um bloguinho, em que as crianças podem conversar "on line" com pesquisadores ou membros de cada Unidade ou postarem perguntas e comentários sobre o tema em pauta.

 

O "Contando Ciência na Web" também possibilita o acesso de usuários portadores de deficiências, contando com recursos adaptados às necessidades dessas pessoas.

 

para conhecer o site clique aqui

 

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Marcelo Otenio, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, em entrevista a Radio Nacional da Amazônia, fala sobre a compostagem de carcaças de bovinos, técnica ambientalmente correta para o destino dos animais mortos.

A Embrapa realiza projeto pioneiro no país de compostagem de carcaças de grandes animais.




audio da reportagem para rádio sobre compostagem de carcaças

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I Simpósio Internacional Leite Integral

Prezados participantes do REPILeite,

 

Gostaria de convidá-los a participar do I Simpósio Internacional Leite Integral, que será realizado entre os dias 28 e 30 de abril de 2011, no Hotel Ouro Minas, em Belo Horizonte.

Trata-se de um evento inédito no setor, pois reunirá os maiores nomes mundiais para apresentar o que há de mais atual sobre a criação de bezerras e novilhas.

Além do simpósio, acontecerão nos dias 26 e 27, dois cursos pré-simpósio, sobre glândula mamária e criação de bezerras, respectivamente. As vagas para os cursos estão praticamente esgotadas, portanto quem tiver interesse deve se inscrever o quanto antes.

Todas as informações sobre o evento, como programação, inscrições, hospedagem, dentre outras, podem ser obtidas no site www.simposioleiteintegral.com.br

Oferecemos condições especiais de preço para grupos à partir de 10 pessoas. Caso tenham interesse, por favor, me enviem um e-mail flaviafontes@revistaleiteintegral.com.br e eu passo todas as informações.

 

Um grande abraço e espero por todos em BH!!!

 

Flávia Fontes

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Nota: Mastite bovina causada por Bacillus

Infecção de glândula mamária causada por bactérias do gênero Bacillus foi um dos destaques do Newsletter do National Mastitis Council (NMC), de dezembro de 2010.

 

Essa é uma bactéria comumente isolada nas análises microbiológicas de leite nos laboratórios. Um pequeno crescimento (poucas colônias) em uma amostra de leite geralmente significa contaminação da amostra. Mas as bactérias do gênero Bacillus devem ser consideradas como causa da infecção intramamária se amostras contínuas de leite apontam grande e puro crescimento de colônias de Bacillus, juntamente com alta contagem de células somáticas ou casos clínicos de mastite.

 

A infecção intramamária bovina por Bacillus não é comum, mas tem sido associada a uso de material de tratamento contaminado (seringas, aplicadores), solução antibiótica contaminada ou inadequada desinfecção da extremidade dos tetos antes da aplicação do antibiótico intramamário.


Por isso, toda medida de higiene no manejo das vacas em lactação é fundamental para manter reduzido o risco de mastite por Bacillus, mesmo que a freqüência não seja alta.

 

NMC, Udder Topics Vol. 33, N° 6, Dez 2010.
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Cuidados com o pré-dipping

O newsletter do National Mastitis Council (NMC) de setembro/outubro de 2010 chama atenção para os cuidados necessários durante a realização da desinfecção de tetos antes da ordenha, também chamado de pré-dipping, para que esta etapa do processo de ordenha não se torne uma fonte de contaminação para o leite por resíduos químicos.A preocupação sobre como fazer o pré-dipping não deve ser apenas em relação ao tempo de ação do produto germicida na superfície dos tetos da vaca, para completa eliminação das bactérias que colonizam a região. O desinfetante utilizado nesta etapa da preparação para a ordenha pode contaminar o leite, principalmente, em duas situações: (1) quando os tetos não são bem secos com papel-toalha descartável (após 30 segundos da aplicação do produto); (2) quando a concentração do produto desinfetante está muito alta.Em alguns países, existe o limite máximo permitido de concentração de iodo a ser utilizado no pré-dipping. Como no Brasil ainda não temos essa definição, os técnicos, produtores e ordenhadores devem ficar atentos para que os benefícios do pré-dipping, como redução na ocorrência de mastite por patógenos ambientais e também na contagem bacteriana total do leite não sejam diminuídos diante do risco de contaminação do leite pelos desinfetantes utilizados.Maiores informações: Udder Topics, The NMC Newsletter. Volume 33, N° 4 & 5, pag 4. September/October, 2010.
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Quatro colaboradores da unidade participaram do XV MET Encontro Nacional sobre Metodologias de Laboratório da Embrapa e do II Simpósio sobre Metodologias de Laboratório de Pesquisa Agropecuária, que aconteceu na Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (RS) entre os dias 25 a 29 de Outubro. O objetivo do encontro, que ocorre anualmente, é proporcionar que unidades de todo o país possam compartilhar conhecimentos sobre os procedimentos e técnicas que empregam em seus laboratórios. Durante o evento, ocorreram palestras, exposições de painéis, mesas redondas, mini-cursos e reuniões técnicas de grupos temáticos. A colaboradora Daniele Ribeiro de Lima Reis coordenou o grupo de discussão em Biologia Molecular e Celular. Carolina C. R. Quintão proferiu a palestra de abertura do encontro, intitulada: Avanços tecnológicos no suporte à pesquisa e sua contribuição para o desenvolvimento e inovação e integrou o grupo de discussão em Gestão da Qualidade. Também participaram do encontro, Cecília Pinto Nogueira no grupo de discussão de Nutrição Animal e Alimentos e Ernando Ferreira Motta no grupo de Gestão de Resíduos de Laboratórios.
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Segundo informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), 106 propriedades leiteiras no Brasil são certificadas pelo PNCEBT como livres de Brucelose e Tuberculose, e 788 propriedades estão em processo de certificação. Dessas propriedades certificadas ou em processo de certificação, 707 estão localizadas no estado do Rio Grande do Sul, no qual existem projetos de parceria público-privada, como o projeto Arroio do Meio, que une MAPA, orgãos estaduais, pecuaristas, laticínios, plantas de abate, transportadores de leite, sindicatos, prefeituras e universidades. Esta grande parceria promove ações facilitadoras como doação de antígenos para os testes, brincos de identificação, material de divulgação e esclarecimentos aos produtores, serviços veterinários, transporte de animais positivos ao abate e indenização.Essa é a prova concreta de que o caminho para tornarmos o Brasil, efetivamente, o grande produtor, exportador e consumidor de leite são as PARCERIAS. O chamado TRABALHO EM EQUIPE, que tanto se fala, mas pouco se pratica.Referência: Carvalho, C. M. R. Controlando e erradicando a brucelose e a tuberculose animal. Revista Danone no Campo. Abr/Mai 2010. Poços de Caldas, Minas Gerais.
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Compostagem de Carcaças de Grandes Animais

Embrapa realiza projeto pioneiro no país de compostagem de carcaças de grandes animais.As carcaças de grandes e médios ruminantes causam graves problemas ao meio ambiente. Dados zootécnicos apontam que o índice de mortalidade de bovinos pode atingir 3% do rebanho em condições normais. Em situações extremas, como raios, enchente, seca ou mudanças bruscas de temperatura, este índice pode subir de forma significativa. No último inverno, por exemplo, o Mato Grosso do Sul registrou a morte de cerca de três mil cabeças de gado devido ao frio.As carcaças destes animais se decompondo ao tempo facilitam a transmissão de doenças afetando outros animais e até mesmo o homem. Enterrar as carcaças também traz riscos. A decomposição dos animais gera chorume e o resultado pode ser a contaminação do lençol freático, rios e lagos.A compostagem é a proposta ambientalmente correta para o destino dos animais mortos. Trata-se de processo controlado de decomposição de animais. As carcaças são depositadas sobre matéria vegetal (folhas de árvores, galhos, restos de silagem, serragem, picados em tamanho máximo de 2 cm) e esterco seco.Os trabalhos de compostagem desenvolvidos fazem parte do Projeto de Gestão Ambiental da Embrapa. Os pesquisadores que estão à frente das ações foram capacitados na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. Na Embrapa Gado de Leite a compostagem é realizada no Campo Experimental de Santa Mônica, em Valença – RJ.
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O Centro de Inteligência do Leite/Embrapa Gado de Leite lançou o servidor de mapas na internet, cujo objetivo principal é apoiar a gestão territorial por meio da apresentação de temas cartográficos ligados a cadeia produtiva do leite, além do compartilhamento de dados geográficos e aspectos sócio-econômicos e ambientais para o Estado de Minas Gerais. Acompanhe as atualizações neste sistema, o qual incorporará outras classes de informações tais como imagens de satélite, do relevo realçado, dados sobre rebanhos de raças bovinas, quanto a programas de melhoramento e associação de criadores, e unidades de conservação no Estado de Minas Gerais. Estas informações estarão disponíveis juntamente com os dados sobre a produção de leite oriundos do IBGE. Inicialmente, foram disponibilizados alguns temas para consulta de informações sobre o Leite, apresentando variáveis tais como produção e rebanho ordenhado para escalas municipal, micro e mesorregional, além de alguns dados físico-ambientais os quais visam subsidiar a tomada de decisão e compreensão sobre fatores envolventes. As atualizações no sistema poderão ser visualizadas através do endereço http://www.cileite.com.br/inteligencia-geografica , no módulo de inteligência geográfica do CiLeite. Em breve, estará disponível módulo para aquisição de bases de dados para uso em Sistemas de Informações Geográficas (SIG), Google Earth e em outros sistemas para atividades ligadas à área acadêmica e à cadeia do leite em geral.
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Uma simples lavagem com água corrente e enxague com água destilada pode não ser suficiente para eliminar certos contaminantes. Este procedimento é indicado para remoção de contaminantes como ácidos, bases, tampões ou solventes orgânicos. Entretanto, na presença de compostos como ésteres, lipídios ou ácidos graxos, pode haver a necessidade de um procedimento de remoção destes produtos com detergentes (surfactantes aniônicos), que são moléculas orgânicas com uma extremidade polar, hidrofílica e outra não polar, hidrofóbica. Devido a esta estrutura química, tais moléculas são capazes de transformar resíduos insolúveis em solúveis.Detergentes alcalinos livres de minerais têm custo elevado, e geralmente não são suficientes para uma completa descontaminação. Outros procedimentos podem ser necessários para tornar estes materiais reutilizáveis, tais como lavagens ácidas, autoclavagem ou assepsias químicas para remoção de microrganismos. Estes procedimentos podem ter um custo bastante elevado, chegando a ultrapassar o valor de mercado dos materiais reaproveitados. E se adicionarmos a estes custos o tempo gasto pelos técnicos para execução destes protocolos? Podemos adicionar ainda, a estes, o custo de oportunidade, ou seja, o tempo gasto para executar estas tarefas, que poderiam ser utilizados com outros procedimentos analíticos no laboratório. E a questão ambiental, se optarmos por descartar estes materiais e não lavar? Basicamente, todos estes materiais podem ser reciclados caso não contenham agentes biológicos patogênicos a seres humanos, que geralmente são descartados segundo as normas de biossegurança.E você, como base nas colocações acima, optaria por descartar ou lavar estes matérias de laboratório?
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Como inserir uma foto na rede social

Há duas formas de acessar o mecanismo de inserção de fotos na rede social: A) Através do menu superior, acessando: Conteúdo interativo -> Fotos

Depois clicar no link Adicionar fotos

B) Através do bloco de fotos na página principal, clicando no link Adicionar fotos


Qualquer dos dois procedimentos te levará a seguinte tela, bastando clicar na figura da máquina para inserir uma foto.

1) Escolha a foto que deseja utilizar do seu dispositivo de disco local

2) O arquivo escolhido será relacionado em uma lista.

3) Caso queira removê-lo da lista, basta clicar no "X" ao lado do nome e tamanho do arquivo.

4) Caso queira adicionar mais arquivos além do selecionado, clique em Adicionar Mais, e repita os procedimentos descritos anteriormente, no passo número 1.

5) Selecionada as fotos, basta clicar no botão Carregar. Com isto, as fotos serão carregadas para o servidor.

6) Na próxima tela, existe a opção de editar as fotos, como dar um nome para elas, uma descrição e palavras-chave associadas a estas fotos. Também existe a possibilidade de girar a foto, clicando no link Girar a foto

7) Existe um campo opcional, logo abaixo, onde é possível criar um álbum para as fotos. Para tal, pede-se para especificar um título, descrição, local e marcações para este álbum.

8) Terminado todas as especificações, basta clicar no botão Salvar

Ao término do procedimento, a aplicação será direcionada para sua tela pessoal de fotos, com todas as suas fotos publicadas na rede social.

Vale lembrar que somente após a aprovação do moderador é que as fotos estarão disponíveis publicamente para os outros membros da rede social visualizarem.
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Venho comentando sobre introdução de árvores e arbusto em pastagens, sobre os benefícios ambientais e da possibilidade de retornos financeiros para o produtor rural.E uma indagação recorrente é: qual espécie devo usar?Assim, tenho certeza que o texto abaixo será esclarecedor!Árvores madeireiras para uso em sistemas agrossilvipastorisAdaptado de Müller et al. (2009)A introdução de árvores em áreas de pastagens é uma estratégia que tem demonstrado grande potencial para tornar a atividade pecuária mais sustentável e economicamente rentável. As árvores proporcionam várias melhorias nas características físicas e químicas do solo, também conferindo-lhe proteção adicional contra a erosão, proporcionando conservação da água, contribuindo para a manutenção do ciclo hidrológico por meio do aumento da taxa de infiltração de água no solo. Contribuem também para elevar o valor nutricional da forragem e proporcionam maior conforto térmico para os animais em pastejo, melhorando o seu desempenho produtivo e sua performance reprodutiva. Também proporcionam benefícios econômico-sociais, como diversificação produtiva e geração de renda adicional para o pecuarista, contribuindo para reduzir a sazonalidade da demanda por mão-de-obra no campo, o que torna a atividade pecuária mais sustentável e com maior rentabilidade econômica.Entretanto, uma grande dúvida que normalmente é levantada por interessados em estabelecer árvores em suas pastagens é: qual espécie devo usar? Para responder a este questionamento é preciso saber qual o objetivo do sistema (alimentação animal, conforto térmico, produção de madeira, etc.). Assim exposto, apresentamos, a seguir algumas espécies potenciais, suas principais características e seus possíveis usos.Eucalipto: Espécies de crescimento rápido e vigoroso, adaptadas a diversas condições edafoclimáticas e de fácil propagação. Devem ser plantadas em regiões com pluviosidade superior a 1.000 mm anuais e com temperaturas médias máximas entre 24-30º C e mínimas entre 8-12º C. Não são muito exigentes em fertilidade, entretanto respondem muito bem ao adequado preparo do solo. Possuem ciclo longo, podendo vegetar por mais de 100 anos. Sua copa é alta, pouco densa, e seu tronco é retilíneo, podendo chegar a 30 metros de altura. As espécies do Gênero Eucalyptus são extremamente versáteis, possibilitando uma série de usos tais como: madeira para construções rurais e urbanas, serraria, mourões, postes, escoras, lenha e carvão, dentre outras utilidades. Ademais, é possível extrair óleos essenciais das folhas de algumas espécies, os quais possuem grande valor para comercialização. Sendo bem manejados, conforme as recomendações técnicas, os plantios de Eucalipto não são nocivos ao meio ambiente.Acacia mangium: Espécie de crescimento rápido, adaptada a diversas condições edafoclimáticas, embora não tolere períodos de seca muito prolongados. Cresce bem em solos compactados, erodidos e degradados, em declividades acentuadas e em locais infestados com ervas daninhas. Não tolera solos salinos, sombreamento e baixas temperaturas. Devido à folhagem densa e às suas raízes serem superficiais, essa leguminosa é suscetível a quebras pelo vento. Deve ser plantada em regiões com pluviosidade acima de 1.500 mm anuais e com temperaturas médias máximas de 34º C e mínimas de até 12º C. Possui ciclo curto, vegetando por cerca de 15 a 20 anos, atingindo até 20-25 metros de altura. Por ser uma espécie leguminosa possui a vantagem de proporcionar melhoria da fertilidade do solo pela fixação biológica de nitrogênio, bem como pela grande deposição de folhas, com teores mais elevados de N, que formam a manta orgânica, a qual confere proteção adicional do solo contra os agentes erosivos, também contribuindo para minimizar as perdas de água por evaporação. Possui uma grande versatilidade de usos, desde sua exploração para uso como lenha, carvão e mourões até sua utilização para serraria e laminação.Cedro australiano (Toona ciliata var. australis): Espécie de crescimento moderado a rápido, que prefere solos aluviais, próximos a mananciais hídricos e ao pé de encostas, bem drenados, profundos e com boa fertilidade. Tem apresentado bom desenvolvimento em áreas com declive acentuado quando em consórcio agroflorestal. Na Zona da Mata Mineira, as áreas de meia encosta em Latossolos Vermelho-Amarelos e Argissolos Vermelho-Amarelos são as mais indicadas. Apresenta copa larga, devendo ser estabelecida em espaçamentos mais amplos para evitar o sombreamento excessivo do sub-bosque. Vegeta bem em regiões com pluviosidade mínima de 1.200 mm anuais e temperaturas oscilando entre 20 a 26º C. Espécie com alto valor comercial, mais adequada à serraria e laminação.Teca (Tectona grandis): Espécie de crescimento um pouco mais lento, própria de regiões tropicais quentes e úmidas. No Brasil, vegeta bem em regiões com temperaturas médias anuais acima de 24º C, devendo ser plantada em locais com pluviosidade superior a 1.500 mm anuais, em solos profundos, bem drenados, com textura média e boa fertilidade. Apresenta copa alta e pouco densa, apesar das folhas largas. Sua madeira é naturalmente imune a fungos e cupins, não apresentando empenamento após o corte. Por ser uma espécie com alto valor comercial, dadas as nobres qualidades da sua madeira, a produção é, frequentemente, destinada à serraria, para confecção de móveis e construções navais.Guanandi (Calophyllum brasiliense): Espécie de crescimento lento que vegeta bem em solos encharcados, ocorrendo naturalmente em planícies temporariamente inundadas, em solos aluviais, úmidos, com drenagem deficiente, e com textura variando de arenosa a franca. No entanto, apresenta melhor desenvolvimento em solos com fertilidade variando de alta a média, bem drenados, com textura franca ou argilosa. Possui copa larga e densa, devendo ser plantada em espaçamentos mais amplos, em regiões com pluviosidade média anual superior a 1.300 mm, com período seco de até três meses e temperaturas variando entre 18,1º C e 26,7º C. Necessita de sombreamento devendo ser plantado juntamente com outras espécies de hábito pioneiro. Espécie com alto valor comercial para serraria e móveis.Angico Vermelho (Anadenanthera colubrina): Espécie de crescimento rápido que vegeta bem em áreas com pluviosidade entre 400 a 2.500 mm, tolerando até nove meses de estiagem e preferindo temperaturas médias anuais variando entre 18º C e 29º C. Embora resista bem em regiões com elevado déficit hídrico, entre 800 e 1.300 mm, ocorre indiferentemente em solos secos e úmidos, desde que sejam profundos, apesar de tolerar solos rasos, compactados, mal drenados e até encharcados, de textura média à argilosa. Entretanto para se obter um bom desenvolvimento devem ser plantados em solos com boa fertilidade, profundos, bem drenados e com textura argilosa. Possui fuste normalmente tortuoso e copa abaulada e pouco densa, produzindo madeira própria para lenha, carvão e mourões.
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A evolução da microscopia

A história do microscópio começou com interesse da humanidade em aperfeiçoar e entender a visão. Já na Antigüidade, as primeiras teorias da luz eram as da visão. Duas correntes procuravam explicar a percepção visual: a teoria “táctil”, segundo a qual o olho emitiria raios ou partículas, a serem refletidos pelo objeto e a teoria de que o objeto emitisse algo (hoje em dia diríamos “um sinal”) percebido pelo olho. Ambas as teorias eram correntes na Grécia por volta de (500 a.C.) Platão, (400 a.C.) postulava que as “partículas sutis” eram emitidas pelo olho e refletidas pelo objeto porém, admitia também que os dois mecanismos pudessem agir em conjunto.Ainda que em Euclides (300 a.C.) possam ser encontrados os inícios da ótica, a Grécia antiga não era propícia ao desenvolvimento das ciências físicas. Com raras exceções, como Arquimedes, preferia-se o caminho da especulação metafísica ao da pesquisa experimental. Al-Hazen (65 d.C.) sugeriu o uso de globos de vidro para aumentar imagens e concentrar a luz. Ptolomeu (150 d.C.) foi quem estudou e mediu os índices de refração da luz.Em 1267, Roger Bacon discutiu a refração em lentes influenciando a invenção dos óculos mencionados pela primeira vez em Veneza por volta de 1300. Mas o surgimento dos óculos justamente nesta cidade, pode também estar relacionado com os relatos de Marco Pólo, segundo os quais os chineses do século XIII já os conheciam. Nas escavações de Níneve foram encontrados pedaços de vidro polido cuja única interpretação é seu uso como lentes.A partir do século XIV lentes começaram a ser usadas comumente para corrigir defeitos de visão e como dispositivos de aumento. Este uso atingiu seu apogeu com Leeuwenhoek, detentor de uma técnica extremamente desenvolvida levou o uso do microscópio simples (uma lente ou lupa) ao seu nível mais alto, devendo ser provavelmente o primeiro microscopista. Seus microscópios eram individualmente feitos para cada amostra e durante sua vida produziu centenas, dos quais infelizmente nove definitivamente autenticados. Durante anos descreveu o micromundo a sua volta em uma série de cartas destinadas a Royal Society de Londres na qualidade de membro correspondente o qual se orgulhava imensamente. Alguns de seus “pequenos animais” foram examinados com aumentos de 300 vezes, façanha considerável, mesmo em comparação com alguns instrumentos modernos.O microscópio simples não é, no entanto, um instrumento muito versátil ou cômodo nas mãos do público em geral. Paralelamente ao desenvolvimento do telescópio no século XVII, surgiu o microscópio composto, constituído no mínimo de uma lente ocular e uma objetiva.Em 1609, Galileu fez seu primeiro microscópio sendo considerado como época do desenvolvimento mecânico do microscópio os anos compreendidos entre 1650 e 1750. O primeiro aperfeiçoamento foi à tentativa de facilitar o foco, originando o tubo rosqueado dos microscópios de Hartsoeker e Wilson. Logo depois, foi incorporada a lente de campo, introduzida por de Monconys, que surgiu em 1665 no microscópio de Hooke.Os microscópios de Cuff representam um patamar no desenvolvimento do microscópio que só foi sensivelmente ultrapassado após um século. Em consonância com o desenvolvimento experimentado pela mecânica fina em meados do século XVIII, Cuff passou do uso da madeira e couro para o metal, e reuniu pela primeira vez em um instrumento focalização por parafuso, mesa para amostras, espelhos para a luz transmitida e refletida, que permite equivalência com a disposição moderna.A qualidade ótica dos microscópios não acompanhou o seu desenvolvimento mecânico. Em torno de 1750 recomendava-se ainda ao pesquisador sério o uso da lente simples capaz de fornecer uma imagem superior à do composto, dito “instrumento confortável para curiosos das ciências naturais”.A ciência foi se desenvolvendo e com ela a necessidade de novos e mais sofisticados equipamentos. A partir de 1930, uma maneira diferente começou a despertar o interesse dos microscopistas incentivados pelo desenvolvimento do radar e da televisão.Em 1935 Knoll descreveu pela primeira vez a aplicação do conceito da relação objeto/imagem/tempo e desenvolveu o microscópio eletrônico de varredura. Pouco depois em 1938, von Ardenne construiu um microscópio eletrônico de transmissão no qual a aquisição de imagem era feita por varredura, disposição muito mais tarde retomada na forma de microscópio eletrônico de varredura e transmissão, obtendo um aumento na ordem de 8.000 X, ainda que o tempo exigido para uma exposição não fosse muito prático.Em 1950, Oatley em Cambridge interessou-se em criar um grupo de pesquisa em ótica eletrônica e retomou o desenvolvimento do microscópio eletrônico de varredura. Foi então desenvolvido um instrumento com características modernas, como utilização de elétrons secundários e retro-espalhados, elucidação dos diversos mecanismos de contraste, e principalmente reconhecida a grande profundidade de campo para o exame de superfícies rugosas.Em 1952, foi atingida a resolução de 50 nm, que uma década depois havia sido reduzida de um fator de 5 nm; era então chegado o momento de comercializar o microscópio eletrônico de varredura com a Cambridge Instrument Company, a partir de 1965.A partir de 1943, Castaing sob orientação de Guirnier em Paris, dedicou-se ao desenvolvimento de uma microsonda eletrônica. Nesse instrumento, um feixe colimado de elétrons excita a emissão de raios X, que analisados através da lei de Moseley, permitem análises elementares em um volume da ordem de 1 μm3 do material. Inicialmente concebido como dois instrumentos distintos, o microscópio eletrônico de varredura e a microsonda foram progressivamente reunidos; a disponibilidade destes recursos simultaneamente consolidou definitivamente a posição do microscópio eletrônico de varredura para aplicações como análise de falhas e desenvolvimento de tecnologias industriais.Durante a década de 90 verificou-se um importante progresso no microscópio eletrônico de varredura: o desenvolvimento dos trabalhos inicial de Danilatos possibilitou a criação do microscópio eletrônico de varredura de baixo vácuo, capaz de operar com pressões até algo acima da pressão de vapor da água. Isto possibilitou não apenas o exame de amostras úmidas (como por exemplo, amostras biológicas), mas também o exame de amostras não condutoras de eletricidade, uma das limitações importantes dos instrumentos tradicionais.A formação da imagem do microscópio eletrônico por varredura foi provavelmente o desenvolvimento mais importante ocorrido em microscopia no século XX, introduzindo, ao cabo de quase quatro séculos, um novo conceito na visualização de microestruturas.Em princípio, cada fenômeno físico, com o qual seja possível provocar uma resposta localizada no objeto e adquirir um sinal correspondente, pode ser utilizado como base para um microscópio. Uma das primeiras, e até agora, a mais importante aplicação é utilizar o efeito de tunelamento (efeito quântico, segundo o qual uma pequena corrente “tunela” através de uma fina camada de material isolante). Varrendo a superfície de uma amostra condutora com uma sonda de dimensões atômicas, descreveram em 1982 o microscópio de tunelamento, com o qual obtiveram imagens de resolução atômica.Segundo eles próprios, conseguiram algo que em princípio nem deveria funcionar. A rapidez com que eles foram reconhecidos e agraciados pelo Prêmio Nobel em 1986 atesta o enorme impacto deste instrumento no desvendamento da estrutura de superfícies em dimensões atômicas, da maior importância no limiar, em nossos dias, da nanotecnologia. Pouco tempo depois, Binning e colaboradores introduziram o microscópio de força atômica, de concepção ainda mais improvável que contornou a limitação do exame apenas de amostras condutoras.Esta invenção iniciou a era dos Microscópios de sonda de varredura, campo no qual se verificaram atualmente os maiores desenvolvimentos de microscopia. Novas modalidades são propostas continuamente, e só a perspectiva histórica poderá decidir, no futuro, quais deles terão impacto comparável com os grandes desenvolvimentos do século XX, na nossa busca de ver o pequeno.Adaptado de: MANNHEIMER, W. A. Microscopia dos materiais: Uma Introdução. Rio de Janeiro: E-papers Serviços Editoriais, 2002.
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